OpiniãoQueremos parques verdes, não passeios verdes

Queremos parques verdes, não passeios verdes

Artigo de Fernando Costa, candidato da Iniciativa Liberal à União de Freguesias de Nogueira, Fraião e Lamaçães.

© IL

Em Nogueira, Fraião e Lamaçães, andar no passeio não é só uma necessidade ou um lazer: transformou-se também num exercício de coragem. Para um naturalista, ou para um entusiasta mais intenso do ambiente, não é preciso muito para ter um contacto tão direto com a natureza: basta darmos dois passos e rapidamente nos deparamos com silvas e pequenos matagais a ocuparem o espaço que devia ser seguro para todos. O problema é que estas silvas não estão propriamente em parques verdes nem em zonas de lazer, onde possamos todos relaxar em família — estão nos passeios, a colocar em causa a segurança pública das pessoas que nela circulam.

E se isto já é um desafio de segurança para a maioria das pessoas, como será para anda de carrinho de bebé, para quem é idoso ou para quem tem mobilidade reduzida? Muitas vezes, a solução passa por sair para a estrada porque o passeio está intransitável. Se olharmos para as ciclovias, o cenário não melhora: silvas e quantidades absurdas de lixo, comprometendo a segurança para quem anda a uma velocidade significativa. É isto que queremos para uma freguesia supostamente urbana, com mais de 15 mil habitantes, em que pedimos às pessoas para deixarem os seus carros em casa?

É verdade que, como sabemos, a responsabilidade direta não é da Junta, mas cabe ao executivo – que é quem nos representa – ser eficiente na forma como delega estas questões à Câmara Municipal. O papel da Junta é ser a voz dos moradores, exigir mais eficiência, pressionar, acompanhar e garantir que as entidades responsáveis atuam com a rapidez que os cidadãos merecem. Fazer disto um fardo é precisamente o que não queremos do poder local. Ou, pelo menos, não precisamos.

Não faz sentido termos promessas de ciclovias futuristas, novos parques verdes e até um BRT, se no dia a dia as pessoas nem conseguem circular num passeio sem risco de tropeçar ou de saírem arranhadas. Ou pior. É deprimente estarmos em 2025 e ter de dizer o óbvio, mas a realidade assim nos obriga: uma freguesia moderna começa pelo básico: segurança e dignidade no espaço público.

Nogueira, Fraião e Lamaçães precisam de uma Junta próxima, que não se esconda atrás da desculpa das competências. Porque se há coisa que os moradores não querem é continuar a confundir passeios com matagal.

No fundo, é simples: quando pedimos mais espaços verdes, e um contacto maior com a natureza na nossa União de Freguesias, não falávamos dos passeios nem das ciclovias. Talvez tenha havido aqui, uma vez mais, uma falha de comunicação. Assim, temos no dia 12 de outubro, quando formos votar, a oportunidade de fazer passar melhor esta mensagem.

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