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Braga Ciclável defende investimento de 5% do orçamento municipal para a mobilidade sustentável

© Braga Ciclável

No decorrer das Jornadas organizadas pela Society Loving The Planet Minho, a Braga Ciclável foi convidada para uma mesa redonda sob o tema “Transição Energética”. No painel esteve presente Mário Meireles, a representar a Braga Ciclável, Vitor Monteiro, do Centro Algoritmi, e  Anabela Carvalho, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, e a moderar Eva Monteiro, fundadora da associação.

Sob o tema da transição energética, os três oradores foram unânimes sobre a necessidade de se efetuarem transformações ao nível da mobilidade, quer das cidades, quer entre cidades. 

Entre cidades, a ferrovia terá “um papel fundamental a desempenhar, não só na alta velocidade, mas também na ferrovia convencional”, sendo apontada a necessidade para ligar o Quadrilátero e Vila Verde à rede ferroviária nacional, dando, assim, resposta a “movimentos pendulares que hoje são efetuados de carro”.

Outra matéria abordada foi a utilização das baterias dos automóveis elétricos e qual o ciclo de vida das mesmas, onde Vitor Monteiro referiu que “há, efetivamente, outra vida a dar às baterias dos carros, mas que o grande desafio é o que fazer quando essa 2.ª vida, por exemplo de armazenamento de energia das eólicas, chega ao fim. Como reciclar essas baterias? O que fazer?”. 

Ao mesmo tempo foi ainda abordada a questão do hidrogénio como uma energia passível de ser utilizada no futuro, sendo que “há muitos tópicos, preocupações e alertas a ter em conta em ambas as situações”.

No entanto, “todas estas alterações energéticas teriam um impacto brutal se se mantivesse o mesmo número de utilização do carro que hoje vemos, porque a rede elétrica não está preparada e porque há outras matérias, como a ocupação do espaço público, a própria poluição – as PM continuam a existir e a serem levantadas – e a sinistralidade, são matérias a ter em conta”. 

Para Mário Meireles, “há carros a mais nas nossas cidades, sendo que é necessário reestruturar as nossas avenidas e ruas para que as pessoas possam optar por outros modos de transporte e possamos ter alguns carros, mas apenas os essenciais. E para que outras pessoas não sejam obrigadas a andar de carro, como hoje são”.

“Sobre a temática da mobilidade nas cidades, particularmente no caso de Braga, há efetivamente a necessidade de se criar uma cultura do uso da bicicleta, do andar a pé e de transporte público”, sendo que para isso Mário Meireles defende que “o Município de Braga reserve no orçamento o equivalente a 5% do orçamento municipal (25€/habitante/ano) para se investir na reorganização infraestrutural, criando bons passeios, ciclovias e canais dedicados ao transporte público, necessários para criar um efeito de rede e convidar as pessoas para a utilização destes três modos”.

“Ao fim de 5 anos de investimento começam a notar-se mudanças maiores e ao fim de 15 anos desse investimento, a cultura estará efetivamente criada e as pessoas estarão a utilizar mais estes três modos de transporte, tal como tem acontecido noutras cidades europeias”, reforça.

Para Anabela Carvalho, “é necessário investir na infraestrutura, mas também em ações de sensibilização. E é preciso que as pessoas se façam ouvir junto dos poderes locais, para que quem decide perceba que as pessoas reclamam o seu direito à cidade”.

Todos os oradores foram unânimes na “necessidade de realocação do espaço público, na construção de ciclovias bem construídas, que utilizem os caminhos mais diretos, que respeitem as boas práticas e que produzam uma rede ciclável, por forma a que seja possível, a quem se desloca em percursos curtos, optar pela Bicicleta”.

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