
Recentemente, o Candidato do Chega à CM de Braga acusou o executivo atual de ter “seduzido” os Brasileiros a virem viver para Braga, insinuando que seriam a causa dos problemas sociais, habitação ou mobilidade que hoje enfrentamos. Não se espera que este partido tenha propostas credíveis, mas importa desmontar certas narrativas.
Este é um apelo à Comunidade Brasileira residente na União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe. Nos últimos 4 anos escrevemos vários artigos sobre a temática das migrações [1] não sendo opiniões nem perceções, mas artigos baseados em factos, dados e informações oficiais. Portugal perdeu meio milhão de habitantes durante a crise da Troika, aquela que o PS nos entregou em 2011. Seria possível a retoma económica sem mão-de-obra estrangeira, uma vez que os Portugueses que saíram se recusam a voltar? A resposta é um redondo não.
Importa, pois, reafirmar que a Iniciativa Liberal defende o controlo da imigração através dos mecanismos que agora se começam a implementar-se. Mas este controlo tem como objetivo a garantia das condições de acolhimento aos imigrantes, evitando a exploração por redes de tráfico humano ou a exploração laboral por empresários sem escrúpulos.
Nada mais nada menos do que pediríamos para todos os Portugueses que, por essa Europa fora, foram acolhidos no cumprimento legal e contribuem para o crescimento económico desses países.
Deixo-vos 2 histórias reais de Brasileiros que viviam em Braga.
1 – Franscisco Buarque de Holanda [2], veio para Portugal em 2010 em busca de uma vida melhor. Arranjou casa e vivia com a mulher e um filho. Durante 10 anos trabalhou duro. Brunir o mármore, poucos o sabem, é hoje bem mais fácil, mas o ritmo atual das obras é alucinante e há cada vez menos gente disposta a esse esforço. Francisco era um homem sempre disponível para o trabalho e contava histórias como ninguém, dominando como poucos a História do Brasil e das relações com Portugal.
Trabalhou numa manhã de sábado, e no domingo seguinte participou no convívio da empresa, uma caminhada nos passadiços do Paiva.
No fim do dia suicidou-se.
Tinha pouco mais de 50 anos.
No funeral estavam 5 pessoas e foi cremado com o insuportável peso do silêncio de quem está longe da terra onde nasceu.
2 – Machado de Assis [2] emigrou do Brasil para Portugal em busca de um sonho, talvez ludibriado por alguns vendilhões do templo, procurando o sonho de ser jogador profissional de futebol. Rapidamente se lhe assentou nos ombros o peso da realidade e teve de arranjar um emprego para sustentar esse sonho, após ser deixado à sua sorte.
Sempre empenhado e com bonomia solidária, nunca se furtou ao seu dever no local de trabalho. Vivia com a sua namorada portuguesa, e sempre cumpridores, viviam com as mesmas dificuldades de qualquer casal da classe média portuguesa.
Trabalhou num sábado de manhã para ajudar a despachar encomendas e apoiar a exportações da empresa e o crescimento económico da região. No fim do dia morreu afogado no Gerês.
Não fosse a entidade patronal a custear os pesados custos da trasladação de um corpo para o Brasil (cerca de 6 mil euros) e também teria um funeral carregado de silêncios e acabaria sepultado a mais de 7 mil km da sua terra natal.
Nestes dois casos, todas as contribuições para a segurança social e impostos, de nada lhe serviram perante a tragédia. O Estado Brasileiro não suporta encargos com a trasladação de corpos, e a Segurança Social Portuguesa apenas apoia os funerais realizados em Portugal.
Ambos contribuíram para a riqueza do país e nada receberam em troca, como muitos querem fazer-nos crer.
A Iniciativa Liberal de Real, Dume e Semelhe saberá criar as condições de apoio a todos os emigrantes que necessitarem. Assim nos depositem a confiança.
A todos os emigrantes que tenham dúvidas na hora do seu voto, aqui temos o nosso apelo ao vosso reconhecimento.
* trocadilho com uma música da artista Alexandra, editada em 1979


