OpiniãoDia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento

Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento

Artigo de Paula Silva, natural de Dume e residente na União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe, membro da Assembleia de Freguesias de Dume entre 2009 e 2013, e membro da Assembleia da União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe entre 2013 e 2021.

© Paula Silva

O Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, criado pela UNESCO, assinala-se a 21 de maio com o objetivo de promover o respeito entre os povos, valorizar a diversidade cultural e reforçar a importância do diálogo como instrumento de paz, inclusão social e desenvolvimento sustentável.

Mais do que uma efeméride internacional, esta data convida-nos a reflectir sobre o verdadeiro papel da cultura na sociedade contemporânea. Falar de diversidade cultural não é apenas defender tradições ou património; é reconhecer aquilo que une as comunidades através da memória coletiva, da identidade, da língua, das artes e, sobretudo, das pessoas.

Sendo natural de Braga e de Dume, locais profundamente marcados pela história e pela herança cultural, cresci com a consciência de que a cultura não é apenas um elemento decorativo da sociedade. A cultura é um instrumento de construção humana, de coesão social e de cidadania.

Em Braga, cidade onde o património histórico convive diariamente com a dinâmica associativa, a cultura continua a desempenhar um papel essencial na vida da comunidade. As associações culturais, recreativas e desportivas locais são disso exemplo evidente. Maioritariamente sustentadas pelo voluntariado, pela dedicação e pelo espírito de missão dos seus membros, estas colectividades mantêm vivas tradições, dinamizam iniciativas, promovem o debate e aproximam gerações.

Ao longo do percurso associativo, compreendi que a valorização das raízes locais não entra em conflito com a abertura ao mundo. Pelo contrário: quanto melhor conhecemos a nossa identidade, maior é a capacidade de respeitar e acolher a diversidade dos outros.

Num tempo marcado pela polarização social, pelos radicalismos e pela crescente uniformização cultural associada ao consumo digital imediato, torna-se cada vez mais necessário defender espaços de participação, diálogo e partilha cultural. A diversidade cultural não deve ser encarada como ameaça, mas sim como uma riqueza colectiva capaz de fortalecer sociedades mais criativas, equilibradas e humanas.

O movimento associativo continua, por isso, a assumir um papel insubstituível nas comunidades locais e permanece como um dos maiores pilares da participação cívica e cultural. É nestes espaços de proximidade que se preserva a memória local, se promove a educação cultural e se incentiva o encontro entre diferentes perspectivas e sensibilidades. É também aí que se constrói um verdadeiro sentido de pertença comunitária.

Importa recordar que não existe verdadeiro desenvolvimento sem cultura. O progresso de uma sociedade não se mede apenas por indicadores económicos, mas também pela sua capacidade de preservar a identidade, respeitar a diferença e construir pontes entre pessoas e comunidades.

No Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, torna-se essencial reconhecer que defender a cultura é defender a dignidade humana, a liberdade de expressão e a memória colectiva. É investir numa sociedade mais consciente, mais tolerante e mais preparada para enfrentar os desafios do futuro sem perder as suas raízes.

Mais do que nunca, precisamos de cultura para criar diálogo e de diálogo para construir desenvolvimento.

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