
João Rodrigues, presidente eleito pelos Juntos por Braga, vai iniciar hoje contactos com a oposição para a distribuição de pelouros.
A primeira reunião do novo Executivo de Braga, ocorrida esta segunda-feira, ficou marcada pela rejeição da proposta do concurso de 2,6 milhões de euros para a requalificação do Largo do Pópulo, que teve votos contra do Amar e Servir Braga e da Iniciativa Liberal. A coligação PS/PAN e CHEGA abstiveram-se e os Juntos por Braga votaram a favor.
Ricardo Silva, líder do Amar e Servir Braga, justificou o voto contra uma vez que “há uma omissão na informação” e que a intervenção “mistura empreitadas”. “Nós estamos contra por uma razão muito simples. Nós primeiro fazemos uma revogação da adjudicação para depois então termos aqui uma nova adjudicação. Isto estava invertido na ordem de trabalhos e portanto nós quisemos dar primeiro um esclarecimento sobre qual deveria ser a tramitação a cumprir. Por outro lado, há uma omissão ou há uma má interpretação daquilo que deve ser um esclarecimento que deve ser cabal, que deve ser claro, que tem que ser muito transparente, que tem precisamente a ver com aquilo que nós estamos a aprovar e aquilo que deve ser objeto de financiamento por parte do Município”, referiu Ricardo Silva.

O vereador independente sustentou que “a informação que veio dos serviços refere três objetos em espaço público, são duas ruas mais o Largo do Pópulo e, de repente, somos surpreendidos também com uma questão atinente a uma contenda que refere a requalificação da fachada do Pópulo. Estamos então aqui a misturar empareitadas, mas dando um destaque absolutamente diferenciador que não veio plasmado naquilo que é o objeto que estava em discussão”.
Por seu turno, Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, disse que “ficou clara na discussão que havia aqui alguma controvérsia relativamente a uma visão mais integrada ou menos integrada da apresentação da informação. De qualquer maneira, quero salientar que houve aqui uma espécie de compromisso do presidente da Câmara de reapresentar o ponto, agora com a informação completa, e portanto não haverá consequências para a população e para Braga dessa falta de entendimento”.
“É natural que as perspetivas sejam diferentes. Imagino que depois, com o tempo, as coisas se ajustarão. Foi uma decisão defensiva no sentido de pretender que a informação fosse prestada de forma completa nessa visão integrada e, portanto, é esse o ponto. Creio que não haverá dramas associados e o assunto resolver-se-á eventualmente na próxima sessão quando vier a informação completa”, reforçou o liberal.
Pedro Sousa, da coligação PS/PAN, afirmou que a votação da proposta poderia ter sido diferente caso a informação estivesse “carreada”. “Hoje passou-se aqui uma questão administrativa, uma questão de forma. Parece-me que contribuir para uma instrução mais clara, para uma instrução dos processos mais agregada que cruze diferentes projetos e que toda a informação seja carreada para quem tem de decidir, então não tenho dúvidas que se toda a informação conexa relativamente com a questão do edifício do Pópulo e da fachada do edifício do Pópulo estivesse carreada para o ponto em questão que o resultado da votação final teria sido diferente”, disse.

Fiilipe Aguiar, vereador do CHEGA, referiu que “estou aqui, acima de tudo, para convergir e, independentemente do executivo, estou aqui para deixar a tática política em segundo plano, sempre disse isso, independentemente do executivo que estivesse à frente dos destinos de Braga, mas acima de tudo, aprovar aquilo que é positivo para Braga e para os bragarenses e chumbar aquilo que acho que não seja o melhor”.
João Rodrigues, presidente eleito pelos Juntos por Braga, lamentou o chumbo da proposta, apontando responsabilidades à oposição. “As pessoas quando vêm votar uma proposta desta importância têm de ter noção daquilo que estão a votar. Nós não estamos a votar um apoio de poucas centenas de euros a uma associação, não estamos a mandar tapar um buraco, não estamos a mudar uma lâmpada, estamos a votar um projeto que na sua globalidade supera os 2,6 milhões de euros e como se viu aqui, quando as pessoas não se preparam, acontecem erros. É normal, é a primeira reunião, mas é normal também que estes erros deixem de acontecer”, disse.
O autarca reforçou que “é preciso que as pessoas tenham responsabilidade e saibam onde estão, em que condição é que estão e aquilo que estão a votar. Eu repito, podia-se ter dado o caso de esta aprovação ser necessária, por exemplo, até à data de amanhã e uma votação depois de feita não pode ser alterada, quanto muito pode vir à próxima reunião de Câmara e nós perdermos os 2,6 milhões de euros. A informação constava e eu quero que isto fique claro, porque não há duas opções, nem há duas opiniões sobre este assunto, a informação estava toda no processo. Se as pessoas não leram o processo todo, é um problema delas e tenho que reconhecer que erraram, mas também tenho que assumir as consequências da forma como votam. Isto é ultrapassável, pode vir à próxima reunião de Câmara e eu espero que não fique a sensação ou sequer a mínima dúvida acerca da responsabilidade deste pequeno grande erro que aqui se deu”.
Na reunião do Executivo, Altino Bessa foi formalmente indicado como vice-presidente da Câmara Municipal de Braga.


