
O Orçamento do Município de Braga para 2026, que ascende a 285 milhões de euros, foi viabilizado na segunda-feira, com os votos favoráveis dos Juntos por Braga e da vereadora Catarina Miranda, e a abstenção do Partido Socialista, Amar e Servir Braga, Chega e Iniciativa Liberal.
Em comunicado, o PS afirma que a decisão dos vereadores em absterem-se “foi coerente com a matriz e tradição políticas e democráticas do Partido Socialista, a de uma abstenção responsável, exigente e vigilante, assente numa oposição construtiva, de soluções e contributo efectivo para o futuro do Município”.
Os socialistas sublinham que o PS “não deve ser – nem será – uma oposição estritamente negativa, de bota-abaixo ou de bloqueio sistemático, conquanto o respeito pelos Bracarenses nos impõem, em todos os momentos, uma postura de escrutínio sério, crítico, mas sempre afirmativo”.
“Tem sido assim desde o início do mandato, assumindo uma oposição firme, mas elevada, exigente, mas leal, que permitiu já viabilizar instrumentos estruturantes para o Concelho, tais como o PDM, o Orçamento e o Plano de Actividades. Com essa atitude, deixamos bem claro que colocamos, sempre, os interesses de Braga acima de qualquer cálculo político menor. A partir deste momento deixam, por isso, de existir desculpas. O Dr. João Rodrigues, Presidente da Câmara, e os demais Vereadores com Pelouro dispõem, agora, de todos os instrumentos políticos e financeiros para governar. É tempo de executar, de resolver problemas concretos e de mostrar serviço, a bem da cidade e dos Bracarenses”, acrescentam.
Os vereadores socialistas alertaram o Executivo Municipal de Braga para “um conjunto de problemas graves e persistentes na cidade”, nomeadamente “a degradação do estado das estradas que atingiu níveis absolutamente inaceitáveis”. “Braga transformou-se, em muitos pontos, numa espécie de cidade Lunar, onde os buracos nas vias apenas encontram paralelo nas crateras: buracos e depressões de dimensão inenarrável, um desprezo chocante pela qualidade da rede rodoviária, com riscos evidentes para a segurança”, salientam.
Os níveis de congestão de trânsito são, para o PS, “intoleráveis”. “A qualidade das vias é deprimente, a recolha de resíduos apresenta falhas graves e recorrentes, o espaço público revela falta de cuidado, de brio e de planeamento”, lamentam.
Para o Partido Socialista há, também, “um claro défice de políticas sociais de proximidade: creches, apoio à infância, centros de dia; a cidade cresce em números, mas não cresce em cuidado”.
“A verdade é simples e incómoda: em muitas áreas e dimensões, vive-se, hoje, pior em Braga. Acresce, e é importante sublinhar, que estamos, uma vez mais, perante um Plano e um Orçamento de promessas repetidas, algo que, na verdade, é similar ao que aconteceu nos últimos anos. São muitos os projectos anunciados há vários anos, décadas, até, que continuam por cumprir. O Parque Eco-Monumental das Sete Fontes, prioridade assumida da Coligação Juntos por Braga desde 2005, permanece por concretizar após 13 anos no poder (2013-2026). O mesmo sucede com dezenas de intervenções prometidas em várias Freguesias, que transitam sucessivamente de Orçamento em Orçamento, como são os casos dos Campos de Jogos de Gualtar e de Esporões ou o Centro Cívico de Espinho. A tudo isto soma-se uma liderança errática do Presidente da Câmara, marcada pelo incumprimento grosseiro e leviano de promessas eleitorais de primeira grandeza, como a dos Transportes Urbanos gratuitos para todos”, sustenta o PS.
Os vereadores recordam que em campanha “João Rodrigues disse e repetiu, inúmeras vezes, ‘que os TUB são financeiramente sustentáveis para prescindir da receita da bilhética’, assumindo o compromisso de, sendo eleito, tornar gratuitos os Transportes Urbanos, para, esta semana, anunciar, apenas, uma redução de 14%, num exercício, triste, de desvalorização da palavra dada que não deve ser esquecido”.
O PS Braga reforça que continuará a ser “exigente, atento, responsável e vigilante”. “Braga e os Bracarenses merecem melhor”, finalizou.


