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Elevador do Bom Jesus de Braga passa a integrar rede nacional de Turismo Industrial

© Confraria do Santuário do Bom Jesus do Monte

O elevador do Bom Jesus de Braga passa a integrar a rede nacional de Turismo Industrial. Foi durante o congresso da ERIH – Rede Europeia de Turismo Industrial, realizado na Oliva Creative Factory, em São João da Madeira, que o Município, a Confraria do Bom Jesus do Monte e o Turismo do Porto e Norte, rubricaram um acordo de colaboração para integrar a rede nacional e dinamizar o turismo industrial no concelho, acompanhando um vasto número de empresas e instituições ligadas à defesa e divulgação do património e história da indústria.

O elevador do Bom Jesus, que é um dos grandes símbolos bracarenses e forte atrativo turístico, passa a integrar esta rede de turismo industrial, assumindo-se como uma máquina única de engenharia e mecânica que preserva e divulga a memória industrial de Braga e da região.

“Com esta adesão, assumimos o nosso compromisso de incorporar esta rede para reforçarmos a atratividade de Braga, mas estamos já a trabalhar com mais parceiros para reforçarmos este tipo de oferta, pois o turista atual valoriza cada vez mais as experiências autênticas e descobertas originais”, explicou António Barroso, que representou a Câmara Municipal neste evento, sublinhando que estas iniciativas são também muito relevantes para a “preservação da memória e do património”.

Segundo o responsável, “é necessário colocar estas iniciativas na agenda dos nossos habitantes e principalmente das novas gerações para que conheçam e descubram as riquezas da indústria nacional, quer seja ainda em fabrico quer em museus ou até desfrutando em viagens como é a distinta subida e descida no nosso acarinhado elevador que só é o mais antigo do mundo movido a água”.

Já Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte, afirmou que, com as novas adesões, esta região turística “destaca-se claramente no país como o território que detém mais projetos de Turismo Industrial devidamente chancelados no âmbito da estratégia nacional. Em termos práticos, a rede passa assim a integrar mais de 100 projetos, o que representa mais de 50% da oferta de todo o território português”.

Elevador do Bom Jesus: uma pérola de Braga

Deve-se ao empresário bracarense do século XIX, Manuel Joaquim Gomes (1840-1894), a iniciativa de construir-se o Elevador do Bom Jesus do Monte, em Braga, da autoria de Nikolaus Riggenbach e de Raul Mesnier, cujos trabalhos viram-se concluídos em 1882, ano da sua inauguração. Constitui, assim, o primeiro funicular construído na Península Ibérica.

O Elevador do Bom Jesus é um elevador funicular assente sobre plano inclinado, e é composto de duas cabinas que se movem sobre carris ligadas entre si por um cabo. Servindo de contrapeso uma a outra, as duas cabinas sobem e descem alternada e simultaneamente ao longo de duas vias paralelas num percurso de cerca de 274 metros. Cada cabina tem capacidade para trinta e nove pessoas, incluindo o condutor.

Revelando-se o segundo funicular projetado por Nikolaus Riggenbach, o Elevador do Bom Jesus do Monte é atualmente o único em funcionamento, o que, por si só, é bem revelador da sua importância no panorama mundial dos funiculares de contrapeso de água, dos quais, o mais recente, data de 1992. Além disso, representa um valioso testemunho da atividade encetada por Raul Mesnier de Ponsard, engenheiro português de ascendência francesa, especialista em engenharia mecânica, e que, após a conclusão deste Elevador, envolveu-se na construção dos elevadores lisboetas do Lavra, da Glória e de Santa Justa.

Varico Pereira, que representou a Confraria do Bom Jesus do Monte, referiu que o Elevador do Bom Jesus “é uma obra prima do património industrial, única no mundo e, por esta razão, parte integrante do património da UNESCO. Um autêntico museu vivo que proporciona uma experiência única a quem nele viaja”.

“Decidimos entrar nesta rede, porque é justo reconhecer e valorizar um meio de transporte único no mundo, que celebrou 140 anos de existência. Estamos perante uma referência de imaginário muito presente em milhares de pessoas que viajaram no Elevador na sua infância ou em algum momento da sua vida. É nossa intenção reforçar a imagem do Elevador não apenas como museu vivo, mas também motivo de estudo e investigação. Por um lado, o convite a comunidades escolares permitirá apresentar o Elevador num contexto de educação não formal, fugindo à rotina diária da sala de aula, motivando os alunos para a valorização de um meio de transporte histórico e sustentável, por outro, a possibilidade de outros públicos poderem também aceder a esta oferta de visita poderá proporcionar à comunidade a apresentação do Elevador numa perspetiva menos conhecida, mostrando o seu sistema de funcionamento e os elementos técnicos associados”, disse Varico Pereira.

“Assim, procuraremos aprofundar a ligação com os visitantes em torno do conhecimento, salvaguarda e valorização deste bem inestimável, que evidencia o papel e os novos desafios que uma obra prima da engenharia e símbolo do património industrial podem fazer emergir no presente, mas também em vista do futuro”, finalizou.

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