
O concelho de Braga prepara-se para ir a eleições e eleger o seu terceiro presidente em democracia. Francisco Pimentel Torres concorre à Câmara Municipal de Braga pelo ADN – Alternativa Democrática Nacional. Tem 65 anos, é engenheiro e empresário.
O que motivou a sua candidatura à Câmara Municipal de Braga?
Boa tarde e obrigado à Braga TV pelo convite e por esta entrevista. O que me motivou foram essencialmente três motivos. O deparar com que Braga está pior do que estava. Este último executivo não fez nada, portanto preocupo-me com a cidade. O segundo foi a minha disponibilidade, visto que me apresentei há relativamente pouco tempo e que finalmente, depois de uma vida empresarial muito longa, tenho disponibilidade para me dedicar a uma coisa que sempre gostei, que é preocupar-me com Braga. E a terceira, que é redundante, mas é o amor que eu tenho pela cidade.
Que balanço faz destes 12 anos da coligação Juntos por Braga à frente da Câmara Municipal?
O balanço não pode ser positivo de modo nenhum. Enquanto Braga, nestes últimos 12 anos, não apresentou uma obra nova, não apresentou nada de novo na cidade e deixou tudo o que tinha nos seus programas eleitorais por fazer. Eu tenho duas páginas A4 escritas, cheias, das coisas que foram prometidas e não foram feitas.
Estamos a falar, por exemplo, das Sete Fontes, do Pavilhão Flávio Sá Leite, do São Geraldo, o Nó de Infias, a Circular de Braga, enfim, inúmeras coisas que não foram feitas. Portanto, Braga estagnou, Braga não se preparou para o crescimento que teve. Positivo, foi o marketing que o presidente da Câmara fez pelo Brasil, por vários lados, em que atraiu muita gente para Braga, mas que era previsível que Braga ia crescer e que, apesar desse marketing todo, não preparou as ferramentas, não preparou a cidade.
Na sua ótica, quais as principais necessidades do concelho? Quais são os principais problemas que Braga enfrenta atualmente e como os pretende resolver?
A maior necessidade que o conselho tem, neste momento, é a circular externa, a chamada Variante do Cávado. Sem ela, não conseguimos tirar o trânsito da cidade, não conseguimos resolver os problemas da mobilidade, portanto, os problemas de circulação automóvel, não conseguimos tirar daqui carros, não conseguimos tirar daqui esta confusão toda que se instalou em Braga. Uma cidade de acidentes, de ruas estreitas, que agora ainda querem piorar, e isso não é prioridade, com um BRT, uma ideia péssima, mas pronto, fundamentalmente, é essa circular.
Depois, também há que resolver alguns problemas de habitação. Habitação pública pode ser, mas o problema de habitação está muito ligado ao Estado Central, portanto, é um problema que, digamos, é nacional e que tem que ser resolvido através de PRRs, através do Governo Central, porque uma Autarquia sozinha, compreendo que não conseguirá fazer muita coisa nisso.
Caso for eleito, o que pretende mudar no concelho nos próximos quatro anos?
As primeiras coisas que pretendo fazer é ouvir os bracarenses, ouvir bem as necessidades dos bracarenses.
Aliás, a primeira linha do nosso programa é, realmente, fazer um levantamento da necessidade de creches, da necessidade de ATLs, portanto, para a juventude, e também de lares para a terceira idade, porque há uma grande carência nisso. E, obviamente, fazer consensos também com outros vereadores que alinhem nas nossas políticas e nos deixem, digamos, nos facilitem a governação de uma Autarquia que há de ser a maior do país.
Quais as propostas do seu partido para os mais jovens?
Portugal tem um problema grave de natalidade. É preciso dar condições. As cidades precisam dar condições aos jovens, aos jovens para ter filhos, aos jovens para terem onde pôr os filhos, aos jovens para fazer a sua vida profissional, e isso passa por ter uma cidade que tenha transportes bons, que tenha transportes pontuais, frequentes, coisa que os TUB não tem. Os TUB, permita-me a franqueza, devem ser os transportes urbanos mais mal geridos do mundo, não digo do país, nem no terceiro mundo há coisa tão má.
É preciso ter transportes, é preciso ter creches, é preciso ter muitos sítios e muitas facilidades para que os jovens, casais principalmente, que estudam e que venham estudar para Braga, fiquem por cá, façam crescer a cidade e façam desenvolver a cidade.
E para os seniores? Existem propostas?
Para os seniores é a mesma coisa. Os seniores neste país estão muito abandonados. Os jovens, hoje em dia, saem muito tarde da casa dos pais e depois não voltam. Quer dizer, quando os pais estão velhinhos, vão para um lar. Portanto, é preciso arranjar mais centros de dia, centros de lazer, atividades para os seniores, desportos para os seniores, é preciso toda uma preocupação com os seniores, porque realmente a nossa população está envelhecida.
Que mensagem quer deixar aos eleitores do concelho de Braga?
Eu espero que os eleitores comecem a deixar de votar nos partidos tradicionais. Os partidos tradicionais levam-nos há 50 anos a esta desgraça. Não desenvolveram prática, o país cresceu muito menos do que havia de ter crescido, o país está uma desgraça, as cidades estão sem abrigos, o nosso presidente da República, no primeiro mandato, disse que ia acabar com os sem-abrigos até hoje, mas isso a gente já o conhece. Fala, fala, fala, mas não diz nada, e espero que deixem de votar nestes PS, PSD, IL, CHEGA, e comecem a votar em pessoas, principalmente nas Autarquias. Comecem a votar em quem pode fazer a diferença.


