RegiãoVila Nova de FamalicãoPS pede maior rigor na monitorização da reabilitação urbana de Famalicão

PS pede maior rigor na monitorização da reabilitação urbana de Famalicão

Socialistas apontam falhas no relatório da Operação de Reabilitação Urbana e defendem uma avaliação mais exigente dos resultados.

© PS

O Grupo Municipal do Partido Socialista (PS) de Vila Nova de Famalicão defendeu, na última reunião da Assembleia Municipal, que o quarto Relatório de Monitorização da Operação de Reabilitação Urbana (ORU) do centro urbano deve ser corrigido, clarificado e orientado para uma avaliação mais rigorosa dos resultados alcançados.

Na intervenção apresentada pelo deputado municipal António Varela, os socialistas reconheceram a importância da reabilitação urbana, mas consideraram que “o sucesso desta política pública não pode ser medido apenas pelo volume de investimento ou pelo número de obras concluídas”. O partido defende que “é igualmente necessário avaliar o impacto das intervenções na mobilidade, na segurança pedonal, na qualidade ambiental, na acessibilidade ao comércio local e na utilização quotidiana dos espaços públicos”.

O PS apontou ainda “imprecisões” no documento, nomeadamente “a referência incorreta ao diploma que enquadra o regime jurídico da reabilitação urbana”, solicitando “a respetiva correção antes da divulgação pública do relatório”.

Outra das principais críticas incidiu sobre os valores financeiros apresentados. Segundo os socialistas, o relatório indica cerca de 24,62 milhões de euros de investimento público e igual montante de investimento privado, totalizando aproximadamente 49,24 milhões de euros. No entanto, o investimento global executado é apresentado como sendo de cerca de 43,09 milhões de euros, uma diferença de cerca de 6,15 milhões de euros que, defendem, deve ser devidamente explicada.

O partido assinalou igualmente que “um montante semelhante surge repetido em diferentes ações de reabilitação do edificado privado, apesar de corresponderem a metas físicas distintas, considerando que esta situação carece de esclarecimento técnico para garantir transparência na monitorização financeira da operação”.

“Relativamente à execução da ORU, o relatório identifica 44 ações estruturantes, das quais apenas 12 estão concluídas, 11 se encontram em desenvolvimento e 21 ainda não tiveram início, o que representa cerca de 48% das intervenções previstas. Entre os projetos ainda por concretizar está a reabilitação do Parque 1.º de Maio, que continua em fase de estudo, apesar de se tratar de um espaço central e amplamente utilizado pela população”, referem.

Os socialistas referiram também “as recentes notícias relacionadas com a poluição e a presença de aves mortas no Lago dos Patos”, considerando que “estas situações demonstram a necessidade de assegurar uma manutenção regular dos espaços públicos e não apenas de prever futuras intervenções”.

Outra das preocupações prende-se com a mobilidade e o estacionamento no centro da cidade. O PS entende que “a redução da oferta de estacionamento, bem como as sucessivas alterações promovidas pelo município nesta matéria, têm impacto direto na acessibilidade ao centro urbano e na atividade do comércio local”.

O grupo municipal alertou ainda para “problemas relacionados com o conforto e a segurança pedonal, apontando desníveis, mudanças bruscas de cota e soluções de pavimento que podem representar riscos acrescidos para idosos, pessoas com mobilidade reduzida, crianças e utilizadores de carrinhos de bebé”. Estas preocupações surgem, segundo o partido, “na sequência de notícias sobre atrasos, aumento de custos e reparações posteriores em várias obras, bem como de problemas técnicos já reconhecidos pelo presidente da Câmara”.

Perante este cenário, o Partido Socialista defende que “o próximo relatório quinquenal da Operação de Reabilitação Urbana deixe de assumir um caráter meramente administrativo e passe a constituir uma avaliação técnica, financeira, social e urbana mais aprofundada, permitindo identificar os resultados alcançados, corrigir falhas e orientar futuras decisões em benefício do interesse público”.

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