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Falta de alojamento para estudantes da Universidade do Minho preocupa CDS Braga

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A Comissão Política da Concelhia de Braga do CDS reuniu com Rui Vieira de Castro, reitor da Universidade do Minho, com o intuito de conhecer a forma como o meio académico se adaptou ao contexto atual de pandemia e como se avizinha o próximo ano na academia minhota.

O encontro teve como principais pontos de abordagem o formato de gestão curricular face ao contexto pandémico; a metodologia adotada para a testagem de professores, funcionários e alunos; o impacto (a médio prazo) da pandemia para o meio académico; a problemática associada à falta de alojamento para estudantes; os níveis de abandono no ensino universitário, entre outros assuntos.

Nas palavras de Altino Bessa, presidente da Concelhia do CDS Braga e vereador municipal, “a Universidade do Minho tem um impacto bastante significativo na vida da cidade, sendo já um dos principais polos académicos do país. Para além de figurar como uma das universidades mais bem avaliadas no panorama académico mundial, tem formado investigadores de mérito em áreas como a Economia, a Ciência, as Ciências humanas, a Medicina, a Educação. Nos últimos anos, a Universidade do Minho tem sido notícia no que se refere ao reconhecimento científico de muitos dos seus alunos. Potenciadora de grandes investigadores que contribuem para o desenvolvimento dos vários eixos da sociedade, é já uma das universidades mais procuradas entre a comunidade estrangeira”.

“Os programas ERASMUS, o acolhimento de alunos estrangeiros e o intercâmbio entre universidades têm permitido também a otimização do turismo da cidade a partir da universidade. Se há uns anos se dizia que a academia estava afastada do centro nevrálgico de Braga, hoje a realidade é outra. A Universidade do Minho e o centro da cidade aproximam-se e complementam-se na partilha de serviços, de experiências, de ações. Sente-se cada vez mais uma ligação estreita entre a vida académica e o quotidiano da cidade”, disse o centrista.

Perante as questões elencadas pela concelhia do CDS, Rui Vieira de Castro referiu que “as relações institucionais com entidades do sistema político são fundamentais para que a Universidade do Minho possa prosseguir a sua missão, esperando da Administração Geral uma atenção especial”.

No que concerne às relações entre a Universidade do Minho e a Câmara Municipal de Braga, o reitor ressalta que “esta relação tem já 50 anos. A Universidade do Minho tem em Braga o seu polo principal que representa 2/3 da academia. Podemos afirmar que a Universidade do Minho tem, na cidade, um impacto económico e social bastante substancial. Devo salientar que as relações entre as duas instituições melhoraram significativamente desde que o atual executivo assumiu funções na medida em que passou a haver mais disponibilidade do município para fomentar esta relação. Todavia, há sempre espaço para fortalecer as relações que são já de salutar. Considero ainda que temos uma ligação quase única no país entre município e universidade. Vejo com muito agrado o caminho que está a ser seguido”.

No que se prende com o alojamento no ensino superior e após questionado por Altino Bessa, o reitor da principal instituição académica do Minho alude que esta, no momento, “não é, de todo, uma situação animadora e/ou confortável”. “Na Universidade do Minho temos vinte mil estudantes. Doze mil estão na fase ‘licenciatura’. Destes doze mil, cerca de seis mil são bolseiros. Este apresenta-se como um aspeto de debilidade socioeconómica e sociocultural. De referir também que, na hora de definir a continuidade no curso, o fator ‘custos da habitação/quarto’ tem um enorme peso contribuindo, assim, para o abandono do ensino superior”.

Altino Bessa questionou o papel que a estrutura governamental tem tido na resolução desta problemática. Rui Vieira de Castro observou que “o programa nacional que o Governo lavrou para a vertente alojamento foi um fracasso. Não aconteceu nada. A única coisa que passou ao efetivo foi a identificação de edifícios com potencialidade para o efeito. Com a discussão do PRR, voltou a colocar-se esta problemática em cima da mesa. A verdade é que neste momento, a Universidade do Minho dispõe de mil e duzentas camas e precisamos de mais seiscentas para oferecer uma resposta adequada aos estudantes. A capacidade de resposta para alunos ERASMUS, por exemplo, é diminuta. Sabemos que o alojamento se confirma também como um fator importante para a competitividade. Se não existir oferta de alojamento adequada os alunos, não se irão instalar na universidade. Esta evidência prejudica muito a mobilidade de estudantes. Considero que a problemática do alojamento é um desafio nacional para as instituições universitárias”.

Nesta linha de raciocínio, ressaltou que existe um conjunto de edifícios identificados para o efeito, mas ainda não há certezas quanto há viabilidade destes. “Neste momento este é, provavelmente, o projeto mais desafiante que temos pela frente”, acrescentou.

Relativamente a esta temática, ficou patente que o Governo “não se compromete a ceder a antiga escola Luís de Castro à universidade”. Altino Bessa salienta que “o edifício da antiga escola Luís de Castro podia ser a solução para a problemática do alojamento. Todavia, há uma inoperância e inércia da estrutura governamental que não se compreende”.

Outras soluções elencadas para receber a nova residência académica seriam o antigo edifício da DRN, a quinta da antiga Estação Agrária, um terreno localizado ao lado da Unidade de Saúde Pública com localização muito próxima do campus, entre outras.

Nas palavras de Altino Bessa, “o Governo não toma decisões. Arrasta assuntos de resolução premente ad eternum. O não desbloqueio da antiga escola Luís de Castro é a prova de que a estrutura governamental prefere deixar o património ao abandono do que apostar na sua recuperação para usufruto da população. Trata-se de uma questão de teor social que tarda a ser solucionada devido à já muito conhecida parcimónia deste Governo”.

Uma das hipóteses colocadas pelo reitor para ver concretizada a ansiada residência académica seria a antiga Fábrica Confiança. “Este edifício está próximo da universidade e facilitaria muito a mobilidade dos alunos, reunindo todas as necessidades pretendidas na concretização deste projeto”, afirmou Rui Vieira de Castro.

No que se refere ao programa de testagem de alunos, professores e pessoal não docente na academia minhota, o reitor mostra-se “satisfeito” com a adesão. “Foram realizados três mil testes à Covid-19 e houve apenas um caso positivo. A adesão dos alunos à testagem foi muito positiva. No entanto, voltaram a verificar-se casos positivos no seio de alguns grupos de alunos. Esta situação poderá levar à necessidade de nova testagem, apesar da estratégia ainda não se encontrar totalmente definida”, realçou o reitor.

Altino Bessa conclui o encontro, enaltecendo a “relação estreita e saudável” do município com a universidade. “Temos consciência de que o alojamento é, neste momento, a maior problemática para o ensino superior. Como tal, deve ser desenvolvido um trabalho que envolva sinergias para solucionar uma questão que terá um efeito extremamente impactante para a cidade no seu todo”, disse, findando com um voto de louvor ao “trabalho realizado pela Universidade do Minho que em muito tem contribuído para o profícuo desenvolvimento do espaço económico, social e cultural de Braga”.

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