OpiniãoAmerican (Tariffs) Dream

American (Tariffs) Dream

Artigo de Beatriz Régua.

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A longa tradição norte-americana, cuja fundação remonta à própria declaração de independência, sempre acolheu e conviveu bem com o ideal de um comércio livre e justo. Os EUA sempre se manifestaram como apoiantes e impulsionadores do comércio livre. Esta ideia começou a mudar com a primeira eleição do atual Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, em 2016. No seu segundo mandato, Trump decide adotar políticas cada vez mais protecionistas alegando defender os interesses dos americanos. Mas, e se o mundo também ele decidir aplicar tarifas aos bens e produtos americanos? Será que sairá o tiro pela culatra? E, por fim, estará este empresário a governar a maior economia do mundo como uma empresa sua?

Donald Trump volta a dar mais um passo calamitoso nas suas políticas comerciais: o Presidente norte-americano decidiu impor uma nova pauta aduaneira de 30% à UE, bem como ao México, estando prevista a sua entrada em vigor a 1 de agosto. No entanto, parece ter-se chegado a um acordo estabelecendo os direitos aduaneiros em 15% com a UE, salvaguardando algumas exceções. Mas o melhor é sempre consultar a rede social X de Donald Trump para nos informar sobre os seus próximos passos.

Porém, a lista de alvos de Trump é mais extensa, pois já foram novos direitos aduaneiros a diversos países, como os BRICS, México, China, entre outros. Não obstante, estas tarifas têm vindo a ser alteradas inúmeras vezes mediante as vontades de Trump. Mas aquilo que uns designam de direitos aduaneiros patriotas, outros chamam de imposto à estupidez… A questão que reside é, será que o presidente norte-americano está preparado para as retaliações, como da China por exemplo?

Será que a grande bandeira de Donald Trump “America First” se irá tornar em “America Alone”? O Presidente norte-americano nega e declara que apenas quer um comércio justo. Contudo, Trump está a procurar uma guerra económica com o resto do mundo, incluindo os seus aliados, mas principalmente com o bolso dos americanos. Trump opta por uma chantagem fiscal em detrimento da diplomacia. O país que um dia foi exemplo de abertura e defesa do comércio livre, hoje cada vez mais constrói muralhas tarifárias em vez de pontes diplomáticas.

Todavia, no meio desta guerra comercial, as maiores vítimas são os americanos! Em junho começou-se a sentir os efeitos das pautas aduaneiras aplicadas com a inflação a disparar para 2,7%. Este aumento era previsto pela generalidade dos economistas, particularmente após a aplicação de direitos aduaneiros ainda mais elevados em fevereiro. As empresas tiveram, inevitavelmente, de aumentar os preços prejudicando os americanos, lesados da guerra criada pelo seu próprio Presidente, mas onde todos pagam o preço.

Em tom de resposta, verificamos um Presidente que governa os Estados Unidos como mais uma empresa no seu ilustre portefólio. Com decisões irresponsáveis, unilaterais e que apelam ao conflito. O que se esquece é que um negócio até pode falhar, agora quando um país falha quem sofre, incondicionalmente, é o seu povo. Mas, devemos congratular Donald Trump, que conseguiu irritar a China, os aliados e os americanos ao mesmo tempo.

Artigo de Beatriz Régua, estudante de Economia e membro da Iniciativa Liberal.

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