
Braga habituou-se, nos últimos anos, a ter no desporto uma pasta bem gerida. Sameiro Araújo fez um trabalho consistente, deixou obra e deu passos importantes. Mas se o passado merece reconhecimento, o futuro exige coragem e inovação. E é precisamente isso que agora falta ouvir de quem se prepara para assumir responsabilidades: propostas concretas, modernas e diferenciadoras.
O desporto em Braga não pode continuar a viver na sombra do futebol. Respeitando a sua força mobilizadora, é tempo de dar espaço e dignidade a outras modalidades. Ginástica, atletismo, hóquei, dança desportiva, rugby, artes marciais, natação, todas estas áreas precisam de investimento, de calendários próprios, de visibilidade e de apoios claros. Se não for assim, ficaremos sempre a meio caminho, sem nunca realizar o verdadeiro potencial que a cidade tem. E Braga já mostrou do que é capaz.
O Mundial de Dança Desportiva de Grupos, realizado no Altice Fórum Braga, foi um espetáculo de beleza e excelência, reconhecido internacionalmente pela organização irrepreensível. Mas não ficou por aí. O Europeu de Atletismo em Pista Coberta, as provas internacionais de natação no Complexo das Piscinas da Rodovia ou até competições de futsal e artes marciais demonstraram que a cidade tem condições logísticas, infraestruturais e humanas para acolher grandes eventos.
Estes exemplos devem servir de inspiração. Braga pode e deve aspirar a trazer campeonatos mundiais, europeus e provas internacionais que deixem marca não só no desporto, mas também no turismo e na economia local. Neste novo ciclo autárquico, não podemos contentar-nos com promessas vagas. É altura de as candidaturas apresentarem propostas claras, inovadoras e transformadoras. Não basta repetir o que já foi feito. O tempo do “mais do mesmo” acabou.
O que queremos ouvir são ideias que nos façam ansiar pelos novos protagonistas políticos do desporto em Braga. E há algo que não pode ser ignorado. Os nossos clubes, as nossas associações e os seus dirigentes têm de ser parte integrante desta construção. São eles que conhecem as dificuldades, que sentem na pele a falta de apoios, que percebem onde estão os obstáculos. Ignorá-los seria um erro imperdoável.
O futuro do desporto bracarense deve ser feito com eles e para eles. Braga pode e deve ser referência nacional e internacional na área desportiva. Mas para isso é preciso que a política esteja à altura das circunstâncias.
Os bracarenses não querem apenas gestão, querem visão, ambição e inovação. O próximo ciclo será o teste decisivo e aqui os bracarenses terão uma palavra a dizer na hora de votar.
Artigo de José Macedo.


