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Esta é a luta que vos pariu

Rafael Pinto © PAN

No dia 8 de março voltou a celebrar-se a Greve Feminista Internacional. Um movimento que pugna pela igualdade de género e levou centenas de pessoas à rua no concelho de Braga e milhares em todo o país.

Os críticos destas manifestações e movimentos têm sempre pronta a pergunta “O que querem mais?”, acreditando que esta é uma causa do passado e os avanços das últimas décadas foram suficientes.

Não poderiam estar mais errados e os factos provam isso mesmo. Segundo o Global Gender Gap Index, que avalia a igualdade política, económica, na saúde e educação, a este ritmo, faltam cerca de 135 anos para conseguirmos atingir este direito humano básico. Valor que piorou com a pandemia. Isto quer dizer que quem está a ler este artigo poderá nunca viver num mundo verdadeiramente igualitário.

Segundo o mesmo ranking, até 2021, nenhum país no mundo conseguiu garantir este direito de uma forma plena. Em Portugal, estamos acima da média mundial, mas ainda assim podem faltar cerca de 30 anos até que as mulheres sejam reconhecidas como “iguais aos homens”. E isto não é nada fácil de escrever, ler ou ouvir.

Começando pela desigualdade salarial, em Portugal as mulheres recebem, em média, menos 11% do que os homens. Este valor torna-se ainda mais relevante quando temos em conta o trabalho não pago, nomeadamente as tarefas domésticas e cuidados prestados a dependentes que as portuguesas realizam durante aproximadamente 6 horas por dia. De acordo com um estudo de 2019 da Fundação Francisco Manuel dos Santos, as mulheres suportam mais do triplo de trabalho que o companheiro (74%), enquanto o homem com quem vivem está responsável por 23% dos afazeres. Ao ritmo que, na última geração, evoluiu a contribuição do homem para a execução das tarefas domésticas, faltam entre cinco e seis gerações para que se igualem as posições.

Também a participação ativa das mulheres na sociedade, no que toca à política, continua muito aquém da paridade. Apenas 1 em cada 10 presidentes de Câmara é mulher e só 37% dos lugares da Assembleia de República são ocupados por mulheres. Isto, apesar da obrigatoriedade de paridade nas listas candidatas, o que sinaliza que o problema não será o número de candidatas, mas sim a importância que lhes dão nas respetivas listas. Olhando para a história da nossa democracia, apenas contamos 5 mulheres à frente de partidos.

Para além disto, e como afirmava um cartaz na manifestação em Braga, ser mulher é um fator de risco. Um fator de risco para ser vítima de violência doméstica ou de crimes sexuais já que estas representam 80% e 90% dos casos, respetivamente.

Assim, os factos provam que na rua não deveríamos ser milhares, mas sim milhões a lutar por uma sistema justo, a exigir mudanças políticas e ideológicas numa sociedade e num país que ainda faz juízos de valor de acordo com o género. Por toda a humanidade, por todas as mulheres, pelas nossas esposas, namoradas, filhas, avós, netas, tias, primas, amigas, conhecidas e claro, como esta é a causa que nos pariu,pelas nossas mães.

Artigo de opinião de Rafael Pinto do PAN.

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