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Em Braga, uma passadeira obriga os peões a fazer um verdadeiro percurso de obstáculos

© Mário Relvas

Treze anos após os primeiros alertas, uma passadeira localizada na Avenida Antero de Quental, em frente à Pastelaria Braga Parque, na freguesia de São Victor, continua a apresentar obstáculos que dificultam a travessia de peões, em particular de pessoas com mobilidade reduzida, utilizadores de cadeiras de rodas e pais com carrinhos de bebé.

O caso volta agora a ser denunciado por Mário Relvas, que afirma ter alertado sucessivamente as entidades competentes, sem que tenha sido efetuada qualquer intervenção. “Tenho conhecimento desta situação há cerca de 13 anos. Ao longo desse período fui fazendo sucessivos alertas, quer na imprensa local, quer na nacional, sempre acompanhados de fotografias. Também enviei correios eletrónicos para a então Junta de Freguesia de São Victor e para a Câmara Municipal de Braga. Infelizmente, todos esses avisos foram olimpicamente ignorados”, lamenta.

Segundo o denunciante, o problema mantém-se exatamente como há mais de uma década, obrigando os peões a contornar um separador central, um poste de iluminação e a sinalização de trânsito para conseguirem atravessar a via.

Mário Relvas recorda ainda que, na altura, a responsabilidade pela intervenção foi alvo de um “jogo de empurra” entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Braga. “O então presidente da Junta de Freguesia descartava responsabilidades, remetendo a competência para a Câmara Municipal. A Câmara, por sua vez, limitava-se a olhar para o lado.”

Para o cidadão, trata-se de um exemplo da falta de prioridade dada à acessibilidade no espaço público. “Tudo o que fiz foi pelo bem comum. Nunca procurei protagonismo, apenas que fosse corrigida uma situação que coloca dificuldades a quem anda a pé, sobretudo às pessoas com mobilidade condicionada.”

Apesar da indignação, garante que tem procurado manter um discurso moderado. “Sou um homem sereno e educado, mas perante este jogo de empurra burocrático que dura há mais de uma década, confesso que a tentação de chamar os bois pelos nomes é grande. Contenho-me em nome do civismo que exijo aos outros.”

Mário Relvas deixa ainda uma crítica às prioridades dos responsáveis políticos. “É curioso verificar que, para resolver problemas básicos de acessibilidade, faltam sempre verbas ou competências. Já para festas e eventos, os recursos aparecem num piscar de olhos.”

Treze anos depois dos primeiros alertas, a passadeira continua por adaptar, mantendo-se um obstáculo para quem deveria poder utilizá-la em segurança e sem barreiras.

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