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Braga recebeu 2ª edição da Conferência “As Cidades e a Logística”

© CM Braga

O desafio da logística nas cidades e a capacidade de servir mais e melhor a sociedade, assegurando uma maior sustentabilidade das operações de abastecimento nos centros urbanos, foram temas em destaque na 2ª edição da Conferência “As Cidades e a Logística”, realizada pela Associação Portuguesa de Logística (APLOG) e que decorreu ontem no Altice Forum Braga.

Nesta conferência, que juntou diversos responsáveis empresariais e políticos, foram debatidos temas como as políticas de administração locais, a importância da logística urbana, as dificuldades no acesso aos grandes centros, o tráfego, as infraestruturas, bem como as principais tendências em mobilidade.

Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga, lembrou que em Braga estão sediados alguns dos principais operadores do setor que são “muito relevantes para a economia local e nacional”, numa cidade que apresenta desafios para todos os modelos logísticos. “Quando se fala de logística em cidades, não podemos ficar apenas na dimensão conceptual. É necessário aplicar o conceito aos territórios e, nesse contexto, Braga é um concelho fértil para a evidência e experimentação de novas soluções não só pela sua dinâmica económica, mas também pelas suas características de organização urbana que, com uma vasta zona pedonal, coloca desafios muito particulares no abastecimento de todos os setores da cadeia comercial”, referiu o autarca, durante a sessão de abertura que também contou com a presença de Raul Magalhães, presidente da APLOG.

“Os grandes desafios na mobilidade urbana, nomeadamente de mercadorias, são, por um lado, as infra-estruturas e os meios de transporte e, por outro, a operação logística cada vez mais complexa (menores volumes e aumento da frequência de entrega), sem reduzir a elevada qualidade nos serviços prestados. Desafios que requerem melhoria nos veículos utilizados, mais eficientes e menos poluentes, modelos logísticos colaborativos, aumento da logística noturna e flexibilização dos acessos aos grandes centros. Todos estes dados levam as autarquias a desenvolver políticas de administração local alinhadas com a visão de cidade inteligente, incorporando a logística urbana no planeamento global da cidade”, referiu Ricardo Rio.

Olga Pereira, vereadora com a gestão da mobilidade da Câmara Municipal de Braga, apontou algumas das particularidades existentes na cidade e perspetivou o futuro da logística. “A evolução da população residente, o crescente número de eventos culturais e sociais no centro histórico, o alargamento das zonas pedonais, assim como o enorme aumento de visitantes nos últimos dez anos, leva a que Braga pense a logística urbana de forma regulada com tendência para o projeto ‘GreenMile’ (Consumo Verde), num processo de gestão holístico e responsável que satisfaça as necessidades de todos e mantenha o bem-estar natural do ambiente que nos rodeia”, sublinhou a vereadora no painel onde também participaram Marcos Espinheira, diretor da Câmara Municipal de Cascais, Cristina Pimentel, vereadora da Câmara Municipal do Porto, e Trinidad Hernández, diretora-geral de mobilidade da cidade espanhola de Málaga.

Optimizar as entregas ‘last-time’, desenvolver novos modelos de negócio, avaliar os impactos sociais e ambientais e envolver os mais diversos ‘players’ da cidade são os principais objetivos do ‘GreenMile’. Dessa forma, Olga Pereira destacou que o fluxo do renovado Mercado Municipal, do Centro Coordenador de Transportes de Braga e de todo o ambiente logístico de mercadorias existente no centro urbano de Braga são desafios para a eficiente gestão autárquica.

“Temos de ter a capacidade de tirar partido das novas tecnologias e aprender a conviver com o comércio eletrónico, sem descurar o ambiente e vivência urbanos”, explicou a vereadora, sublinhando a importância de preparar o caminho para “termos serviços de transporte de mercadorias com emissões zero, seguros, resilientes e integrados, numa visão inteligente da mobilidade indo ao encontro do comportamento sustentável e pró-ambiental dos consumidores”.

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