
Era uma vez um País que acreditava tão profundamente na inovação que, por vezes, inovava primeiro e pensava depois.
Decidiu-se que os exames entrariam finalmente na era digital. A intenção era nobre, corrigir mais depressa, reduzir burocracias e aproximar a escola do século XXI. Até aqui, nada a apontar. Naturalmente surgiram falhas. E obviamente surgiram explicações para as falhas. O que não apareceu com a mesma rapidez foram os famosos planos alternativos. Porque qualquer pessoa habituada a lidar com sistemas sabe que existem dois tipos de plataformas, as que falham e as que ainda não falharam.
A evolução é bem-vinda, e o progresso também. Mas quando estão em causa o futuro e o percurso académico de milhares de jovens, talvez não fosse exagerado prever um plano B, e até um C e D. Afinal, a diferença entre um contratempo técnico e uma crise nacional costuma resumir-se a uma pequena palavra, “preparação”.
Mas a Educação não esteve sozinha nestes processos transformativos…. para as bandas da Administração também houve peripécias…
Verificou-se uma espécie de metamorfose de algo que primeiro foi tanque, depois deixou de ser bem tanque, e a certa altura começou a aproximar-se perigosamente do conceito de piscina.
Mas talvez o fenómeno mais extraordinário não tenha sido a transformação do tanque, foi a mobilidade de certos materiais e equipamentos.
Enquanto o cidadão comum continua a pagar portagens, combustível e a rezar para encontrar estacionamento, houve quem assistisse a um verdadeiro milagre logístico. Uma galera carregada com materiais químicos terá conseguido percorrer cerca de 400 quilómetros entre o Seixal e Barcelos com uma eficiência digna da física quântica. Não se sabe se utilizou autoestradas, buracos negros ou túneis espaço-temporais. O que é certo é que a viagem parece ter terminado precisamente nas proximidades de interesses ligados à construção do famoso tanque. Há quem lhe chame coincidência, há os que preferem chamar-lhe destino.
Resumindo: Na Educação estamos a aprender a desmaterializar exames, e na Administração Interna parece que estamos a aprender a desmaterializar responsabilidades. Num caso percebemos que a tecnologia pode falhar, e no outro as galeras podem aparentemente desenvolver capacidades de teletransporte.
modernizar não é apenas comprar computadores nem construir infraestruturas…modernizar é antecipar problemas antes que eles aconteçam. Caso contrário, arriscamo-nos a viver num país onde os exames digitais param porque ninguém previu falhas, os tanques acabam a competir com piscinas e as galeras fazem viagens tão extraordinárias que qualquer empresa de transportes passaria imediatamente a estudar o fenómeno.
E isso, convenhamos, já não seria inovação, seria ficção científica e da boa.


