
A greve geral convocada pela CGTP-IN realizou-se esta quarta-feira com impacto em diversos setores de atividade em todo o país. O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, classificou a paralisação como uma “grande afirmação de força” dos trabalhadores e uma demonstração de rejeição ao pacote laboral apresentado pelo Governo do PSD/CDS.
Em declaração divulgada após a greve, o líder comunista considerou que a adesão registada constitui uma “poderosa ação” para travar as alterações legislativas em matéria laboral, acusando o Executivo de “promover medidas que, na sua perspetiva, representam um retrocesso nos direitos dos trabalhadores”.
Segundo Paulo Raimundo, “o pacote laboral em discussão agrava problemas já existentes no mercado de trabalho, nomeadamente os baixos salários, a precariedade e a fragilização da contratação coletiva”. O secretário-geral do PCP afirmou ainda que “as propostas do Governo colocam em causa direitos relacionados com a estabilidade laboral, os horários de trabalho, os direitos parentais e a atividade sindical”.
Para o dirigente comunista, “a greve assumiu igualmente o significado de um protesto mais amplo contra o aumento do custo de vida, as dificuldades no acesso à habitação e aquilo que descreveu como um processo de degradação dos serviços públicos”.
“O que hoje se verificou foi uma forte expressão de descontentamento e indignação dos trabalhadores perante os problemas que enfrentam diariamente”, sustenta Paulo Raimundo.
O PCP enquadra esta greve geral num ciclo de contestação social que, segundo o partido, se tem vindo a desenvolver desde o verão de 2025. Para os comunistas, “a mobilização desta quarta-feira surge num momento particularmente relevante, após o envio do pacote laboral para apreciação na Assembleia da República”.
Paulo Raimundo considera que “a participação registada demonstra disponibilidade para o prosseguimento da luta sindical e social, tendo defendido a continuação das iniciativas destinadas a impedir a aprovação das medidas propostas pelo Governo”.
Entre os aspetos destacados pelo secretário-geral do PCP está a participação de trabalhadores que, segundo afirmou, aderiram pela primeira vez a uma greve. O dirigente referiu igualmente uma presença significativa de jovens, mulheres, trabalhadores com vínculos precários e imigrantes.
O partido sustenta que a paralisação teve expressão em múltiplos setores económicos e da administração pública. Na indústria, o PCP refere adesões em diversas empresas ligadas aos setores automóvel, têxtil, metalúrgico, alimentar, químico e energético.
Nos transportes, Paulo Raimundo destacou impactos em serviços ferroviários, metropolitanos e rodoviários, apontando paralisações e elevados níveis de adesão em várias empresas públicas e privadas. O dirigente mencionou igualmente perturbações nos portos nacionais e no setor aéreo.
Já na Administração Pública, o PCP afirma que “a greve teve forte adesão em áreas como a saúde, educação, segurança social, justiça, finanças e administração local”. Segundo o partido, registaram-se ainda efeitos em setores como os correios, telecomunicações, energia, cultura e comunicação social.
O secretário-geral do PCP salientou também a participação de milhares de pessoas em piquetes de greve, concentrações e manifestações realizadas em diferentes pontos do país ao longo do dia.
Na sua intervenção, Paulo Raimundo dirigiu uma saudação aos trabalhadores que aderiram à paralisação, bem como à CGTP-IN, estrutura sindical responsável pela convocação da greve geral. O líder comunista elogiou ainda o papel desempenhado por dirigentes e delegados sindicais, comissões de trabalhadores e ativistas envolvidos no processo de mobilização.
O PCP considera que “o sucesso da greve ganha particular significado por ter ocorrido, segundo o partido, num contexto marcado por pressões sobre os trabalhadores e por divergências em torno da definição de serviços mínimos”.
Na avaliação do partido, a atual legislação laboral já contém normas desfavoráveis aos trabalhadores, razão pela qual Paulo Raimundo defende não apenas o abandono do novo pacote laboral, mas também a revisão de disposições atualmente em vigor.
A declaração assume igualmente um forte tom político, com críticas à atuação do Governo PSD/CDS e aos partidos que, segundo o PCP, apoiam as propostas apresentadas. Paulo Raimundo acusou o Executivo de seguir uma política que considera prejudicial para os trabalhadores e para os serviços públicos, apontando ainda críticas em matérias como a habitação, a saúde, a educação e a segurança social.
Em contraponto, o líder comunista defendeu medidas como o aumento dos salários, o combate à precariedade, a valorização da contratação coletiva, o reforço dos serviços públicos e uma maior aposta na produção nacional e no investimento público.
Para o PCP, “a greve geral desta quarta-feira representa um sinal de esperança e demonstra que existe capacidade de mobilização para travar as alterações laborais propostas pelo Governo”.
“A luta prosseguirá”, sustenta Paulo Raimundo, que considera que “a jornada de hoje demonstrou a força dos trabalhadores e a possibilidade de construir alternativas às políticas atualmente seguidas pelo Executivo”.


