OpiniãoCartão vermelho e lápis azul

Cartão vermelho e lápis azul

Artigo de Jorge Silva.

© Jorge André Silva

Os recentes episódios ocorridos no derby Braga-Vitória merecem uma reflexão profunda e, mais do que isso, um esclarecimento cabal por parte da PSP.

A proibição da tarja e a forma como todo o processo foi conduzido espelha tudo aquilo que não se quer no desporto e fez transparecer um ato de censura.

A PSP tem toda a legitimidade para averiguar se as mesmas estão dentro das leis e para certificar que a segurança é salvaguardada. Foi aqui o primeiro erro.

A ser verdade que a Liga e a Cruz Vermelha deram um parecer positivo para a colocação da mesma, o que levou a própria polícia a retirar a mesma? O risco de incêndio face à proximidade da mesma com artefactos pirotécnicos, como argumentou no comunicado? Se sim, então por que razão colocaram a mesma retirada junto de pirotécnica, tal como ilustram fotografias da mesma?

Por outro lado, se os bombeiros deram parecer positivo, a PSP tem maior autoridade e conhecimento em matéria de incêndios do que os próprios bombeiros? Se sim, então coloque-se a PSP a apagar fogos e os bombeiros a fazer a segurança no país e, no caso concreto, nos estádios.

Outro dos argumentos foi a de que a coreografia não se enquadrava no apoio aos clubes e sociedades desportivas intervenientes. Olhando para esse argumento, as tarjas exibidas pelos adeptos do Vitória a insultar os do Braga e a cidade já se enquadravam no apoio para as mesmas terem sido permitidas?

Se sim, então estivemos perante uma contradição e, mais do que isso, uma inclinação de tendências e favorecimentos, quando à PSP se exige isenção.

Há outra questão a ser esclarecida. Nas reuniões preparatórias a colocação da tarja não foi abordada e debatida? Se, como diz o Braga, a Liga e a Cruz Vermelha deram autorização e a PSP decidiu o contrário, houve falha de comunicação? Se foi esse o caso, então, as autoridades têm de refletir e adequar os mecanismos para que estas falhas não voltem a acontecer.

Toda esta situação tornou o ambiente pesado e perigoso, levando a excessos e a episódios de violência totalmente reprováveis.

A PSP deve também esclarecer o uso abusivo da força policial, assim como a falta de auxílio em alguns casos de socorro necessário.

A atuação da polícia passou uma imagem de abuso de autoridade, de falta de segurança e, principalmente, de censura ao clube e à história da cidade de Braga.

Não tendo sido essa a ideia da PSP, quem gere estas operações tem de perceber que em qualquer circunstância o sentimento de insegurança pode transparecer.

Como diz o ditado popular: à mulher de César não basta ser séria, tem de parecer. Seria benéfico que em futuros eventos se tivesse este dito popular em conta e que estas situações não se voltem a repetir.

Por último, repudiar o comportamento dos adeptos com o arremesso de tochas para o relvado e o lançamento de foguetes por parte dos adeptos.

Compreende-se que tenha havido um sentimento de revolta, mas isso não justifica essa postura, que só prejudicou o clube.

Uma má conduta não se pode justificar e tão pouco responder com outra má.

Houve, de facto, um grande derby que com toda a situação que antecedeu acabou por passar para segundo plano.

Ninguém ganhou com esta situação. No fundo, foi o espetáculo de futebol que ficou a perder com todos estes episódios.

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