
O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN-FNAM), um dos sindicatos da Federação Nacional dos Médicos, afirmou desconhecer o plano de contingência acionado na Unidade Local de Saúde de Braga.
O sindicato diz que já exigiu a divulgação do plano ao respetivo Conselho de Administração. “Os médicos desconhecem o plano de contingência acionado na Unidade Local de Saúde de Braga, tendo o SMN-FNAM já exigido a sua divulgação ao respectivo Conselho de Administração. Nas últimas semanas, tem-se assistido ao cancelamento de cirurgias não urgentes e a um agravamento significativo da pressão sobre a Medicina Interna. Na última semana, registaram-se cerca de 270 doentes internados, mais de 150 acima da capacidade habitual (120 camas). Houve equipas médicas com até 40 doentes atribuídos, situação apenas mitigada à custa do aumento do trabalho suplementar, com reforço temporário das equipas de internamento e do serviço de urgência”, refere.
O SMN-FNAM exige ainda “explicações ao Conselho de Administração da ULS de Braga relativamente à suspensão do funcionamento do PET/CT, há pelo menos dois meses”. “Atualmente, vários doentes são transportados de ambulância para o Porto para a realização deste exame, regressando apenas no final do dia, após a conclusão de todos os procedimentos, o que implica que cada doente passe um dia inteiro fora de casa”, acrescenta.
Adicionalmente, o SMN-FNAM questiona “o facto de estarem a ser pagos exames de biópsias a laboratórios privados, que deixam de ser analisados no hospital devido ao bloqueio no pagamento aos médicos”. “Exigimos igualmente esclarecimentos relativamente à situação de doentes com aneurismas cerebrais rotos durante o fim de semana, que estão a ser transferidos para unidades hospitalares do Porto. Importa salientar que o Serviço Nacional de Saúde assume integralmente os cuidados nos centros de destino, pelo que esta opção representa um acréscimo significativo de custos para o erário público, nomeadamente com o transporte de doentes altamente complexos, para além de implicar um atraso no acesso a tratamento especializado, com potenciais consequências clínicas grave”, reforça.
Para o SMN-FNAM, a solução “passa por medidas estruturais, nomeadamente o reforço efetivo das equipas, o pagamento atempado do trabalho médico, a salvaguarda dos cuidados de saúde num dos mais importantes hospitais da região Norte e do país, bem como a elevação do estatuto do Hospital de Braga a hospital universitário”.


