
A apresentação pública do estudo da primeira fase do Metrobus Guimarães–Taipas marcou um momento “relevante” para o futuro da mobilidade no concelho e na região, constituindo o principal motivo da visita de trabalho do ministro das Infraestruturas e Habitação a Guimarães.
A sessão contou com a presença de presidentes de junta, responsáveis das entidades participadas do município, chefias da Câmara Municipal e representantes da comunicação social.
Antes da apresentação, decorreu uma reunião de trabalho entre o ministro e o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, dedicada a vários dossiês estratégicos, entre os quais o projeto e financiamento do Metrobus, a requalificação e transferência de dominialidade da Estrada Nacional 101, o descongestionamento do Nó de Silvares através da ligação entre a variante de Creixomil e a EN 206, a criação de um novo nó de acesso à A11 na zona das Taipas, os acessos ao Hospital Senhora da Oliveira, a requalificação da EN 206 (Guimarães–Famalicão) e o reforço da ligação ferroviária Guimarães–Porto–Lisboa.
A apresentação técnica do estudo esteve a cargo do professor José Mendes, que detalhou um sistema de transporte coletivo de passageiros no modelo Metrobus ou Bus Rapid Transit (BRT), caracterizado por alta capacidade, rapidez, regularidade, pontualidade, conforto e descarbonização.
“O projeto representa um passo significativo no reforço da mobilidade sustentável, assumindo-se como uma solução moderna e ambientalmente responsável, orientada para a redução do uso do automóvel individual, a diminuição das emissões de gases com efeito de estufa e a melhoria da qualidade de vida urbana. O Metrobus permitirá reforçar o transporte público intramunicipal e integrar Guimarães numa rede regional de mobilidade mais eficiente e sustentável, em articulação com a futura alta velocidade ferroviária”, refere a Câmara de Guimarães.
A 1.ª fase do Metrobus (Guimarães–Taipas–AvePark) representa um investimento estimado em 80 milhões de euros, com horizonte de concretização em 2028. A 2.ª fase (Taipas–Braga) está avaliada em cerca de 79 milhões de euros, com conclusão prevista para 2030, permitindo uma ligação estruturante entre Guimarães e Braga no contexto da nova rede de mobilidade regional.
Na sua intervenção, Ricardo Araújo sublinhou que “o Metrobus é um compromisso eleitoral assumido com os vimaranenses e reafirmou a prioridade absoluta do executivo municipal na sua concretização”. “Este foi um projeto muito discutido. Houve o tempo do debate, houve o tempo da decisão, que foi o tempo eleitoral. Hoje é o tempo da ação. Queremos executar este projeto com prioridade e concretizá-lo durante este primeiro mandato”, afirmou.
O presidente da Câmara da Câmara Municipal de Guimarães destacou “a importância do Metrobus para a competitividade, atratividade e coesão territorial do concelho, tanto ao nível das ligações intraconcelhias como da articulação com a futura alta velocidade ferroviária”.
Ricardo Araújo anunciou igualmente que “o Município está em condições de avançar, já na próxima semana, com o estudo prévio, etapa considerada essencial para a execução do projeto. Temos todas as condições técnicas e financeiras para avançar com o estudo prévio, uma fase determinante para que este projeto se torne realidade”.
Transferência da EN 101 como condição essencial
Outro dos pontos centrais abordados foi “a necessidade de transferência da dominialidade da Estrada Nacional 101 para a esfera municipal, condição considerada indispensável para a concretização do projeto”. “Vamos iniciar, já na próxima semana, as comunicações formais necessárias para solicitar a alteração da dominialidade da EN 101 para o município”, revelou Ricardo Araújo.
Na sua intervenção, Miguel Pinto Luz manifestou “total alinhamento” entre a visão do Governo e a estratégia da Câmara Municipal de Guimarães, enquadrando o Metrobus num “investimento nacional mais amplo associado à alta velocidade ferroviária”.
“A alta velocidade não existe em Portugal se não formos capazes de lançar redes de metrobus que a sirvam. É essencial garantir sistemas de mobilidade capazes de trazer procura para as estações de alta velocidade”, afirmou.
O ministro garantiu que “o Governo está a ultimar os mecanismos de financiamento do projeto, quer através do Orçamento do Estado, quer através do Fundo Ambiental, considerando-o parte integrante do maior investimento público em infraestruturas das últimas décadas”.
Miguel Pinto Luz confirmou ainda “o compromisso do Governo em viabilizar a transferência da dominialidade da EN 101, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 100”, destacando “a existência de instrumentos legais que permitem maior agilidade neste processo”.
Durante a visita foram igualmente discutidos vários investimentos rodoviários prioritários para o concelho, com destaque para o tramo de ligação entre a variante de Creixomil e a EN 206, obra considerada “essencial para o descongestionamento do Nó de Silvares e que poderá finalmente avançar”.
No plano ferroviário, o ministro reconheceu “as limitações atuais da ligação ferroviária a Guimarães” e assumiu “o compromisso de trabalhar com a CP no reforço da oferta de serviços Intercidades, melhorando a ligação da cidade ao Porto e a Lisboa”.


