OpiniãoBraga e a ausência de espaços verdes: uma promessa adiada

Braga e a ausência de espaços verdes: uma promessa adiada

Artigo de opinião de José Macedo.

© José Macedo

No último artigo que escrevi falei do estado da rede viária e da necessidade de haver alcatrão para reparar as vias, pois o seu estado é miserável. Hoje direciono este artigo para outras preocupações, a necessidade urgente de haver espaços verdes em Braga.

Ao longo da última década, Braga tem sido frequentemente apontada como uma cidade em crescimento, com investimentos em áreas tecnológicas, reabilitação urbana e promoção turística. Contudo, há um setor essencial que permanece amplamente negligenciado, que é o da criação e valorização de espaços verdes para usufruto dos Bracarenses. O exemplo mais emblemático desta ausência é o Parque das Sete Fontes, uma promessa com mais de doze anos que continua por cumprir.

Apesar de alguns avanços pontuais e declarações de intenção por parte do executivo municipal, o parque permanece, na prática, inacessível e longe de servir como verdadeiro pulmão verde da cidade. O que poderia ser um marco ambiental e de lazer para Braga, é hoje sinónimo de atraso e desilusão para a população. Fora este projeto, pouco ou nada foi concretizado em matéria de novos espaços verdes, apesar da intervenção de “make up” de plantação de arvores a torto e a direito para parecer bonito…

O Parque das Camélias, ainda que inaugurado com expectativa, falhou em corresponder às reais necessidades da comunidade. A falta de funcionalidade, identidade e integração com o tecido urbano leva muitos bracarenses a não o reconhecerem como uma mais-valia. Mais grave ainda é a situação de freguesias densamente povoadas, como São Vicente, que permanecem sem qualquer parque verde significativo, apesar de nas últimas eleições terem surgido propostas para a criação de um Parque verde na zona por detrás do Centro de Saúde de Infias. Num cenário de crescimento urbano, é incompreensível que bairros inteiros continuem sem espaços adequados para o lazer, o convívio e o bem-estar dos seus habitantes.

O caso do Parque da Ponte é igualmente revelador. Dotado de potencial paisagístico e centralidade, esperava-se uma intervenção que revitalizasse o espaço, tornando-o atrativo e funcional. No entanto, o lago continua ao abandono, a manutenção é deficiente, e o parque, em vez de um local aprazível, tornou-se um símbolo de desinteresse. A promessa de mais e melhores espaços verdes tem sido recorrente nos discursos políticos locais. No entanto, a realidade demonstra o contrário: os parques infantis têm sido retirados, muitas vezes sem reposição, e os poucos que foram criados padecem de falhas estruturais graves , como a ausência de sombras e condições adequadas para crianças e famílias.

Perante este cenário, impõe-se uma reflexão séria: que cidade estamos a construir para as gerações futuras? Uma Braga que privilegia o betão em detrimento da natureza? Uma cidade que se desenvolve em altura e densidade, mas que esquece os espaços de descanso, lazer e contacto com o verde? A qualidade de vida de uma cidade mede-se também pela forma como cuida do ambiente e das suas pessoas. Braga precisa de mais do que promessas. Precisa de uma estratégia verde, consistente, participada e executada. Porque uma cidade moderna não se constrói apenas com inovação tecnológica, constrói-se com árvores, parques, sombras e espaços onde se respira melhor.

Artigo de opinião de José Macedo.

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