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Presépio Vivo de Priscos dá trabalho a reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga há 7 anos

© Hugo Delgado

O projeto “Mais Natal Priscos” da Paróquia de Priscos dá trabalho a reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga há 7 anos, no âmbito de um protocolo assinado entre a Paróquia e a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP). A paróquia de Priscos já gastou mais de 200 mil euros neste projeto. É a única paróquia de Portugal a realizar esta missão.

“Uma Igreja samaritana, em ambiente prisional, é aquela que acompanha os presos, proclama a Palavra de Deus, é a voz dos presos nos meios públicos, na luta por uma política mais humana nas prisões e pela garantia dos seus direitos. O Presépio ao Vivo de Priscos é uma esperança, talvez mesmo um sonho que começou a realizar-se, na vida de muitos reclusos que são considerados não apenas pelo crime cometido, pelo qual estão a pagar com responsabilidade, mas também pela capacidade de fazer o bem”, afirma o Padre João Torres, padre da freguesia e responsável pelo projeto “Mais Natal Priscos”.

Para João Torres, “quando se fala de trabalho no exterior do Estabelecimento Prisional não é só de reinserção que se está a falar, mas de inserção na realidade da vida, está-se a dar ferramentas que não tiveram antes, já que muitos deles viveram em ambientes desestruturados. O trabalho para os reclusos não pode ser uma obrigação, nem um privilégio, mas sim um direito”.

“Permitir que reclusos antes do fim da sua pena passem algum tempo na comunidade é um elemento vital para sua reintegração na sociedade. Pode ajudá-los a obter uma valiosa experiência de trabalho, obter qualificações ou aprender novas habilidades, não só técnicas, mas também sociais. Ajuda-os ter uma experiência profissional como também motivação para desistir do mundo do crime. Contribui de um modo geral para aliviar a pena de prisão – ao nível físico (por exemplo, os salários podem ser gastos na melhoria da alimentação), ao nível social (por exemplo, o contato entre os técnicos de educação, guardas prisionais e direção do Estabelecimento Prisional e reclusos como uma motivação para a reabilitação transformam-se em relações sociais) e ao nível psicológico (por exemplo, uma maior auto-estima e um apoio familiar reforçado). Nesta linha de ação já passaram por Priscos, ao longo destes 7 anos cerca de 40 reclusos”, acrescenta o Pároco.

É necessário acreditar na reabilitação dos reclusos, pois influenciará não apenas na melhoria do seu trabalho como também num comportamento positivo. Se o recluso sente que confiam nele e o valorizam de algum modo, sentir-se-á estimulado para melhorar o seu comportamento e terá autoconfiança para sentir que pode mudar para uma vida melhor. Sem mais técnicos e sem mais meios torna-se impossível a estruturação e orientação dos Planos Individuais de Readaptação dos reclusos, o que confere à reinserção social um papel meramente burocrático sem efeitos reais na vida dos reclusos. Assim, a definição de um plano individual de readaptação que se estrutura no início do cumprimento da pena deveria contemplar também o período pós-prisão, tal como é pensado no sistema holandês, estendendo-se, dessa forma, o processo socializador iniciado no estabelecimento prisional e evitando o desamparo imediato de quem é colocado em liberdade.

No Presépio ao Vivo de Priscos os reclusos cumprem um horário de trabalho entre as 08:30 e as 17:00, com intervalo de 60 minutos para almoço, entre as 12:00 e as 13:00. Têm a remuneração mensal e uma parte do vencimento, cerca de metade, fica retido numa conta para que os reclusos possam fazer um pé-de-meia que lhes será devolvido quando saírem em liberdade. Nem todos têm suporte familiar que lhes garanta uma saída tranquila.

“Do plano de atividades de 2021, da Direção Geral de Reinserção e Serviços, consta como um objetivos promover condições favoráveis à integração laboral de reclusos. Mas a burocracia torna, muitas vezes, difícil a concretização deste objetivo. A paróquia de São Tiago de Priscos tem manifestado, por diversas vezes, junto das autoridades competentes, o desejo de continuar esta missão de ajudar reclusos a abandonarem o mundo do crime, para que não haja mais vítimas e tenham a possibilidade de seguirem as suas vidas com a dignidade humana possível”, finalizou João Torres.

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