
A PSP não autorizou a exibição de uma tela gigante por parte de adeptos do SC Braga, no jogo frente ao Vitória SC, que decorreu este sábado, no Estádio Municipal de Braga.
Esta medida da PSP motivou várias posições públicas, entre elas a Câmara Municipal de Braga. “O que aconteceu no âmbito do jogo entre o SC Braga e o Vitória SC é um episódio que merece esclarecimento, reflexão e o apuramento integral de todos os factos. O que está em causa não é apenas um momento de tensão num jogo de futebol. Está também em causa a forma como se trata a expressão de apoio a um clube e a uma cidade”, refere João Rodrigues, presidente do Município de Braga.
O autarca reconhece que “a PSP tem uma função essencial na garantia da ordem pública e da segurança. Esse papel é indispensável e deve ser respeitado. Mas, precisamente por isso, a sua atuação tem de ser sempre proporcional, adequada e devidamente fundamentada” e que “sem conhecer ainda todos os factos em detalhe, e procurando apurá-los com rigor junto das entidades competentes, há um ponto que importa afirmar com clareza: a tarja que os adeptos do SC Braga pretendiam exibir, tal como foi tornada pública, não tinha conteúdo ofensivo, nem promovia o ódio ou a violência”.
João Rodrigues sublinha que “tudo o que aconteceu deve ser devidamente apurado, com objetividade, rigor e sentido de responsabilidade, para que haja total clareza sobre os motivos e os termos da intervenção”.
“Braga é uma cidade com identidade, com orgulho e com um forte sentido de pertença. Esse orgulho não pode ser confundido com desordem, nem tratado como problema. Como Presidente da Câmara Municipal de Braga, cabe-me defender a cidade, os bracarenses e exigir que todas as instituições atuem com respeito, bom senso e proporcionalidade. É isso que farei, com serenidade e com firmeza”, reforçou.
PSP afirma que já tinha comunicado não autorizar a tela
O Comando Distrital de Braga da PSP revelou que já tinha comunicado ao SC Braga a intenção de não autorizar a colocação da tela. “A PSP de Braga comunicou, no passado dia 9 de fevereiro, a intenção de não autorizar as referidas coreografias, considerando que as mensagens nelas apostas não evidenciavam qualquer manifestação clara e inequívoca de apoio à equipa ou à sociedade desportiva interveniente, neste caso o Sporting Clube de Braga”, disse a Polícia.
“No decurso da ação policial, foi verificada a pré-colocação de duas lonas/tarjas em locais distintos da bancada nascente: uma de grandes dimensões (cerca de 2 500 m²), enrolada no relvado ao longo de toda a extensão da bancada, e outra na zona nascente superior. A lona de maior dimensão era constituída por uma rede de suporte, várias lonas pintadas, uma estrutura metálica tubular linear com aproximadamente 100 metros de comprimento e várias centenas de metros de cordame destinado à sua elevação. Os referidos materiais coreográficos, em particular o de maiores dimensões, encontravam-se colocados na proximidade de artefactos pirotécnicos de projeção, devidamente autorizados e licenciados pela Polícia de Segurança Pública”, explica a PSP.
Atendendo à natureza “não ignífuga” dos materiais utilizados, nomeadamente rede de suporte, lonas, tintas e cabos e à sua proximidade com fontes de calor (pirotecnia), o comandante do policiamento determinou “a inviabilização total da coreografia, face aos riscos reais e significativos para a integridade física dos adeptos presentes na bancada nascente”.
“Cumpre ainda referir que, durante a intervenção policial, foram identificados 42 indivíduos que tentaram obstaculizar a ação policial mediante o acesso forçado ao interior do estádio. Foram igualmente apreendidos 23 títulos de livre-trânsito titulados pelo Sporting Clube de Braga, sem qualquer identificação nominal, dois alicates e um artefacto pirotécnico ilícito, entretanto abandonados pelos referidos indivíduos”, acrescenta a PSP.
Um homem acabou detido pelo crime de ameaças a agente de autoridade. “Foi igualmente apreendida uma lona plástica utilizada por adeptos do Sporting Clube de Braga para ocultação de identidade aquando da deflagração e arremesso de artefactos pirotécnicos ilícitos. Foram ainda identificados 10 indivíduos por incumprimento do dever de correção e moderação. A PSP teve conhecimento de várias pessoas que necessitaram de intervenção de socorro pré-hospitalar das quais averigua as respetivas causas. Da operação policial resultou um agente ferido, o qual necessitou de assistência hospitalar”, reforça.


