AtualidadeInvestigaçãoInvestigadores da UMinho desenvolvem projeto que usa IA para criar alimentos personalizados

Investigadores da UMinho desenvolvem projeto que usa IA para criar alimentos personalizados

IngredientIA combina inteligência artificial, simulação digestiva e modelação computacional para desenvolver alimentos mais eficazes e promover a prevenção de doenças metabólicas.

© CEB

O Projeto IngredientIA, coordenado pela OmniumAI, spin-off da Universidade do Minho (UMinho) criada a partir do Centro de Engenharia Biológica (CEB), está a desenvolver uma plataforma que combina inteligência artificial, modelação computacional e simulação digestiva para criar alimentos personalizados e mais eficazes. A iniciativa pretende contribuir para a prevenção de doenças metabólicas, melhorar a saúde gastrointestinal e reforçar a competitividade da indústria alimentar.

Além do CEB, o projeto envolve a empresa NIUM e o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), reunindo competências nas áreas da ciência alimentar, microbiologia e tecnologias experimentais para estudar a interação entre ingredientes, microbiota intestinal e processos digestivos.

A inteligência artificial é utilizada para analisar grandes volumes de dados sobre ingredientes e microbiota intestinal, permitindo identificar relações que dificilmente seriam detetadas por métodos convencionais. Entre as aplicações está a previsão de efeitos sinérgicos ou antagonistas entre componentes alimentares e a forma como determinados compostos são metabolizados no intestino.

A plataforma CibusAI, desenvolvida pela OmniumAI, será alargada para integrar estes dados, permitindo gerar análises preditivas que apoiem a reformulação de alimentos de forma personalizada e reduzam a necessidade de testes laboratoriais.

O projeto integra também o sistema experimental MicroDiGut, desenvolvido pela NIUM, que simula todo o processo digestivo humano em microescala, desde a boca até ao cólon. Esta tecnologia permite validar as previsões obtidas através da inteligência artificial com amostras reduzidas, diminuindo custos e tempo de experimentação.

Os investigadores estão ainda a explorar novas tecnologias de encapsulação e estabilização de compostos bioativos, com o objetivo de aumentar a resistência dos ingredientes ao processo digestivo e melhorar a sua eficácia.

O Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho assume um papel central na validação experimental e na criação de modelos metabólicos da microbiota intestinal, essenciais para compreender a forma como os microrganismos processam diferentes ingredientes alimentares.

Com aplicação prevista na indústria alimentar, o IngredientIA pretende acelerar o desenvolvimento de alimentos funcionais mais eficazes e personalizados, contribuindo simultaneamente para a inovação do setor e para uma alimentação mais saudável e sustentável.

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