Enfermeiros infetados no trabalho com coronavírus sofrem cortes nas remunerações
Segunda-feira , Outubro 19 2020 Periodicidade Diária nº 2609
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Enfermeiros infetados no trabalho com coronavírus sofrem cortes nas remunerações

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A Ordem dos Enfermeiros (OE) denunciou hoje que os enfermeiros que foram infetados no trabalho com coronavírus estão a sofrer cortes significativos ou com ausência de remuneração.

“Nas últimas 24 horas, a Ordem dos Enfermeiros foi confrontada com uma situação inadmissível, que não pode deixar de repudiar e denunciar, exigindo medidas urgentes ao Ministério da Saúde e ao Ministério do Trabalho. Enfermeiros de todo o país, que foram infetados com Covid-19 no exercício de funções, foram confrontados com a ausência de remuneração ou cortes significativos”, explica a Ordem dos Enfermeiros.

A OE relembra que no passado dia 27 de abril enviou um ofício aos dois Ministérios a alertar para esta situação, sublinhando que “não reconhecer formalmente a Covid-19 como doença profissional, fazendo depender a sua caracterização de nexo causal exigível para as restantes doenças, é manifestamente injusto, oneroso e desumano para todos aqueles que asseguram cuidados de Saúde, em particular em fase de emergência de saúde pública internacional”.

A Ordem adiante que recebeu exposições de vários enfermeiros que, testando positivo há mais de 50 dias, não têm qualquer fonte de rendimento ou de proteção, onde dá como exemplo um casal de enfermeiros, em que cada um recebeu este mês apenas 60 euros de remuneração, referentes a horas realizadas em meses anteriores.

“O mínimo exigível é que as instituições salvaguardem os vencimentos dos profissionais infetados a 100%, face ao enorme esforço que lhes é exigido, uma vez que estamos perante uma dupla penalização: Enfermeiros que sofrem pela doença e agora com cortes nos seus rendimentos. A possibilidade de virem a receber, futuramente, 65% ou 70% do seu vencimento não acautela presentemente a sua sobrevivência e das suas famílias”, defende a OE.

Luís Barreira, vice-presidente da OE, defende que “está em causa a sobrevivência da nossa única linha de defesa, aqueles que cuidam da vida de todos nós. É desumano, vergonhoso e inaceitável”.

Desde o início da pandemia, morreram 1.289 pessoas em Portugal de Covid-19. Há atualmente 30.200 casos confirmados.

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