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Tumores do cérebro causaram 930 mortes em Portugal no ano passado

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A Associação de Investigação e Cuidados de Suporte em Oncologia (AICSO), em parceria com o Centro de Reabilitação Profissional de Gaia e a Liga dos Amigos do Centro Hospitalar de Gaia, associa-se ao mês de Sensibilização para os Tumores Cerebrais e ao mote “Go Gray in May” para alertar para esta patologia rara e pouco conhecida pela maioria das pessoas.

“Ao associarmo-nos a este tipo de iniciativas internacionais de consciencialização estamos também a dar um contributo na melhoria dos cuidados globais que prestamos a estes doentes. Os profissionais de saúde têm uma responsabilidade acrescida de formar e informar os pares e a população que servem”, explica Andreia Capela, presidente da AICSO e oncologista do Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/ Espinho.

De acordo com a especialista, os tumores cerebrais compreendem os tumores primitivos do cérebro, mas também as metástases cerebrais de outros tumores. Os tumores primitivos do cérebro são raros e incluem mais de 120 tipos diferentes. Podem atingir qualquer idade e são a principal causa de morte por doença oncológica em crianças e jovens com menos de 20 anos. Os prognósticos são muito variáveis, podendo ser condicionado pelas localizações em regiões nobres e pela agressividade histológica. As metástases de tumores de outras localizações são o principal tumor do cérebro e podem ocorrer em até 20-40% dos doentes com tumores.

Os tumores que mais frequentemente apresentam metástases cerebrais são os da mama, pulmão e o melanoma. Também nas metástases cerebrais o prognóstico é muito variável. Em 2020, mundialmente foram registados mais de 300 mil novos casos de tumores cerebrais e 250 mil mortes, sendo que Portugal contribuiu com 1100 novos casos e 930 mortes.

Sintomas mais comuns

As manifestações dos tumores cerebrais estão relacionadas com a sua localização no cérebro ou com o compromisso que causam. A Dra. Andreia Capela revela que podem manifestar-se por “dores de cabeça frequentes, vómitos, convulsões, desequilíbrios, alteração de força ou sensibilidade num segmento do corpo, alteração de memória, alteração de comportamento, alteração de personalidade, alteração da fala ou alteração dos sentidos de visão, audição e olfato”.

A investigação pode passar por uma TAC, ressonância magnética, PET e biópsia. As abordagens podem ser muito diferentes, quer pelas localizações quer pelos variados prognósticos. Quanto aos tratamentos podem passar por cirurgia, radioterapia ou tratamentos sistémicos (quimioterapia ou agentes alvo), ou uma combinação de vários tratamentos.

Treinar o físico e a mente

As sequelas são frequentes e podem ser mais ou menos graves conforme as localizações e os tratamentos. “Essas sequelas podem passar por défices motores, défices cognitivos, défices de memória, dificuldade em expressar-se e comunicar, alteração da imagem corporal e do comportamento e personalidade, alterações sensoriais”, refere a médica.

Daí que considere fundamentais “as abordagens de reabilitação física e neurocognitiva ao longo de toda a jornada de doença e mesmo para além dos tratamentos”. Sublinha ainda que “o apoio de estruturas e mecanismos sociais e de familiares e amigos se reveste de extrema importância em várias fases da doença”. Na sua opinião, os cuidadores assumem nesta doença um papel essencial, vendo-se confrontados com desafios enormes a nível físico e emocional”.

Por essa razão deixa alguns conselhos a quem sofre desta patologia: “é importante que se tornem ativos na sua doença, que questionem os profissionais, que se envolvam no seu processo terapêutico e que percebam as suas prioridades e ajudem os profissionais e a instituição a implementar os projetos que promovam uma melhor resposta”.

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