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PS Famalicão alerta para riscos de perda de fundos do PRR na saúde

Socialistas destacam importância do financiamento em reunião com o novo Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Médio Ave.

© PS

O Partido Socialista de Vila Nova de Famalicão reuniu com o novo Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Médio Ave, que integra o Hospital de Vila Nova de Famalicão.

Durante o encontro, Luís Vales, presidente da entidade, identificou “três problemas estruturais críticos”, nomeadamente “a carência de recursos humanos em contexto hospitalar, o elevado número de camas ocupadas por casos sociais e o estado deteriorado das infraestruturas hospitalares”.

“Para 2026, o orçamento previsto ronda os 200 mil euros, valor considerado insuficiente face às necessidades desta ULS, embora a administração reafirme a intenção de investir nas infraestruturas atuais, sem perda de valências. Quanto à unidade de Santo Tirso, mantém-se indefinida a transição para a Santa Casa da Misericórdia. Entre os projetos estruturantes em análise, destacam-se duas novas áreas funcionais – uma dedicada à área pediatria e outra à prestação dos restantes cuidados hospitalares –, o reforço de serviços, incluindo oncologia, e a ampliação das áreas assistenciais e de estacionamento”, refere o PS.

Os socialistas explicam que foi também abordada “a necessidade de manter e promover práticas obstétricas humanizadas, de forma a recuperar parte da atividade perdida para o setor privado, bem como a abertura do Centro de Saúde de Gondifelos e a modernização tecnológica e da infraestrutura”.

O PS aproveitou a ocasião para congratular a nova administração pelo “empenho demonstrado na resposta destes desafios”.

Nos últimos meses, a situação da rede hospitalar regional tem sido alvo de debate, com destaque para a transferência da gestão do Hospital Conde de São Bento, em Santo Tirso, para a Santa Casa da Misericórdia. Este processo suscitou “preocupações sobre valências essenciais”, incluindo o polo de saúde mental, e sobre a articulação entre os hospitais de Vila Nova de Famalicão e Santo Tirso.

Para Eduardo Oliveira, presidente da Comissão Política do PS de Vila Nova de Famalicão, “qualquer reorganização deve ser conduzida com total clareza, salvaguardando direitos dos profissionais e qualidade do serviço público prestado à população”.

O socialista sublinhou que “a Câmara Municipal anunciou diversos projetos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas muitos deles enfrentam atrasos significativos – os fundos têm de ser executados até junho de 2026 –, uma vez que os concursos públicos ficaram desertos, tornando a execução dentro do prazo altamente difícil”.

“Estamos perante um risco real de perda de fundos europeus caso os projetos não avancem a tempo. É necessário o município disponibilizar verba para o Hospital poder avançar com projetos que têm financiamento do PRR, para garantir uma execução célere de soluções que desbloqueiem os investimentos prioritários”, afirma Eduardo Oliveira, acrescentando que “nas últimas eleições, foi anunciado um projeto de ampliação e requalificação do Hospital São João de Deus, mas a verdade é que, até ao momento, o financiamento ainda não está assegurado, nem pelo Orçamento do Estado nem pelo PRR ou Portugal 2030”.

“Sem confirmação do financiamento, não será possível avançar com a obra. Os famalicenses não podem viver de anúncios. Precisam de compromissos concretos”, sublinha Eduardo Oliveira. Considera ainda que “este atraso histórico reflete a herança de processos complexos e parcialmente executados e defende o diálogo com o Governo e entidades financiadoras para garantir que os famalicenses não perdem a oportunidade de usufruir das melhorias essenciais no serviço de saúde”.

Para Eduardo Oliveira, o investimento na saúde pública “deve estar acima de disputas partidárias e tem de mobilizar a sociedade civil, autarcas e Governo central numa reivindicação comum. Este é um assunto que não pode estar refém de ciclos políticos nem de indefinições administrativas. Exige planeamento, investimento e determinação”.

“Continuaremos a acompanhar de forma atenta tanto a evolução do hospital como a execução de projetos financiados pelo PRR para defender os interesses dos famalicenses. Não desistiremos do desígnio de lançar um movimento cívico, apartidário e com raiz nas forças vivas do concelho, para lançar a ‘primeira pedra’ no projeto de um novo hospital em Vila Nova de Famalicão”, conclui Eduardo Oliveira.

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