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Artista plástica Lourdes Castro homenageada em Braga

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A artista plástica madeirense Lourdes Castro, recém-falecida, está em destaque na exposição “Matéria Impressa, Matéria Nómada”, patente até 5 de março no Museu Nogueira da Silva, em Braga. A mostra junta trabalhos em formatos como o livro e o postal de 13 autoras portuguesas e brasileiras e é organizada pelo Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho (CEHUM).

De Lourdes Castro há, por exemplo, 11 postais que evocam desenhos, imagens de afetos, sombras do seu herbário, das suas caixas e dos seus famosos álbuns de família, além de uma referência ao teatro de sombras que fez com Manuel Zimbro. Outro conjunto de postais remete para locais e monumentos de cidades onde viveu, como Paris, Berlim, Lisboa e Funchal. Em lugar central surge ainda um caderno escrito pela artista, “Querida Arlete”, que ofereceu a Arlete Silva e Manuel de Brito, da Galeria 111, com várias intervenções visuais, como colagens e desenhos. “É um objeto íntimo e especial, testemunha o ser alegre e afetuoso que era Lourdes Castro”, diz a curadora da exposição e investigadora do CEHUM, Márcia Oliveira.

Lourdes Castro (1930-2022) explorou a abstração e o novo realismo, sobretudo os movimentos e subtilezas da sombra. Deixou uma obra pioneira, fundou o grupo artístico e a revista KWY em França e criou espetáculos como “As cinco estações” ou “Linha do horizonte”, apresentados pela Europa e América Latina. Venceu o Grande Prémio EDP, o Prémio CELPA/Vieira da Silva, o Prémio Árvore da Vida, o Prémio Artes Visuais da Associação Internacional de Críticos de Arte, a Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura e a Comenda de Sant’Iago de Espada.

A exposição enquadra-se no projeto científico “WomanArt – Mulheres, Artes e Ditadura. Os casos de Portugal, Brasil e dos Países Africanos de Língua Portuguesa”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. A mostra inclui trabalhos em formato livro e postal, os quais encontram na mobilidade e na mutabilidade características centrais.

As artistas representadas – Ana Hatherly, Ana Vidigal, Carla Filipe, Irene Buarque, Lourdes Castro, Maria Bonomi, Marilá Dardot, Regina Silveira, Regina Vater, Rita Carvalho, Rosângela Rennó, Teresinha Soares e Vera Chaves Barcellos – materializaram com estas obras uma revisão ou um confronto de certas narrativas totalizantes, por exemplo, sobre o papel das mulheres na sociedade, o capitalismo, a escravatura e o colonialismo, que foram sustentados e sustentaram os regimes repressivos e ditatoriais em Portugal e no Brasil.

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