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Comerciantes satisfeitos com reabertura da Feira Semanal de Barcelos

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CM Barcelos
CM Barcelos

O dia 8 de abril de 2021 volta a ser marcante para o comércio a retalho em banca, com a reabertura em pleno da Feira Semanal de Barcelos, uma das maiores e mais antigas feiras ao ar livre do país.

Durante a manhã, o presidente da Câmara Municipal, Miguel Costa Gomes, visitou o espaço e contactou com dezenas de comerciantes e clientes, que mostraram a sua satisfação e contentamento pela reabertura deste “tão importante mercado de venda ao ar livre para a economia local e da região”.

Acompanhado pela vereadora com o Pelouro das Feiras e Mercado, Anabela Real, e pelo presidente da Assembleia Municipal, Horácio Barra, Miguel Costa Gomes aproveitou também o momento para dialogar com feirantes e fazer votos de que sejam cumpridas todas as regras de segurança, higiene e etiqueta respiratória. “A Feira de Barcelos cumpre todas as exigências e normas legais e sanitárias determinadas pelas autoridades de saúde, garantindo a segurança de comerciantes e visitantes”, afirmou o presidente do Município.

Recorde-se que a Feira Semanal foi encerrada, pela primeira vez no atual contexto de pandemia, em março de 2020, reabrindo, semanas mais tarde, com os setores da alimentação, legumes e venda de animais vivos. A 28 de maio de 2020, o espaço reabriu na totalidade, no entanto, devido ao agravamento da situação epidemiológica, foi necessário proceder ao seu encerramento parcial no início deste ano.

A Feira Semanal de Barcelos acolhe mais de 650 feirantes, de vários setores, que implica uma “enorme logística levada a cabo pelo Município para que sejam garantidas todas as condições de higiene e segurança”.

O recinto continua vedado com gradeamento, havendo seis entradas controladas, com portarias de entrada e saída, monitorizadas por funcionários do Município e agentes da PSP. O uso de máscara ou viseira é obrigatório, assim como a desinfeção das mãos à entrada do recinto.

Portugal vai limitar vai limitar vacina da Astrazeneca

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DR
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Portugal vai limitar a vacina da Astrazeneca. De acordo com a SIC Notícias, as autoridades de saúde vão informar ainda hoje, após a reunião de Conselho de Ministros, a decisão da suspensão da vacinas em algumas idades.

Há pelo menos 10 países que já suspenderam o uso desta vacina na população abaixo dos 60 anos.

Assembleia da República dá razão aos doentes com Fibrose Quística no acesso imediato a medicamento

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Constança Braddell, doente com fibriose quística
Constança Braddell, doente com fibriose quística

A Assembleia da República deu razão ao pedido de acesso imediato do medicamento Kaftrio aos doentes com Fibrose Quística.

Foram cerca de 75.000 pessoas que assinaram a petição lançada pela Associação Portuguesa de Fibrose Quística (APFQ), em conjunto com a Associação Nacional de Fibrose Quística (ANFQ), tendo sido discutida na Comissão de Saúde do Parlamento.

O Kaftrio é um medicamento inovador capaz de melhorar a vida dos doentes, a todos os portugueses com Fibrose Quística. O relatório final da avaliação feita na Comissão de Saúde será agora remetido ao presidente da Assembleia da República e à ministra da Saúde, para eventual medida legislativa ou administrativa.

São 400 os doentes que em Portugal são portadores de Fibrose Quística, encontrando-se estes numa situação desvantajosa face a doentes de outros países europeus, uma vez que Portugal é dos poucos da União Europeia onde não existe acesso generalizado às terapias inovadoras, razões que levaram à apresentação da petição que, por sua vez, motivou um pedido de esclarecimentos pelo Parlamento à Ministra da Saúde sobre o tema, sem que o mesmo tenha tido resposta.

A Comissão de Saúde conclui agora que “urge a necessidade de serem alterados os tempos médios de espera para acesso à inovação terapêutica em Portugal”, considerando a relatora do documento final que “todo o tempo de espera burocrático que decorre neste caso específico é sinónimo de perda progressiva e irreversível da capacidade respiratória e progressão da doença”, partilhando a esperança de que “a sua resolução esteja para breve”.

Paulo Sousa Martins, presidente da ANFQ, considera que a resposta agora dada à petição confirma “a injustiça que tem sido vivida pelos doentes portugueses há alguns anos. Apesar de estarem disponíveis autorizações de utilização excecionais dos medicamentos, estas são claramente insuficientes, porque normalmente são concedidas num estado muito avançado da doença, já com sequelas irreversíveis. O que é fundamental é que os doentes possam ter acesso à medicação o mais cedo possível, para travar o evoluir da doença. É isso que aqui está em causa”.

Herculano Rocha, presidente da APFQ, acrescenta que o Infarmed em relação a estes medicamentos inovadores sem similares no mercado, perde tempo a fazer “a avaliação fármaco-terapêutica já feita a nível europeu pela EMA, e como tal, deve ser ultrapassada para se concentrar na avaliação fármaco-económica”.

Em audiência Parlamentar na Comissão de Saúde, o presidente do Infarmed deu a entender que é possível os doentes acederem ao medicamento através de AUE. “Os médicos dos Centros de Referência não podem prescrever livremente o Kaftrio, porque por imposição do Infarmed só é elegível para tratamento por AUE o doente que está em fase terminal da doença, estando impedidos de prescrever Kaftrio a doentes elegíveis, para impedir que a sua doença evolua para uma fase crítica com alterações pulmonares irreversíveis. Só com a aprovação do medicamento para todos os doentes elegíveis independentemente da sua situação clínica, será possível colocar os doentes Portugueses com Fibrose Quística em pé de igualdade com os outros cidadãos Europeus”, conclui o mesmo responsável.

A Fibrose Quística é uma doença hereditária rara, que afeta mais de 90.000 pessoas em todo o mundo, aproximadamente 50.000 na Europa e cerca de 400 em Portugal. Manifesta-se logo à nascença, sobretudo ao nível das vias respiratórias, que ficam obstruídas por um muco espesso que é necessário remover por ação de fisioterapia e agentes mucolíticos.

Além destes tratamentos que ajudam a desobstruir as vias respiratórias, as pessoas com Fibrose Quística têm de receber diariamente outros medicamentos para debelar os seus sintomas: enzimas antes das refeições para digerirem os alimentos (aquilo que todos fazem sem sequer pensar); antibióticos, para fazer face às repetidas infeções pulmonares; vitaminas e outros suplementos alimentares; anti-inflamatórios, para conter a inflamação crónica, além de internamentos prolongados para controlo das crises respiratórias frequentes. Apesar desta enorme carga terapêutica, a doença vai seguindo o seu curso com perda significativa da função respiratória, que assim se vai deteriorando e que, em última análise, só é mitigada com recurso a um transplante pulmonar.

Câmara de Esposende prossegue Plano de Formação de Agentes Desportivos

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CM Esposende
CM Esposende

A Câmara Municipal de Esposende tem abertas as inscrições para a ação de formação “Ser Treinador: Tomada de decisão no Futebol e Futsal”, que decorrerá online, nos próximos dias 16 e 17 de abril, orientada por Bruno Travassos.

A ação integra o Plano de Formação de Agentes Desportivos 2021 do Município de Esposende e é dirigida a Treinadores de Futebol e Futsal, Técnicos de Desporto e Professores de Educação Física e outros interessados. No dia 16, realiza-se entre as 19:00 e as 22:00 e, no dia 17, das 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:00, totalizando duas unidades de crédito.

Esta ação de formação estará a cargo de Bruno Travassos, docente e investigador do departamento de Ciências do Desporto da Universidade da Beira Interior e membro do Centro de Investigação CIDESD, onde desenvolve trabalhos de investigação no âmbito da tomada de decisão e análise de jogo no futsal. É ainda autor de um largo número de artigos científicos e livros de âmbito nacional e internacional, treinador de futsal e consultor pedagógico em Academias de Futsal.

As inscrições são efetuadas no site do Município, sendo o link de acesso à formação fornecido após o encerramento das inscrições.

O Plano de Formação para 2021 prevê, ainda, a realização de mais quatro ações, nomeadamente nos dias 15 e 16 de maio, a ação “Hidroterapia: a escolha dos melhores exercícios preventivos e corretivos para patologias da coluna”, por Nuno Pereira; no dia 12 de junho, “Ser Treinador: A importância da Comunicação”, por Jorge Silvério; no dia 9 de outubro, “Atividade Física para Idosos”, orientada por Maria Spratley; e, no dia 13 de novembro, a ação “Suporte Básico de Vida e Primeiros Socorros”, ministrada por Júlio Melo.

Aula online de exercício físico desafia doentes oncológicos a terem uma vida ativa

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A Associação de Investigação e Cuidados de Suporte em Oncologia (AICSO) organiza amanhã, 9 de abril, às 17:00, online, uma aula de exercício físico com o mote “A importância, para o doente oncológico, de ter uma vida ativa praticando exercício físico em família”.

A iniciativa, promovida em parceria com a Liga Portuguesa Contra o Cancro – Núcleo Regional do Norte (LPCC-NRN) e com os ginásios Solinca, está inserida no Dia Mundial da Atividade Física e nas comemorações do 80.º aniversário da LPCC.

Esta ação tem como objetivo incentivar os doentes com cancro a praticar atividade física mesmo em período de confinamento com exercícios que podem ser feitos em casa. “Os nossos programas já demonstraram que os participantes veem melhorias na aptidão cardiorrespiratória, na força muscular e na composição corporal. A aptidão cardiorrespiratória e a força muscular, por exemplo, relacionam-se com a redução de mortalidade, efeitos adversos das terapêuticas e da sua severidade”, explica Ana Joaquim, médica oncologista do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e vice-presidente da AICSO. 

O ONCOMOVE é o programa desenvolvido pela AICSO para promoção da reabilitação do doente oncológico. Inclui os projetos MAMA_MOVE e PROSTATA_MOVE e visa otimizar o tratamento da pessoa que vive com e para além do cancro. É multidisciplinar, contando com médicos oncologistas, fisiatras e cardiologistas, enfermeiros de reabilitação e de saúde mental dedicados à Oncologia, psicólogo, nutricionista, fisiologistas e técnicos de exercício físico. 

A aula online do projeto MAMA_MOVE Gaia Comunidade que se realiza amanhã pode ser acompanhada gratuitamente e será dada pelo professor fisiologista Micael Vieira, com uma voluntária da LPCC-NRN. A sessão é dirigida a doentes oncológicos, mas está aberta a sobreviventes de cancro, cuidadores e população em geral. 

A prática de atividade física regular está relacionada com a redução do risco de doenças não transmissíveis como doenças cardio e cerebrovasculares, diabetes, cancro da mama e cancro do cólon. No entanto, em todo o mundo, “um em cada quatro adultos não cumpre estas recomendações. Nos países mais desenvolvidos, o nível de inatividade física chega aos 70%, o que é muito preocupante”, sublinha a médica.  

A AICSO, através do programa ONCOMOVE tem procurado manter os doentes oncológicos ativos apesar da pandemia e garante que o balanço é muito positivo. “Temos os ganhos em saúde e os sociais que são, essencialmente, o convívio e partilha de experiências entre participantes que estão unidos pelo diagnóstico e pelo gosto que ganharam à prática de exercício físico, o qual percecionam como seguro e aprovado pela equipa médica e outros profissionais de saúde que os acompanham”, refere Ana Joaquim.  

Aulas virtuais têm cada vez mais adesão

O primeiro confinamento interrompeu grande parte da atividade dos programas do ONCOMOVE. A equipa foi-se adaptando à nova realidade com contactos por telefone e sessões virtuais. A especialista revela que outra das estratégias utilizadas foi a troca de mensagens regulares com conselhos relativos à atividade física, nutrição, psicologia, entre outros, disponibilizando os contactos para esclarecimento de dúvidas e algum tipo de apoio que fosse necessário.

“Quando foi permitida a abertura dos ginásios e dos pavilhões desportivos, os participantes aderiram, em massa, ao regresso aos programas presenciais. No segundo confinamento, tinha havido mais tempo para preparação, tanto da equipa como dos participantes. Assim, as plataformas digitais estão mais adaptadas e todos aprendemos a viver desta forma. Prova disso é a adesão superior dos participantes às aulas virtuais que verificamos atualmente, comparativamente com o primeiro confinamento”, explica a médica.

Covid-19: 9 mortos e 602 infetados no país. Internamentos sobem.

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Morreram 9 pessoas por Covid-19 nas últimas 24 horas no país, registaram-se 602 infetados e 601 recuperados, segundo os dados do boletim epidemiológico desta quinta-feira. Ao todo morreram 16.182 pessoas associadas à doença, somaram-se 825.633 casos confirmados e 782.895 casos de recuperação.

O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde indica que a região Norte registou 6 óbitos e Lisboa e Vale do Tejo somou 3.

Foram registados 229 casos positivos em Lisboa e Vale do Tejo, 189 no Norte, 64 no Centro, 55 no Algarve, 31 nos Açores, 18 na Madeira e 16 no Alentejo.

Há atualmente 25.839 casos ativos no país, menos 8 em 24 horas, e 16.182 pessoas estão em vigilância pelas autoridades de saúde, mais 395.

Em todo o território nacional há 495 doentes internados, mais 7 face a ontem, dos quais 122 em unidades de cuidados intensivos, mais 6.

Atletas de Taekwondo do SC Braga marcam presença no Campeonato Europeu

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SC Braga
SC Braga

Joana Cunha, Júlio Ferreira e Renato Pereira, atletas de Taekwondo do SC Braga, vão marcar presença no Campeonato Europeu Sénior, que realiza-se na Bulgária.

Joana Cunha (-57kg) e Renato Pereira (-68kg) entram em ação no 9 de abril, enquanto que Júlio Ferreira (-80kg) irá entrar em prova no segundo dia de competição.

O Campeonato Europeu Sénior realiza-se entre os dias 8 e 11 de abril, em Sófia.

Universidade do Minho, UPorto e UTAD reforçam cooperação na Psicologia

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Universidade do Minho
Universidade do Minho

A Universidade do Minho, Universidade do Porto (UP) e Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) vão aprofundar a cooperação na área da Psicologia, em termos da mobilidade de docentes e estudantes, das atividades de investigação e da criação e implementação de cursos e formações especializadas.

A iniciativa insere-se no âmbito do Consórcio UNorte.pt, formado pelas três academias, e é apresentada esta sexta-feira, 9 de abril, às 15:30, na cerimónia dos 12 anos da Escola de Psicologia (EPsi) da UMinho. O novo protocolo vai ser abordado pelo reitor eleito da UTAD, Emídio Gomes, pelo reitor da UP, António Sousa Pereira, e pelo reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro.

A cerimónia da EPsi decorre das 14:30 às 16:30, na plataforma online Zoom. A sessão abre com a conferência “Reasons why some of the most pressing world problems cannot be solved without the contribution of Psychological Science”, por Leonel Garcia Marques, da Universidade de Lisboa, com comentários de Yann Coelho, da Universidade de Lille (França), e Francisco Miranda Rodrigues, bastonário da Ordem dos Psicólogos.

Seguem-se as homenagens a dois antigos professores da EPsi, Jorge Almeida Santos e Óscar Gonçalves, bem como a entrega de prémios de ensino, investigação e interação com a sociedade e de melhor estudante da Escola. Vai ser igualmente assinado o memorando de entendimento UMinho-EPsi, com vista à realização de um contrato-programa. A sessão termina com as intervenções da presidente da Associação de Estudantes de Psicologia da UMinho, Ema Loureiro, do presidente da EPsi, Miguel Gonçalves, e do reitor Rui Vieira de Castro.

Nascida em 2009 após a extinção do Instituto de Educação e Psicologia, a EPsi tem cerca de 600 alunos inscritos em seis cursos, 27 docentes, 30 investigadores e nove trabalhadores técnicos, administrativos e de gestão. Possui os departamentos de Psicologia Básica e de Psicologia Aplicada, bem como o Centro de Investigação em Psicologia, classificado como “Excelente” na recente avaliação da tutela e que estuda áreas como aprendizagem e carreira, comportamento animal, cognição e neurociência, psicoterapia e psicopatologia, bem-estar e rendimento, vítimas/ofensores e sistema de justiça. Integra ainda há cinco anos a Associação de Psicologia da UMinho (APsi), que presta serviços à comunidade, em articulação com os seus projetos de ensino/investigação e com a parceria dos municípios de Braga e de Guimarães.

Bombeiros Voluntários de Braga apelam à consignação do IRS

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Bombeiros Voluntários de Braga
Bombeiros Voluntários de Braga

Os Bombeiros Voluntários de Braga estão a apelar à consignação do IRS para que os bracarenses doem gratuitamente 0,5 % do seu IRS.

“Pode agora ajudar os Bombeiros Voluntários de Braga através do preenchimento do IRS. Não terá mais custos com isso, apenas irá indicar que 0,5% do seu IRS reverte a favor dos Bombeiros Voluntários de Braga”, escreveu a corporação na sua página de Facebook.

Para ajudar, basta preencher o quadro 11 do modelo 3, selecionar “Instituições Particulares de Solidariedade Social ou Pessoas Coletivas de Utilidade Publica” e inserir o número 501 143 637.

Para condenar não me chamem…

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WAPA
WAPA

Após vinte e dois anos de trabalho dentro de uma prisão ainda me pergunto: que falta faz um padre na prisão? Talvez seja necessário responder antes a uma outra: para que serve a prisão? O sistema prisional devia ter dois objetivos fundamentais: proteger a sociedade de condutas criminosas e proporcionar aos reclusos uma hipótese de reabilitar as suas vidas. Devíamos, por isso, implementar medidas pedagógicas de sociabilização tais como a releitura da história pessoal, a aquisição de competências de trabalho, a restauração de laços afetivos, a implementação de terapias de combate a doenças como o álcool, drogas e outras adições bem como proporcionar um caminho espiritual de redescoberta de valores da vida em sociedade.

O estado atual das prisões é descrito pela antropóloga Catarina Fróis, no seu livro Prisões, como: “não dissuade a criminalidade, não serve de exemplo para o infrator, não reabilita nem degenera o sujeito encarcerado. Servirá, sobretudo, para que se tranquilize a sociedade e para demonstrar que a justiça está atenta e cumpre o seu dever, assegurando que quem transgride é responsabilizado e punido.” Esta prisão serve somente para animalizar o ser humano.

A primeira ideia amplamente generalizada na sociedade sobre “o porquê” da prisão é de que ela serve para punir pessoas que cometeram um crime e deve para isso ser um lugar de sofrimento, exclusão, penitência e até de degradação. A prisão é sempre para os outros.

O que está na lei é que a condenação a uma pena efetiva não significa ir para uma prisão horrível que nos faça experimentar o inferno na terra. A pena é a perda da liberdade. O diretor de uma prisão norueguesa, o psicólogo clínico Arne Wilson, considera que se tratarmos as pessoas como animais quando estão na prisão o mais certo é comportarem-se como animais. Se algumas pessoas têm de cumprir uma pena de prisão, o objetivo último é colocá-las de volta na sociedade em melhor estado do que quando entraram. Da minha experiência há pessoas com uma noção muito humana de como deveria ser a prisão. Mas maioritariamente outras com visão de colónia penal.

Em que perspetiva faz falta um padre na prisão? A primeira razão é a mesma pela qual está em qualquer outro lugar. Está na prisão porque lá estão pessoas. Pessoas que precisam de uma janela para Deus que lhes abra uma janela para o mundo. O seu papel é muito mais amplo e variado do que o do simples oficiante de um culto. É uma presença real mais do que uma ação esporádica. Contudo a sua missão engloba toda uma série de atividades que vão desde a assistência espiritual à material, ao exercício da escuta empática, centrada na felicidade e na liberdade de quem é escutado. Tal missão necessita de disponibilidade, paciência e de entrega, já que a essa assistência atrás das grades é exigente, tendo em conta a dor e o sofrimento que o cativeiro opera sobre os seus “usuários”, sejam eles reclusos, guardas prisionais ou técnicos. Dentro das prisões há mais mundo do que os reclusos…

O Assistente Espiritual e Religioso precisa de ser qualificado, disponível e competente. Precisa de ser profissionalizado. Um dos fatores que levou a um certo descrédito da antiga capelania prisional foi o seu amadorismo e a falta de profissionalização dos seus agentes

Os direitos constitucionais do exercício da liberdade religiosa estão muito mal tratados nas prisões portuguesas. A dimensão espiritual não cabe nos esquemas daqueles que acham que o sistema é para reprimir. A lei 252/2009 que regula a assistência espiritual e religiosa nos estabelecimentos prisionais está de quarentena desde que foi criada: nunca foi regulamentada nem parece inquietar as instituições que deveriam assumir isso como sua missão. A presença dos assistentes espirituais parece ser suportada mas não estimulada. Numa colónia penal o padre não faz falta.

Artigo de opinião do Padre João Torres.