Investigadores do INL resolvem problemas da adição de Ómega-3 em alimentos
Quarta-feira , Outubro 28 2020 Periodicidade Diária nº 2618
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Investigadores do INL resolvem problemas da adição de Ómega-3 em alimentos

Os Ómega-3 são ácidos gordos essenciais reconhecidos pelos importantes benefícios que têm para a saúde, tais como a melhoria da saúde cardiovascular, diminuição de inflamações, melhoria da função cognitiva e um melhor desenvolvimento neurológico e visual. Nesse sentido, a Indústria Alimentar tem vindo a aumentar o interesse no enriquecimento de alimentos com ácidos gordos essenciais Ómega-3.

No entanto, um dos principais problemas associados à adição destes compostos aos produtos alimentares é a elevada taxa de oxidação dos mesmos, que acaba por afetar a qualidade dos alimentos e promove o desenvolvimento de propriedades organoléticas negativas – tais como o desagradável sabor a ranço – que contribuem para reduzir a aceitação pelos consumidores.

A solução criada pelos investigadores do Grupo de Processamento Alimentar do INL – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia para esse problema foi a encapsulação do Ómega-3 através do método de nano-emulsificação com lactoferrina, uma proteína do leite, como surfactante natural.

Os resultados mostraram que as nano-emulsões, com um tamanho de cerca de 200 nm, são estáveis ​​a 4 °C durante 70 dias, apresentando uma libertação reduzida no estômago e uma libertação superior no intestino delgado, contribuindo para aumentar a biodisponibilidade do Ómega-3. Além disso, observou-se que as nano-emulsões podem ser utilizadas com 12,5 μg.mL -1 de ácidos gordos essenciais Ómega-3 encapsulado, sem afetar a viabilidade celular.

Esta abordagem demonstra a capacidade de encapsulamento à nano-escala como uma forma eficaz e segura de fornecer Ómega-3 ao organismo humano, bem como a possibilidade de utilizar esta técnica para encapsular diferentes compostos bioativos lipofílicos.

O artigo com as conclusões desta investigação acaba de ser publicado e foi capa da edição de março da “Food & Function”, uma revista científica da prestigiada Royal Society of Chemistry, do Reino Unido.