
O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Arco de Baúlhe, em Cabeceiras de Basto, viveu nestes últimos dias um ambiente marcado pela oração e pela fé de um povo que se reuniu em grande número para honrar a sua padroeira.
Durante nove dias, centenas de fiéis acorreram ao Santuário para rezar, agradecer e pedir a intercessão maternal de Nossa Senhora dos Remédios, bem como de São Carlo Acutis, participando em momentos de oração intensa e na bênção especial dedicada aos doentes. Muitos devotos escreveram cartas com as suas súplicas e intenções pessoais, entregues com devoção e confiança ao longo da novena. Esses pedidos, expressão simples, mas sincera da fé de cada um, foram depois queimados com incenso, gesto que simboliza a sua elevação a Deus pelas mãos de Maria.
A noite de 5 de setembro destacou-se pela sua beleza singular e ficará para sempre gravada na memória da comunidade. As ruas de Arco de Baúlhe transformaram-se num verdadeiro mar de luz, iluminadas pelas velas acesas que cada fiel levava na mão. Foi uma procissão de silêncio e oração, onde o brilho das chamas se uniu às vozes que, em uníssono, rezaram a Nossa Senhora. A intensidade daquele momento foi de tal forma profunda que muitos testemunharam não haver palavras capazes de descrever tamanha vivência de fé e comunhão.
O ponto alto da festa viveu-se no domingo com a Eucaristia Solene presidida pelo Senhor D. Delfim, que deixou uma mensagem inspiradora à comunidade, centrada no testemunho do jovem São Carlo Acutis. Recordou que a sua vida foi um modelo de santidade para os nossos tempos e sublinhou a importância da Eucaristia como centro da vida cristã. “Não é a quantidade de anos vividos que conta, mas a intensidade com que se vive o Evangelho”, afirmou o prelado, convidando todos a seguirem o exemplo do beato italiano, que soube aliar a fé à modernidade de forma exemplar.
À tarde, a majestosa procissão percorreu as ruas da vila, atraindo milhares de fiéis vindos de várias localidades. O andor de Nossa Senhora dos Remédios, ricamente ornamentado com flores, foi acompanhado pelo de São Carlo Acutis, numa união simbólica de tradição e renovação da fé. O cortejo foi seguido com devoção por uma multidão que renovava a sua confiança na proteção da Senhora dos Remédios. No final da procissão, D. Delfim recordou uma célebre pregação do Padre António Vieira sobre Nossa Senhora, sublinhando a necessidade de olhar para Maria como a Mãe atenta aos pobres, os marginalizados e os frágeis, ensinando-nos que são parte integrante da missão da Igreja, e apelou ainda para que, à luz do exemplo de São Carlo Acutis, a Eucaristia seja o verdadeiro centro da vida de cada cristão.
Foram dias intensos, belos e profundamente marcados pela fé, em que se tornou evidente a identidade de um povo que, com devoção e ternura, mantém viva a tradição e celebra com amor filial a sua Senhora dos Remédios. Uma festa que une gerações, fortalece laços comunitários e que, ano após ano, continua a ser sinal de esperança e de renovação espiritual para todos.


