
O concelho de Braga prepara-se para ir a eleições e eleger o seu terceiro presidente em democracia. João Baptista é o candidato da CDU à Câmara Municipal de Braga. Tem 51 anos, é mestre em Engenharia Civil, eleito na Assembleia Municipal de Braga e na Assembleia da CIM Cávado. Foi membro da Junta de Freguesia de São Victor e é vereador da oposição no Município.
O que motivou a sua candidatura à Câmara Municipal de Braga?
O que motivou esta candidatura foi todo um conjunto de pessoas ligadas a mim e ao coletivo da CDU que entenderam que a minha seria a melhor candidatura para servir Braga e para melhor fazer por Braga. Foi essa a ideia. Braga conhece, Braga sabe com quem conta e eu irei honrar os compromissos desta candidatura.
Que balanço faz destes 12 anos da coligação Juntos por Braga à frente da Câmara Municipal?
O balanço começou por ter uma grande impetuosidade, ou seja, parecia um grande dinamismo no primeiro mandato, com mudanças grandes em termos governativos, mas depois foi-se esmorecendo e a cidade começou a agudizar também com esta transformação, numa cidade de 100 mil para 200 mil habitantes.
Braga teve um crescimento muito grande, mas o Executivo não antecipou os problemas que agora se estão a sentir com grande força, e Braga perdeu dinamismo. As pessoas sentem que havia muita coisa que foi prometida e que não foi executada neste Executivo.
Na sua ótica, quais as principais necessidades do concelho? Quais são os principais problemas que Braga enfrenta atualmente e como os pretende resolver?
Muito resumidamente, eu acho que o tal crescimento de Braga trouxe ao de cima a falta de habitação. É um problema que é transversal a todo o país, não é só de Braga, naturalmente, mas Braga não conseguiu sequer aproveitar a “bazuca” do PRR. 3,2 mil milhões para a habitação e Braga só conseguiu captar investimento para uma residência universitária. Há um protocolo com a Universidade do Minho, mas que não resolve o problema da grande generalidade da população.
Um casal jovem em Braga não consegue comprar nem alugar casa. Um casal acabado de licenciar-se na Universidade do Minho, com um rendimento na ordem dos 1.500/1.600 euros por mês, não consegue, de maneira nenhuma, adquirir a habitação em Braga e depois têm que recorrer a outros concelhos. Depois, isto agudiza o problema a seguir do trânsito, porque depois têm que vir dos outros concelhos para Braga e o que sentimos é que Braga está com o trânsito caótico.
Falta a aposta também no passe modal e intermodal para as pessoas deixarem o carro em casa e virem em transportes públicos, seja de outros concelhos, seja na própria cidade de Braga para apanhar o comboio para o Porto, e era importantíssimo dar um passe intermodal e apostar fortemente nos TUB para resolver o problema da mobilidade.
Da habitação, vemos que a BragaHabit é uma empresa municipal que precisa de meios e de mais dinheiro, num envelope financeiro, para conseguirmos aí fazer uma aposta grande na habitação pública.
Caso for eleito, o que pretende mudar no concelho nos próximos quatro anos?
Primeiro, uma promessa que é alcançável porque o concelho precisa, é conseguir construir muitos apartamentos em Braga. Há quem atire com 500, eu já falei em 1000. Tem que se estudar no momento, porque a cada momento tem que se aferir às necessidades e dar resposta a essas necessidades. Com o quê? Com dinheiro do Poder Central, dinheiro recorrido ao Banco Central Europeu, por fundos de investimento que conseguem injetar e trazer dinheiro a Braga para que a Câmara tenha a preocupação de adquirir terrenos e construir a custos controlados.
Depois, outro problema que se tem de resolver da habitação é cumprir com a Lei de Bases da Habitação, que tem um capítulo que fala da Carta Municipal de Habitação. Essa Carta Municipal de Habitação, que nunca foi feita em Braga, é para identificar os prédios abandonados e devolutos, e a Câmara tomar posse administrativa deles e construir a custos controlados para vender depois a custos controlados. Isto era um passo muito importante.
Também temos a necessidade de estudar, em termos de PDM, porque Braga não pode crescer só nas freguesias urbanas e isto ser uma medida que depois seja transversal às freguesias periféricas e apostar aí na habitação também a custos controlados.
Quais as propostas do seu partido para os mais jovens?
Os mais jovens começam logo por carência de habitação. A habitação resolve-se com o Regulamento Municipal da Habitação, que também nunca foi feito, que preconize regras, ou seja, os jovens terão que concorrer dentro das regras definidas nesse regulamento e serão regras preferenciais para casais jovens à busca de uma primeira habitação em Braga, para que criem aqui a sua família, criem aqui os seus laços e as suas raízes. Não pode ser T0 nem T1, como agora acontece com o alojamento local, que é um alojamento que é provisório, não é para habitação definitiva.
E para os seniores? Existem propostas?
Para os seniores temos previsto uma criação de lares de terceira idade da rede pública, porque Braga carece de oferta de espaços para a terceira idade e achamos que há uma necessidade de oferta pública, que basear tudo nas IPSS parece-nos que é redutor à necessidade de criar um conceito que nós achamos inovador, que é o conceito de bairro residencial de terceira idade. É um bairro em que os idosos têm o seu apartamento, mas depois estão em serviços de apoio associados, de enfermagem, de apoio ao domicílio, isso é uma ideia que estamos a amadurecer, mas que achamos que Braga fica a ganhar e a terceira idade precisa desta resposta.
Que mensagem quer deixar aos eleitores do concelho de Braga?
Quando se fala em mobilidade, há as acessibilidades também. Braga tem carência de espaços, de rampas que permitam às pessoas com mobilidade reduzida acederem a certas zonas da cidade. Por exemplo, quem desce a Rua do Cemitério e vira para a Rua dos Congregados, convido a irem, se forem com uma pessoa com uma cadeira de rodas, não conseguem descer aquela rua porque tem escadas, porque tem ao lado a estrada e não há passeio com rampa. Tudo isto são preocupações que temos de fazer: um plano de acessibilidades. Estudar e ir bairro a bairro, freguesia a freguesia, e ver as barreiras arquitetónicas que existem e que obrigam a uma ação da Câmara que nunca tem tido e que nósm nas nossas visitas, todos os dias temos feito visitas a freguesias, notamos isso e as pessoas queixam-se dessa falta de acessibilidades para as pessoas da terceira idade, com mobilidade reduzida ou até uma mãe com um carrinho de bebé vê-se atrapalhada a mover-se pela cidade.
Depois, em relação à cidade em si, nós queremos que seja uma cidade mais verde, mais ambientalmente amiga e até proponho, já o disse em outros fóruns, a baixar a temperatura máxima da cidade em 5 graus no verão, que é uma cidade que agudiza pelo calor. Toda a gente se queixa que Braga bate recordes de calor no verão. Acompanha Beja e Santarém. Nós temos um plano, eu não costumo inventar a roda, mas gosto de estudar os bons exemplos de outras cidades europeias.
Em Atenas, o presidente da Câmara de Atenas conseguiu fazer isso, baixar 5 graus na temperatura. Como? Com a criação de pérolas no centro da cidade, onde a gente tem aquele autêntico terreiro em granito que é a Arcada, criar zonas com lonas removíveis, que são aquelas lonas que se colocam, Madrid e Sevilha têm. No verão estão abertas e no inverno elas recolhem, e também as coberturas dos telhados com uma cobertura verde e as fachadas, dentro do possível também com coberturas verdes, de forma a baixarmos a temperatura. Isto tudo associado a um grande plano de arborização, porque Braga também carece de árvores e tem vindo a perder muitas nestes últimos abates.
Achamos que Braga precisa de uma resposta forte, porque são as alterações climáticas que tornam a cidade insustentável no verão, em termos de ambiente, e achamos que há possibilidades de melhorar muito nesta matéria.


