
O concelho de Braga prepara-se para ir a eleições e eleger o seu terceiro presidente em democracia. Hugo Varanda, de 24 anos, é o candidato do MPT – Partido da Terra à Câmara Municipal de Braga. Licenciado em Arqueologia, trabalha atualmente numa cadeia de ginásios. É também candidato à União de Freguesias de Celeirós, Aveleda e Vimieiro.
O que motivou a sua candidatura à Câmara Municipal de Braga?
O que motivou o Partido da Terra e a mim é que sejam construídas pontes e de diálogo político, coisa que não acontece em Braga. Nós estamos numa Autarquia que nos últimos 12 anos foi governada por Ricardo Rio, onde não há qualquer tipo de transparência política. Não se sabe o que é gasto pelo Município, o que é público e o que não é público. Não há transparência. Nós estamos com vários anos, saímos de Mesquita Machado, onde afirmava-se que havia democracia e a democracia não existia. Foram 10 mandatos de Mesquita Machado.
Quando é que é possível uma pessoa, um candidato autárquico, estar 10 mandatos a ocupar uma candidatura? E candidaturas sempre compostas. Já o PS e o doutor António Braga, que faço crítica a ele, que enquanto foi secretário das Comunidades não fez nada por Braga, quando esteve cá no Ministério da Cultura, também suspeita-se o que é que ele fez por Braga. Ele disse que a maior reforma cultural ainda existe e que foi ele que a fez. Eu convido o doutor António Braga publicamente a explicá-lo, porque ninguém o consegue entender.
A juventude tem que ter apoio, tem que sustentar-se sobre os jovens. Braga do futuro pertence aos jovens e nós avançamos com esta candidatura porque, acima de tudo, eu digo que Braga tem esperança e existe alguém para Braga. O Partido da Terra vai lutar até ao final para a minha eleição como presidente à Câmara Municipal de Braga.
Nós somos um partido de ambições e temos esta ambição de fazer o melhor resultado de sempre do Partido da Terra aqui em Braga.
Que balanço faz destes 12 anos da coligação Juntos por Braga à frente da Câmara Municipal?
Nos Juntos por Braga eu só encontro o PSD e o CDS. Questiono ao doutor Ricardo Rio que justifique onde é que eles estão e quem é que eles são e se são filiados, tanto no PPM como no Aliança, porque a última foi com o Aliança, mas a anterior foi com o PPM. Convido-o para saber se é filiado, onde é que ele está filiado no PPM, as ligações que ele tem ao PPM e também as ligações que ele tem aos movimentos, ao movimento monárquico que questiono muito.
Como monárquico, não abdico das minhas ideias, de muitos anos que passei no Partido Popular Monárquico. Hoje sou candidato pelo Partido da Terra, onde já faço parte há dois anos. Fui candidato nas Legislativas em 2021, foi quando eu entrei no Partido da Terra, após uma dissidência com o Câmara Pereira, porque nós somos contra e eu sempre fui uma voz contra, se a AD não era a solução, nós não tínhamos que entrar numa solução sem ter soluções nossas dentro de uma coligação.
Ligações são entre todos, juntos não encontro, o doutor João Rodrigues que justifique porque a coligação é a mesma. Onde é que estão os Juntos? Porque não há Juntos. Há o PSD e o CDS, PPM não existe.
Na sua ótica, quais as principais necessidades do concelho? Quais são os principais problemas que Braga enfrenta atualmente e como os pretende resolver?
Um dos problemas maiores é a poluição. Braga tem poluição no Rio Este, tem poluição em rios, afluentes de rios, ligações onde há poluição total, descargas ilegais. Convido também a quem o faz a justificar-se.
O segundo mote são as nossas pessoas. Nós não vamos estar aqui a prometer 100, 200, 10 mil casas, porque é impossível. Qualquer candidato o faz. Eu não vou prometer mil casas modulares quando nós não temos módulos para os fazer e local para os fazer. O nosso projeto para as pessoas é que as pessoas tenham mais direito à habitação, acesso a casas a preços acessíveis através de um maior investimento à BragaHabit, e também um maior investimento até a nível da população adulta, ou seja, alargar-se este desafio da BragaHabit.
Há mais pessoas em carência que necessitam exatamente isso, porque uma pessoa com um ordenado mínimo não pode pagar mil euros de renda. Isto qualquer jovem que vem para Braga viver sofre isso. Eu vim de Lisboa para Braga viver e estou a pagar uma renda que quase supera ao valor que eu recebo por mês e não acho isso correto. Acho que as pessoas têm de ter liberdade de viver porque para isso eu nunca teria saído de Lisboa e ter vindo para aqui, mas eu vim para aqui porque as minhas ligações a Braga são muito convictas, são ligações que vêm do distrito, de eu ser um dos adeptos mais conhecidos do Moreirense e eu sempre disse que quando começasse a minha vida adulta estaria perto do Moreirense. Sendo Braga uma cidade rival do meu clube, foi onde me acolheu e é aqui que eu vivo. As pessoas são a prioridade, sendo jovens, adultos, menos jovens, todas as pessoas têm de falar.
Em terceiro a mobilidade. Estradas com buracos já chega. Nós vamos fazer o maior investimento de sempre da Câmara Municipal de Braga na reestruturação de toda a estrada nacional e de todas as estradas de limitação concelhia porque temos autocarros com mobilidade elétrica que andam a bater em buracos. A mobilidade elétrica vai-se sustentar aos buracos e vamos perder energia. Isso não é bom para o ambiente. Nós temos que reutilizar tudo.
Vamos duplicar a frota dos TUB e garantir os TUB gratuitos para os jovens até aos 30 anos. E porque não a gratuitidade total? Porque o nosso plano é a 4 anos e não a 12, nem aos mandatos futuros que venham por aí. Eu proponho-me a 4 anos e é a 4 anos que eu proponho fazer estas alterações, não a 12.
Caso for eleito, o que pretende mudar no concelho nos próximos quatro anos?
A primeira proposta que eu vou pôr em prática é a municipalização da AGERE, porque acho que as pessoas estão a pagar demasiados impostos para ter o lixo todo na rua e passagens de camiões de dois em dois dias. Isto não faz sentido nenhum. Nós vamos duplicar a frota, tudo reduzido à mobilidade elétrica e duplicar a frota de funcionários, tanto de rua como funcionários para as maquinarias da AGERE.
A segunda proposta será a gratuitidade dos TUB, neste caso, aos 30 anos, sendo logo essa proposta firmada com o Município e também, neste caso, as pessoas mais idosas, tendo um apoio da Câmara para as pessoas que vivem em situações de risco.
Nós não temos GNR em todas as 37 freguesias, temos PSP dentro do concelho e a GNR com a sede no concelho, tudo dentro da área de direção da PSP. Nós propomos o aumento dos quadros policiais porque a segurança também nos preocupa. Não somos pessoas de devolver extremidades, nós somos totalmente contra o extremo, nós queremos a centralidade política e que haja conversa entre todos, porque todos os quadros fazem parte de uma Braga futura.
Quais as propostas do seu partido para os mais jovens?
A gratuitidade dos TUB até aos 30 anos. Vamos oferecer a todos os jovens que são do concelho a gratuitidade das propinas, que são pagas e que ficam participadas pelo concelho, a quem nasceu cá. Quem procura completar o Ensino Superior cá, a Câmara Municipal garante este pagamento na totalidade. Não vamos dar bolsas, porque acho que é muito melhor pagar a totalidade da propina aos alunos e eles estudarem, provarem que estão a estudar e terem notas para isso, para podermos construir uma Braga de futuro. Os jovens, na minha garantia, sendo jovem, aqui vão ter habitação e vamos construir mais habitações nos prédios devolutos, nas casas devolutas, em terrenos que estão em abandono total por pessoas que estão lá fora, pessoas que não querem saber de Braga, pessoas que abandonaram Braga, que herdaram casas em Braga e não sabem onde é que isto fica.
Nós garantimos que isso vai ser tudo devolvido à Câmara e a Câmara vai fazer uma gestão da construção nesses sítios onde já existe possibilidade de construir. O PDM é uma coisa que acho que a discussão pública, agora que foi colocada em aceso, é uma vergonha, porque já deveria ter sido há mais tempo e não no período eleitoral. Doutor Ricardo Rio, é uma vergonha por parte do seu partido fazer isto, e até mesmo o doutor João Rodrigues prometer que já está aprovado o PDM, que há dinheiro vindo do Governo Central, porque não existe descentralização política e isto assusta, não havendo descentralização política, como é que ele pode fazer uma promessa infundada quando não existe essa promessa?
E para os seniores? Existem propostas?
O Partido da Terra é um partido fundado de pessoas que assente muito em todas as funções de idade. Nós temos uma lista assente com muitas pessoas já reformadas porque querem trazer às pessoas mais apoios, porque quem recebe 400 euros de reforma e não tem maneira de sustentar a própria alimentação, não tem que ser a Igreja Católica ou as associações a suportarem isso, tem que ser a Câmara a ter uma empresa municipalizada para isso. Isso é a primeira coisa que vamos fazer, ajudar todas e identificar todas as famílias carenciadas do concelho.
Afirmar que os censos a nível do ordenado de mérito e todas as reformas que sejam vindas de fora, que sejam refletidas nesta avaliação. Não estarmos a atribuir a pessoas que não têm direito porque nós estamos num sítio onde tem muitas reformas vindas do exterior e onde isso indiretamente influencia o salário médio, influenciando o salário médio e influencia também a habitação. Não se torna realístico viver assim.
Os seniores vão ter esse apoio, vão ter a gratuitidade total do passe da CP que nós vamos fazer e vamos garantir que o Município faça adjudicações diretas em relação a isso. Vamos construir uma Braga de futuro e um portal de transparência onde ao minuto seja revertido o que é que é gasto pelo Município.
Que mensagem quer deixar aos eleitores do concelho de Braga?
No dia 12 de outubro os eleitores vão ser chamados a escolher o que é que querem para o futuro. Se queremos propostas misturadas no mesmo “Juntos por…” que até colocam apelidos ao barulho, sendo o nome da terra, isto a mim faz-me um pouco de impressão mas é o que cada um faz nas suas campanhas. Nós, o Partido da Terra, deixamos aqui a garantia de que nós vamos fazer uma política transparente para as pessoas, uma política a pensar nas pessoas, na ecologia, no municipalismo e na descentralização. Uma garantia minha é que Braga vai ter a descentralização política como Lisboa tem. Nós vamos garantir o municipalismo político aqui, que vai ser a primeira cidade de Portugal a conseguir essa adjudicação direta.
Fazemos também aqui um apelo a todas as congregações religiosas, incluindo a Igreja Católica, as Igrejas Pentecostais e toda a congregação de Igrejas Cristãs, de ideologia cristã, que serão ajudadas pelo Município porque todas têm que ser ajudadas de igual modo.
O património cultural será investido, cada vez mais. Iremos suportar grande parte da despesa de reestruturação de obras, de monumentos históricos. Dou essa garantia que Braga vai ser uma cidade do futuro e quem confiar no Partido da Terra no dia 12 de outubro não se vai enganar, porque, tanto para Celeirós como para Braga, vão ter uma diferença na sua vida. O que posso prometer é mesmo isso, porque a minha sinceridade vale mais do que prometer propostas. As pessoas, a natureza, a ecologia são as nossas maiores bandeiras.


