AtualidadeIgreja CatólicaPonte de Lima: São Miguel de Cabaços celebra São Gregório Magno

Ponte de Lima: São Miguel de Cabaços celebra São Gregório Magno

© Paulo Emanuel Dias

Hoje celebra-se São Gregório Magno, o Papa que deu nome ao canto gregoriano e que tanto contribuiu para a riqueza da liturgia da Igreja.

De acordo com Paulo Emanuel Dias, pároco de ‘Samiguel’ de Cabaços, em Ponte de Lima, “não poderia haver ocasião mais propícia para refletir sobre o valor de cantar uma missa em gregoriano, especialmente no contexto das festas do Samiguel de Cabaços. Estas festas vivem daquilo que o próprio Jesus recordava: “vão ao baú do tesouro buscar coisas novas e coisas velhas”. A tradição e a novidade encontram-se, e assim se constrói o futuro da comunidade. Entre os tesouros que a Igreja guarda com carinho, o canto gregoriano ocupa um lugar especial: é memória viva, oração cantada e património universal”.

Uma das celebrações centrais das festividades é precisamente a Eucaristia em canto gregoriano ou, como o povo diz, “uma missa cantada em latim”. O momento da preparação é, por si só, um símbolo da tradição que se transmite: ver os mais velhos do coro a ensinar as melodias aos mais novos, recordando que “dantes cantava-se assim”, é testemunhar a fé a passar de geração em geração.

O gregoriano não é uma peça de museu. É uma linguagem espiritual que atravessou séculos, modelou a oração cristã e serviu de base para toda a música ocidental. Classificado pela UNESCO como património imaterial, representa não só um tesouro religioso, mas também cultural. Participar numa missa cantada em gregoriano é mergulhar na própria história da fé e da música.

O Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium, afirma que o latim deve conservar-se nos ritos latinos e que os fiéis devem ter possibilidade de rezar e cantar em latim. Contudo, a prática litúrgica foi-se afastando desse princípio, deixando muitos sem acesso a essa riqueza. Assim, nas festas do Samiguel de Cabaços, cantar a missa em gregoriano não é apenas uma opção estética. É uma forma de ligar passado, presente e futuro; de unir gerações; de dar voz à fé com a mesma língua e melodia que acompanharam a fé dos cristãos de ao longo dos tempos. É a fé em Igreja que queremos transmitir às gerações futuras, como diz o tema deste ano, “pelos séculos dos séculos”.

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