
Que importância teria o 25 de Abril sem o 25 de Novembro? Abril devolveu-nos a liberdade; Novembro impediu que essa liberdade fosse capturada por extremismos. Um abriu as portas da democracia, o outro garantiu que elas não se fechassem, mas…
Como nos lembraríamos do Capitão Salgueiro Maia, que partiu de Santarém rumo a Lisboa para cumprir a missão que transformaria o país? Esqueceríamos a sua memória e o exemplo de coragem, ética e compromisso com a liberdade que nos legou?
E o gesto do cabo apontador José Alves Costa, que se recusou a disparar sobre Maia mesmo com a pistola do brigadeiro Junqueira dos Reis apontada à sua cabeça, deixaria de ser considerado decisivo? Não seria, afinal, a prova de que a Revolução triunfou pela força moral, e não pelas armas?
E a integridade do furriel Manuel Silva, natural de Barcelos, que conduziu Marcelo Caetano na chaimite Bula? Seria esquecida a sua ação de impedir a vingança e de assegurar que o futuro democrático nascesse sem derramamento de sangue?
E o papel do povo? Como seria recordado?
Hoje, quando a memória se esbate e alguns relativizam esta data, a história relembra-nos que a democracia constrói-se com escolhas difíceis e, muitas vezes, a partir de gestos individuais.
Abril e Novembro não se anulam, mas complementam-se.
Portugal é melhor porque teve ambos!


