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A (i)Mobilidade de Braga – Os TUB

Pedro Pinheiro Augusto

Braga podia ser, sem grandes intervenções, uma cidade muito mais agradável para todos, incluindo automobilistas. No entanto, falta racionalidade às opções a que assistimos por parte do executivo camarário.

A deslocação pedonal e de modos suaves é difícil e perigosa, devido principalmente às vias que bissectam a cidade e que o executivo rejeita como vias urbanas, despendendo esforço e dinheiro para melhorar o atravessamento do trânsito externo enquanto recusa aos seus munícipes os passeios, passadeiras e ciclovias que carecem.

Entretanto, a circulação automóvel urbana vive na idiossincrasia da herança mesquitista, deixada intocada por Ricardo Rio. Não se compreende a lógica de andar o triplo da distância ao dobro da velocidade, sem qualquer fundamento técnico ou benefício conhecido, das ruas fraturadas pelas Rodovias e sentidos únicos nas ruas largas da cidade.

Os autocarros fazem ainda maiores desvios, ziguezagueando pela cidade, com curtas distâncias entre paragens a obrigar a constantes arranques e travagens, fonte de desconforto para os passageiros e custos acrescidos para os veículos. O resultado é um serviço que não é, muitas vezes, sequer competitivo com a deslocação a pé dentro da cidade. A falta de pontos de transbordo e a insistência em convergir as rotas para vias super-congestionadas, sem canal BUS, são exemplos paradigmáticos da falta de sentido da rede dos TUB.

Sintomática da prioridade dada aos TUB, a colocação do seu administrador no sétimo lugar da lista da coligação Juntos por Braga, um lugar dificilmente elegível: Para inglês ver.

Também significativo, o desprezo pelos relatórios e recomendações dos técnicos dos TUB. Alguns são públicos, como por exemplo a análise da viabilidade dos autocarros eléctricos, que conclui pela sua vantagem económica sempre que o valor de aquisição estivesse a par dos autocarros a gás, o que se verificou com o financiamento do POSEUR e que levou, em 2017, à encomenda de 25 autocarros eléctricos adicionais aos 6 já existentes e que estavam a providenciar promissora experiência, que Ricardo Rio chegou a fundamentar a promessa de aquisição de novos autocarros com as poupanças geradas no combustível. No entanto, em 2018, depois da visita de Manuel Oliveira, presidente da Arriva, que opinou contra a mobilidade elétrica, Ricardo Rio correu a subscrever os seus argumentos, infundamentados, que a tecnologia eléctrica era prematura e pouco fiável, reduzindo o investimento dos TUB de 13 para 10 milhões de euros e substituindo a encomenda por apenas mais 3 autocarros eléctricos e restantes a gás.

Ainda mais incompreensivelmente, a central de abastecimento de gás dos TUB e respectivos autocarros estavam em fim de vida útil. A substituição, para abastecer os novos autocarros a gás, obriga a uma despesa de aproximadamente 1,4 milhões de euros. Assim, de um financiamento total de dez milhões, dos quais 3,6 milhões comparticipados pelo Estado, 14% do investimento é uma central de abastecimento de gás, que daria para mais seis ou sete autocarros eléctricos adicionais e respectiva infraestrutura. Tudo, num processo confuso, sem qualquer fundamento técnico que se conheça e em contraciclo com a mobilidade do futuro, que se sabe ser necessariamente elétrica.

Mais recentemente, é repescada e inflacionada a proposta do antigo administrador dos TUB, Batista da Costa, esquecida pelo executivo desde 2017, o Bus Rapid Transit (BRT). Isto, por ocasião da corrida aos fundos da bazuca europeia. Dado a ideia não ter sido amadurecida, não havia projeto elegível para os fundos, pelo que a ideia fica no campo das promessas para o Quadro Comunitário PT 2030 e mais propaganda avulsa do executivo bracarense.

Para adicionar o insulto ao prejuízo, Ricardo Rio ainda se vangloria da renovação da frota dos TUB por autocarros elétricos e da descarbonização e sustentabilidade da sua gestão, talvez ignorando que o gás natural é um combustível fóssil que emite carbono para a atmosfera, ou que o maior custo operacional de um autocarro eléctrico é o salário do motorista, de acordo com o estudo da TUB de 2017 que talvez não tenha lido…

Artigo de opinião de Pedro Pinheiro Augusto.

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