
No dia em que se assinalou o 112.º aniversário do nascimento de Álvaro Cunhal, a Direção da Organização Regional de Braga levou a cabo uma iniciativa cultural e política com a participação de Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, no Museu dos Biscainhos, em Braga.
“A evocação da vida, pensamento e obra de Álvaro Cunhal, sendo um incontornável tributo e reconhecimento, foi uma oportunidade para abordar as transformações profundas da Revolução de Abril e a resistência ao processo contra-revolucionário que se lhe seguiu. Um tema ganha atualidade num momento em que se prepara um brutal ataque contra os direitos dos trabalhadores e se acumulam as forças que lhe irão resistir”, refere o partido.
Na entrada do museu foram expostos cartazes, fotos e notícias de vindas de Álvaro Cunhal ao distrito de Braga, incluindo as primeiras edições da Festa da Alegria.
António Durães, homem da Cultura, leu vários poemas sobre a luta dos comunistas e intervenções de Álvaro Cunhal, entre os quais a “A bandeira”, de Ary dos Santos, escrito na sequência do ataque ao Centro de Trabalho do PCP em Braga em 1975, e “A Lâmpada Marinha”, que Pablo Neruda escreveu em 1954 inserido na campanha internacional para a libertação de Álvaro Cunhal.
No momento político da iniciativa, usou primeiro da palavra Belmiro Magalhães, da Comissão Política do Comité Central do PCP. Na sua intervenção explicou que “a opção da realização da iniciativa na região e no concelho de Braga não foi um acaso”. Lembrou que “Braga foi terra de profunda resistência à ditadura, com inúmeras lutas populares travadas, como a greve na então Grundig, em fevereiro de 1972, durante a qual os 1800 operários paralisaram a fábrica e, após três dias, conseguiram um aumento salarial de 75%, e a atividade do grupo dos Democratas de Braga, que juntou destacados intelectuais anti-fascistas como Victor de Sá, Humberto Soeira ou Lino Lima”.

Referiu que “no norte do país, as forças contra-revolucionárias mobilizaram esforços com particular força, criaram organizações terroristas, espalharam mentiras, sabotaram a economia e o funcionamento do Estado, tentaram criar o caos. Atacaram sedes das organizações democráticas e revolucionárias, como aconteceu com os centros de trabalho do PCP em Braga”.
Belmiro Magalhães lembrou “também as intervenções de Álvaro Cunhal no seu primeiro comício em Braga, no qual este sublinhou o respeito do PCP pelos crentes e pelo culto, até porque ‘operários católicos e não católicos são igualmente explorados’, e também na primeira Festa da Alegria, em 1978, quando referiu conteúdos sobre a defesa dos direitos dos trabalhadores e do aparelho produtivo na região repletos de atualidade perante o que está acontecer nos setores têxtil e calçado, ou o Lay-off na Bosch”.
A intervenção de encerramento esteve a cargo de Paulo Raimundo. O secretário-geral do PCP qualificou Álvaro Cunhal como “personalidade ímpar do nosso Portugal contemporâneo, combatente pela liberdade, pela democracia e uma referência na luta pelos valores da emancipação social e humana no nosso país e no mundo”.
“Álvaro Cunhal dedicou toda a sua vida, como dirigente do PCP e lutador antifascista, à causa dos trabalhadores, do seu povo e do seu País. Álvaro Cunhal desempenhou um papel incontornável, e desde muito jovem, na resistência ao fascismo e na luta pela liberdade e a democracia. Acrescentou o relatório ‘Rumo à Vitória’, apresentado no VI Congresso, em 1965, constituiu um contributo inestimável para a definição do Programa, da estratégia e da tática do Partido Comunista Português e da luta dos trabalhadores e do povo pela sua libertação. Aí ficaram as linhas fundamentais para os grandes objetivos da Revolução Democrática e Nacional, que vieram a revelar-se certeiras, desde logo pelo caminho que traçou. A Revolução de Abril, nas palavras do próprio Álvaro Cunhal, foi ‘um dos momentos mais altos da vida e da história do povo português e de Portugal”, como acto e processo que foi de libertação e democratização da sociedade portuguesa e de profundas transformações políticas, económicas, sociais e culturais'”.
Referiu também “não olhar a meios era a palavra de ordem da contra-revolução”. “Recorreram a tudo numa frenética atividade desestabilizadora de difusão de mentira e calúnias contra as forças democráticas mais consequentes e progressistas, particularmente contra o PCP. Entre atentados bombistas, assaltos, saques, espancamentos e outros tipos de violência, em cerca de dois anos registaram-se perto de 600 ações terroristas, de que é exemplo, um de entre muitos, mas este particularmente expressivo, o assalto ao Centro de Trabalho do PCP aqui mesmo em Braga. Ocasião em que Ary dos Santos aproveitou para recordar que ‘a cada novo assalto / cada escalada fascista / subirá sempre mais alto / a bandeira comunista'”.
Ligando o pensamento e ação de Álvaro Cunhal à situação de hoje, Paulo Raimundo afirmou que “resistir e não ficar à espera, é este o desafio que se coloca a todos, a todos os trabalhadores, ao povo, à juventude. Uma resistência e uma luta que teve no sábado passado um momento alto com a Marcha Nacional convocada pela CGTP-IN que encheu ruas, avenidas e praças do centro de Lisboa. Essa luta que terá de continuar a desenvolver-se na luta reivindicativa de todos os dias e na Greve Geral de 11 de Dezembro contra o Pacote Laboral, pelos salários, os direitos e os serviços públicos”.
Terminou sublinhado que “os povos necessitam de partidos firmes, convictos, corajosos e confiantes. Só tais partidos estão em condições de fazer frente ao capitalismo no mundo atual. Aqui estamos, aqui está o PCP, esse partido firme, convicto, corajoso e confiante. O Partido da luta anti-fascista, o partido de Abril, o partido da resistência e da luta contra a reação, o Partido do futuro. Este Partido de sempre e para sempre de Álvaro Cunhal”.


