
Uma família residente na Rua da Calçada Romana, n.º 37, na freguesia de Adaúfe, em Braga, encontra-se sem iluminação pública e acessos à habitação.
Segundo os residentes, o único acesso público a esta moradia é uma calçada em pedra, que tem danificado as suas viaturas.

De acordo com Mafalda Fernandes, que está grávida de oito meses, a antiga proprietária da habitação chegou a pedir uma ambulância numa situação de emergência, mas os socorristas tiveram de levá-la por um caminho de terra privado para poderem socorrê-la.

“Tenho uma filha de sete anos e estou grávida de quase oito meses. Vivo aqui com o meu marido e a minha mãe, que tem uma incapacidade de 95%. Não existe uma estrada segura e acessível para vir cá uma ambulância. Fizemos um pedido por e-mail à Junta de Freguesia de Adaúfe que, por sua vez, referiu ter encaminhado o pedido à Câmara Municipal de Braga. Esse pedido foi efetuado no início deste ano, mas até ao momento não obtivemos resposta se iríamos ter um caminho ou iluminação pública”, contou Mafalda Fernandes.

A bracarense disse ainda que o carteiro também não se desloca até à sua casa para efetuar as entregas das cartas e que o correio “fica num senhor que tem numa loja de motas”. A moradora salientou que existe outro acesso, mas que se trata de “um caminho particular de terra, cheio de buracos e na subida o carro derrapa”.
“Tanto pela calçada, como pelo caminho privado, não há acesso seguro até à nossa casa. A construção desta moradia é datada de 1950 e foi acrescentado um andar de cima em 1980. Pago IMI, a casa está legal e tenho toda a documentação. O que eu apelo é que se faça um caminho acessível para poder vir aqui uma ambulância ou até os bombeiros. Eu também tive que comprar um carro apropriado para poder circular aqui na calçada porque a minha outra viatura ficou estragada. O meu marido teve de comprar uma moto 4 para poder andar aqui e a minha tia que virá morar para o rés-do-chão teve de comprar um carro apropriado para poder vir até à moradia porque não nos dão respostas”, lamentou.
Mafalda Fernandes acrescentou que a calçada romana é utilizada pelos peregrinos e que uma vez quase atropelou uma pessoa “porque a iluminação não existe”.

“Apelo também à segurança do muro da Quinta da Cedofeita que está em ruínas e está a cair a cada dia que passa para o lado de fora da calçada, que é o caminho que nós utilizamos para poder vir à nossa casa, único acesso que temos e que também põe em causa a segurança de quem por lá passa a pé. A falta de segurança é também para quem anda aqui na calçada. Há também gente a passear os animais, gente a fazer motocross e andar de bicicleta. Pode parecer um caminho insignificante mas não é porque passa aqui muita gente”, reforçou a moradora.
A Braga TV contactou Abel Bruno, presidente da Junta de Freguesia de Adaúfe, que, por sua vez, afirmou que a rua “nunca teve luz pública” e, após ser contactado pela moradora, “o mesmo pedido foi efetuado ao Município de Braga, aguardando uma resposta”.
Em relação à calçada romana, o autarca referiu que “se trata de uma rua classificada como Geira Romana, pelo que não são permitidas grandes intervenções, apenas limpezas”.


