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Mais 4 anos de esquecimento do mundo rural em Braga

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Braga tem uma dualidade de identidades que a tornam única. Por um lado, é já um concelho cosmopolita com uma cidade onde vivem pessoas de todo o mundo. Por outro, mantém bem presente a sua ruralidade numa periferia silenciosa que nos transporta para o meio da natureza e do tradicional.

Olhando para a geografia do concelho as áreas sociais ocupam 29% da área total, as áreas florestais cerca 43% e as áreas agrícolas aproximadamente 26%. Mais de 70% de Braga é agricultura e floresta. No entanto, olhando para as políticas adotadas pelo executivo, nada faz transparecer esta realidade. Olhando para as propostas apresentadas, mais de 70% do concelho estará esquecido.

No programa eleitoral da coligação Juntos por Braga, não constava qualquer referência à agricultura. Segundo os dados da PORDATA, em 2019 existiam em Braga 1,216 explorações agrícolas, das quais 1055 com uma dimensão inferior a 5 hectares, representando a pequena agricultura. No total, 926 bracarenses estariam empregados no setor a tempo inteiro, com quase 2500 pessoas a conseguirem obter alguns rendimentos, a tempo parcial. No total, são mais de 3000 bracarenses para os quais não existe uma visão de longo prazo de apoio e fomento numa área tão essencial como é a produção alimentar e que enfrentará desafios sem precedentes nas próximas décadas com a adaptação às alterações climáticas e transformação nos modos de produção, cultivo e consumo.

Uma área que, quando falamos de produção vegetal gerida com princípios de sustentabilidade, pode servir como ferramenta de proteção ambiental, não só na proteção dos solos e biodiversidade, mas também na criação de cadeias de produção curtas. Para além disto, a agricultura de proximidade pode ter um papel essencial na educação e promoção de uma alimentação saudável.

E se a visão de longo prazo do executivo for continuar a deixar cair o setor, o que discordo, então que seja, só que isto não se pode fazer sem medidas concretas de apoio e transição no emprego. E para aqui, também não foram apresentadas propostas.

Já para a floresta, encontramos apenas 1 medida no programa eleitoral, relacionada com a prevenção dos incêndios. Mais uma vez, não há uma visão para 43% do território num setor tão determinante para mitigar a pegada de carbono dos bracarenses, melhorar a qualidade dos solos e proteger a biodiversidade.

É preciso completar o cadastro da propriedade florestal, criar programas de plantação de árvores e vegetação autóctones, bem como recompensar os gestores florestais pelos serviços de ecossistema que nos fornecem a todos. A floresta não pode dar lucro apenas quando se cortam árvores.

Mas não podemos achar que as freguesias mais rurais apenas podem ser dinamizadas por estes setores ou até pelo turismo. Com a expansão do teletrabalho, custos de vida mais reduzidos e melhor qualidade de vida, estas freguesias tornam-se cada vez mais atrativas para viver. No entanto, é preciso garantir melhores acessos com transportes públicos, vias digitais de qualidade, melhor oferta na saúde, educação e cultura.

Quando o fizermos, isto beneficiará não só estas populações como milhares de bracarenses que se podem mudar do centro e os que ficam que conseguem, entre outras vantagens, habitação a preços mais acessíveis.

É preciso olhar o concelho com uma perspetiva de coesão territorial, algo que não tem acontecido nem parece estar nos planos do atual executivo.

As populações da periferia voltam a ficar assim, a ver Braga por um canudo.

Artigo de opinião de Rafael Pinto do PAN.

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