
Durante demasiados anos, a agricultura portuguesa foi tratada como um tema secundário, quase residual, apesar de ser um dos pilares da nossa soberania, da nossa economia e da nossa identidade nacional. Entre burocracias, promessas adiadas e políticas desligadas da realidade do mundo rural, muitos agricultores sentiram que o Estado apenas se lembrava deles quando surgia uma crise.
É precisamente por isso que considero que José Manuel Fernandes, Ministro da Agricultura e Mar, tem vindo a marcar uma diferença evidente. Num Governo onde abundam discursos e escasseiam resultados concretos, a Agricultura parece finalmente ter encontrado alguém disposto a ouvir quem trabalha a terra, quem cria gado, quem produz alimentos e quem mantém vivo o interior de Portugal.
As medidas já tomadas durante o seu mandato revelam sentido de responsabilidade, coragem política e visão estratégica. O apoio extraordinário de 20 milhões de euros para compensar o aumento dos custos de produção, o reforço dos apoios no âmbito da Política Agrícola Comum, os investimentos do PEPAC, a aposta na agroindústria, nas cadeias de valor, na água, na simplificação administrativa e nos jovens agricultores mostram que existe uma vontade real de colocar a agricultura no lugar que nunca deveria ter perdido, no centro das prioridades nacionais.
Durante décadas, assistimos ao abandono sistemático de milhares de hectares agrícolas, ao envelhecimento dos produtores, à desertificação do interior e à perda de competitividade provocada por um excesso de regulamentação e por uma burocracia quase kafkiana. Muitos agricultores passaram mais tempo a preencher formulários do que a trabalhar a terra, outros desistiram simplesmente porque deixaram de acreditar que o Estado estivesse do seu lado.
José Manuel Fernandes parece compreender algo que muitos políticos esqueceram, sem agricultores não há alimentação, sem alimentação não há soberania, sem soberania não há país verdadeiramente livre.
E é aqui que o Ministro se distingue, não se deixa aprisionar pelos radicalismos ideológicos nem pelos dogmas de certos partidos extremistas, como o PAN, que frequentemente parecem olhar para a agricultura, para a pecuária, para a produção e para o mundo rural a partir de uma visão urbana, moralista e desligada da realidade concreta de quem vive da terra.
Defender o ambiente é essencial, proteger os animais é um dever civilizacional, mas transformar esses princípios em armas contra agricultores, produtores, criadores e famílias rurais é profundamente injusto. A defesa da natureza não pode ser feita contra quem cuida diariamente do território, a ecologia séria não pode ser confundida com fanatismo político.
Portugal precisa de equilíbrio, não de extremismo, precisa de sustentabilidade, sim, mas também de produção, de proteger a floresta, mas também de a gerir, precisa de cuidar dos animais, mas sem destruir setores inteiros da economia rural, precisa de ouvir os ambientalistas, mas não pode permitir que minorias ideológicas bloqueiem o progresso, o investimento e a sobrevivência de milhares de famílias.
Nesse ponto, José Manuel Fernandes tem demonstrado coragem, tem enfrentado bloqueios, tem denunciado entraves excessivos e tem defendido que a lei deve servir o país, não paralisá-lo. Quando há projetos úteis, investimento produtivo e vontade de criar valor, o Estado não pode ser uma máquina de impedir, deve ser uma estrutura de exigência, sim, mas também de apoio, rapidez e bom senso.
Naturalmente, haverá críticas, em democracia elas são necessárias e até desejáveis. Nenhum governante está acima do escrutínio público, contudo, também devemos ter a honestidade intelectual de reconhecer quando alguém procura inverter décadas de desinvestimento, abandono e desprezo pelo mundo rural.
Na minha perspetiva, José Manuel Fernandes é, sem dúvida, o melhor elemento deste Governo. Não apenas pela pasta que tutela, mas pela forma como a tem conduzido, com frontalidade, conhecimento, coragem e sentido patriótico.
Enquanto muitos membros do Governo parecem presos à gestão política do dia-a-dia, procurando apenas sobreviver ao próximo ciclo mediático, o Ministro da Agricultura e Mar tem demonstrado preocupação com problemas estruturais que condicionam o futuro de Portugal.
Portugal necessita urgentemente de produzir mais, valorizar os seus agricultores, incentivar os jovens a permanecerem no mundo rural e tornar a atividade agrícola economicamente sustentável. A agricultura não é passado, a agricultura é futuro, é soberania alimentar, ordenamento do território, economia local, emprego, cultura, paisagem e identidade nacional.
Um país que abandona quem produz os seus alimentos acaba, inevitavelmente, por perder muito mais do que a sua agricultura, perde parte da sua independência.
Por isso, é justo reconhecer o trabalho de José Manuel Fernandes.
Num tempo de ruído político, de extremismos fáceis e de discursos desligados da realidade, o Ministro da Agricultura e Mar tem mostrado que ainda é possível governar com os pés na terra, os olhos no futuro e a coragem de defender quem trabalha, quem produz e quem mantém Portugal vivo para lá das grandes cidades.
A agricultura portuguesa precisa de apoio, não de preconceito, precisa de investimento, não de bloqueios, precisa de reformas, não de slogans.
E, nesse caminho, José Manuel Fernandes tem sido uma das vozes mais lúcidas, mais determinadas e mais consequentes do Governo.
Senhor Ministro, tiro-lhe o meu chapéu.


