OpiniãoDas Redes às Ruas

Das Redes às Ruas

Artigo de João Rodrigues.

© João Rodrigues

As redes sociais têm vindo a alterar drasticamente o estado das coisas, ou melhor, o status quo em qualquer parte do mundo. Ora, hodiernamente, as redes sociais consideram-se autênticas plataformas de comunicação ou, numa fórmula mais feliz, de cunho pessoal, “estradas secundárias de acesso a informações, conteúdos e posts”. Com até alguma indesejada frequência, não longe do habitual, há comentários disfarçados de insultos; burlas; exposição de conteúdo ilegal e indevido e, entre tantas outras, é o espaço privilegiado dos crimes de falsidade informática . Felizmente, há uma maio r conscientização para os perigos destes espaços, avultando-se numa maior regulação destas plataformas. A uma distância de um clique, mandamos mensagens aos nossos amigos/conhecidos, partilhamos reels, memes, etc.

Ademais, é raro, pese embora uma minoria resistente, encontrar quem não tenha um perfil nas redes sociais. Mas, qual seria o possível sentido e o alcance de uma proibição legal de redes socias? Num caso mais próximo ao nosso, no Brasil, por ordem judicial, a rede social “X” já foi alvo de suspensão em todo o seu território nacional, numa fase, por conta do incumprimento de ordens judiciais brasileiras de bloqueios de perfis nessa mesma rede, inicialmente. Ora, mas como seria se por ordem do Governo a proibição abrangesse 26 redes sociais?

Eis o caso nepalês. Graças à discussão acesa nas redes sociais, principalmente, alegadamente, entre os mais jovens de questões sociais como: a corrupção, o desemprego, a economia e a amiúde de críticas à desigualdade da vida “postada” dos “nepo babys” que em muito se opõem a de milhares de jovens nepaleses, o Governo nepalês decidiu proibir 26 redes sociais de operarem no Nepal, porquanto esta redes não tinham cumprido exigências legais como a de não registo e não supervisão dos conteúdos destas por entes governamentais. Certamente, esta proibição, como se testemunha em redes sociais como o Tiktok, acendeu um rastrilho em toda a população cominando na implosão da própria ordem social, despoletando uma onda de protestos violentos por todo o país.

Em virtude disso, os protestos estão a ser marcados por mortes, feridos, confrontos com a polícia, agitação social, protestos e até pelo incêndio ao Parlamento do Nepal. O descontentamento com a corrupção, a falta de oportunidades no país e com o estado das coisas, acicatados pela proibição de redes sociais, tem nestes dias surpreendido, dada a magnitude dos eventos, a imprensa internacional.

Posto isto, a ilação que se retira é a supressão da expressão popular, com a tentativa enviesada de controlar a opinião pública, em plataformas de comunicação como as redes sociais, não resolvem os problemas, não dirime os problemas, aliás ganha sempre outros contornos mais violentos.

Artigo de João Rodrigues.

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