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Investigadores da Universidade do Minho destacam importância da psicoterapia no tratamento do jogo patológico

Pedro Morgado – Universidade do Minho

Um artigo científico de três investigadores da Escola de Medicina da Universidade do Minho destaca a importância e eficácia da psicoterapia no tratamento do jogo patológico.

Várias psicoterapias incluídas neste estudo como a terapia cognitiva-comportamental, a terapia cognitiva, a terapia de exposição e a terapia de casal, entre outras, revelam resultados promissores no tratamento do jogo patológico. Os dados apresentados pelos investigadores Eliana Ribeiro, Nuno Afonso e Pedro Morgado foram publicados na revista BMC Psychiatry.

“O distúrbio do jogo ou jogo patológico é agora classificado como uma desordem viciante em vez de um distúrbio de controlo de impulsos. Os pacientes com doenças como cleptomania ou piromania (distúrbio de controlo de impulsos) sentem-se esmagados pelos seus impulsos para agir e depois, sentem uma sensação de alívio depois de ter agido. Por sua vez, os pacientes com distúrbio de jogo acham o seu jogo agradável e apenas quando deixam de jogar ou sofrem perdas, começam a sentir stress e angústia” afirma Pedro Morgado.

As pessoas que sofrem de perturbação de jogo patológico têm distorções cognitivas que as levam a acreditar que a probabilidade de ganharem é superior à probabilidade real, o que as leva a minimizar o impacto das perdas e a pensar que controlam o jogo e a vontade de jogar.

O tratamento não farmacológico aborda os pensamentos, atitudes e as crenças, que são a raiz dos problemas comportamentais, como os desejo ou impulso de jogar. “O objetivo é identificar os estímulos externos, praticar com os doentes a resposta a esses estímulos e encontrar e promover alternativas. O objetivo das terapias cognitivas é corrigir distorções e pensamentos irracionais” indica Pedro Morgado.

Geralmente referido como “vício do jogo”, o jogo patológico refere-se ao comportamento persistente em jogar, apesar das perdas, consequências negativas ou desejo de parar esse ímpeto. É comumente associado a jogos de casino e apostas desportivas, mas também afeta outro tipo de jogos, como o caso das raspadinhas.

No caso das raspadinhas trata-se de um “vício negligenciado” em Portugal como ficou demonstrado no estudo dos mesmos autores publicado no ano passado na revista The Lancet Psychiatry.

“Os números em Portugal são brutais quando comparados com Espanha – e com o resto da Europa. O gasto médio por pessoa nestes jogos é de 160 euros por ano em Portugal, um valor extremamente elevado quando comparado com os 14 euros médios em Espanha. Este valor significa que o número de pessoas com problemas de jogo patológico, adição ou vício do jogo, associado a raspadinhas também é potencialmente maior”, refere o estudo.

O grande consumo de raspadinhas em Portugal está associado a vários fatores, como diz Pedro Morgado. “Em primeiro lugar, a facilidade de acesso e o grande número de pontos de distribuição; em segundo, a aceitação social e o baixo estigma associado a este tipo de vício; em terceiro, a grande publicidade que alguns órgãos de comunicação social fazem aos prémios atribuídos, com muitas histórias na primeira pessoa que fazem acreditar que ganhar muito é mais fácil do que efetivamente é. O facto de o resultado da aposta ser imediato é outro dos fatores que torna mais fácil as pessoas ficarem viciadas”, salienta.

“Em regra, os doentes chegam à consulta trazidos por familiares depois terem consumido todas as poupanças da família ou estarem com dívidas absolutamente incomportáveis”, relata o psiquiatra, advertindo para um fenómeno largamente ignorado pela sociedade. “Existe a perceção de que o número de pessoas com este problema tem aumentado, mas não existem estudos concretos que o demonstrem”, finalizou.

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