
O Clube Slot de Braga recebeu, no fim de semana, a corrida comemorativa que celebrou meio século de história de slot racing, reunindo pilotos e entusiastas unidos por uma paixão comum que atravessa gerações.
Segundo Jorge Reis, associado do Clube Slot de Braga, “a manhã de sábado arrancou com a azáfama de sempre. Entre afinações de última hora, testes intensivos e conversas animadas, cada detalhe era cuidadosamente preparado. O som dos carros a rasgar a pista misturava-se com a expectativa no ar. No fim da manhã decorreram as verificações técnicas, conduzidas com profissionalismo por Paulo Mendes e Raul Pinto, garantindo que todas as máquinas cumpriam os requisitos antes de serem colocadas em parque fechado. Infelizmente, nem todas as equipas notaram que nos regulamentos técnicos era obrigatória a instalação de inserts nas jantes, mas a direção do clube considerou ser esse um erro menor que não afetaria o rendimento dos carros, e esse ponto foi deixado de lado, para não prejudicar nenhuma equipa”.
Nas instalações do clube ecoaram os parabéns pelos 50 anos. Um dos momentos mais marcantes da celebração foi protagonizado pelo presidente, António Bernardino, emocionado por esta data histórica, entre recordações que remontam aos anos 70, quando o Clube Slot de Braga dava os seus primeiros passos numa pequena pista Polistil montada no sótão da sua casa, com carros como o Wolf de Jody Scheckter e o Ferrari de Niki Lauda. Os pilotos sentavam-se em caixas de fruta de madeira durante horas.
António Bernardino fez questão de enaltecer “todos aqueles que, ao longo das décadas, ajudaram a manter viva esta chama”. Num gesto de homenagem, pediu ainda um minuto de silêncio por João Nuno, Nuno Silva, Sérgio Neves e Manuel Boticas, que já partiram, “mas cuja memória permanecerá para sempre ligada à alma do clube”.
Posteriromente, 34 pilotos, organizados em 12 equipas, alinharam-se na pista para uma prova de resistência, onde cada segundo contou e cada erro podia ser decisivo. “Foi um confronto intenso, não apenas de velocidade, mas de visões, experiências e formas de estar na modalidade. Emoção, competitividade e um forte espírito de equipa marcaram cada volta, num ambiente onde a tensão se fazia sentir tanto quanto o entusiasmo”, sublinha Jorge Reis.
“Curiosamente, o resultado final acabou por ser secundário perante a riqueza do que se viveu em pista. De um lado, equipas altamente experientes, metódicas e quase cirúrgicas na sua abordagem à corrida. Do outro lado equipas compostas por pilotos muito jovens, alguns a darem os seus primeiros passos em pistas de velocidade e trazendo consigo a irreverência e ousadia de quem vem do mundo dos ralis. Entre a disciplina e a espontaneidade, entre a experiência e a descoberta, desenrolou-se um verdadeiro duelo de gerações e estilos. Também as máquinas em pista refletiam esse contraste fascinante. Havia carros carregados de história, marcados pelas inúmeras cicatrizes nas carrocerias de muitas corridas já realizadas, verdadeiros veteranos que pareciam contar histórias a cada passagem. Em oposição, surgiam protótipos recém-nascidos, em que os pneus mal tinham tocado a pista e que pela primeira vez sentiam o asfalto e enfrentavam o desconhecido”, acrescenta o associado.
A diversidade estendia-se aos próprios chassis: desde soluções adquiridas a prestigiados fornecedores alemães, sinónimo de precisão e engenharia refinada, até projetos desenvolvidos em Portugal, fruto de criatividade, engenho e trabalho quase artesanal. Foi este choque entre tradição e inovação, entre o estabelecido e o experimental, que deu à prova “uma intensidade única e inesquecível”.
“Ao longo da corrida, viveu-se um ambiente de grande camaradagem, refletindo o forte sentido de comunidade que sempre caracterizou o clube e que deve sempre caracterizar a nossa pequena comunidade de entusiastas”, destaca Jorge Reis.
A “Resistência Bodas de Ouro” não foi apenas uma corrida, foi uma homenagem ao passado, uma celebração do presente e um compromisso com o futuro do slot em Braga.


