OpiniãoEleições Autárquicas: Leituras e Desafios

Eleições Autárquicas: Leituras e Desafios

Artigo de Jorge André Silva.

© Jorge André Silva

Chamados a eleger os novos órgãos locais, os bracarenses responderam à chamada e mostraram que se interessam pelos destinos da autarquia.

João Rodrigues foi o eleito para liderar os destinos da Câmara nos próximos 4 anos, sucedendo a Ricardo Rio.

A verdade é que os bracarenses acabaram de dar uma espécie de cartão amarelo à coligação, não lhe concedendo a maioria para governar.

Olhando para os resultados, podemos concluir que o grande vencedor da noite foi o independente Ricardo Silva. Não só conseguiu manter na posse do seu movimento a maior junta de freguesia, como conquistou outra, elegeu em praticamente todas as freguesias em que concorreu e, mais do que isso, conseguiu eleger 3 vereadores, tal como a Coligação Juntos por Braga e o PS.

Mesmo não tendo maioria, João Rodrigues foi o vencedor da noite.

Conseguiu a vitória apesar de todo o desgaste que se tem vindo a demonstrar, as várias notícias a ele associadas e a uma sucessão difícil de Ricardo Rio.

O Partido Socialista, nomeadamente António Braga, foi o derrotado da noite.

Não conseguiu capitalizar o voto dos descontentes, passar a mensagem e transmitir confiança. Foi um erro e um péssimo sinal de falta de sentido democrático o Partido Socialista não ter feito qualquer declaração na noite eleitoral.

Será importante perceber o que fará António Braga daqui para a frente. Assumirá o lugar de vereador? Abandonará novamente a política ativa? Para quem quer liderar os destinos da autarquia e para um Partido que se afirma democraticamente maduro, estas questões já deveriam ter sido esclarecidas.

A ética e a transparência são fundamentais para a credibilidade.

Bloco de Esquerda e CDU saem também derrotados da noite eleitoral.

O Bloco de Esquerda perdeu a representação na Assembleia Municipal e a CDU não conseguiu eleger um vereador.

O cenário governativo é imprevisível, complexo e muito difícil.

João Rodrigues está obrigado a negociar para conseguir a estabilidade que lhe permita governar e, assim, levar a cabo o seu projeto para a cidade e os bracarenses.

Independentemente das linhas vermelhas que possam vir a ser traçadas, parece-me essencial que se procure obter um diálogo alargado e se tente alcançar consensos o mais longínquo possível.

Tendo a coligação mantido a autarquia em seu poder, é importante que os novos intervenientes percebam que há um sentimento de desgaste, de estagnação e de necessidade de mudança.

Os bracarenses ao não darem a maioria, dão um sinal de que confiam na liderança de João Rodrigues, mas que é necessário que o próprio mostre ser capaz de ser dinâmico, de apresentar soluções para os problemas da cidade, ser visionário e que o mesmo consiga trazer um ar fresco à governação.

Há algumas prioridades que considero serem importantes traçar como objetivos a curto e médio prazo. Discutir a mobilidade, habitação, descentralização de competências, reorganização do sistema de limpeza, saúde e educação.

Podemos também concluir que os eleitores exigem mais do Partido Socialista e do Movimento Amar e Servir Braga.

Da oposição espera-se sentido de responsabilidade e não uma força de bloqueio.

É necessário que todos os intervenientes percebam que ninguém fica a ganhar com bloqueios, mas sim com a construção de consensos, alternativas credíveis, seriedade, transparência e demonstração de maturidade democrática.

O futuro governativo é incerto, mas o que não pode deixar de ser adquirido é o sentido de responsabilidade e bom senso na governação e na oposição.

Que nos próximos 4 anos, tanto o executivo como a oposição sejam responsáveis e maduros democraticamente. É isso que os bracarenses desejam e esperam dos intervenientes políticos.

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