OpiniãoHonrar os Bombeiros, investir na prevenção e punir os incendiários

Honrar os Bombeiros, investir na prevenção e punir os incendiários

Artigo de opinião do economista José Macedo.

© José Macedo

Portugal volta a enfrentar um verão marcado pelo flagelo dos incêndios florestais, e na zona Norte como Ponte da Barca e Arouca mostram isso mesmo. As imagens repetem-se ano após ano, com hectares de floresta devastada, populações desalojadas, animais mortos, casas em risco e bombeiros exaustos a combater o impossível.

As imagens que assistimos nos telejornais fazem-nos ver uma novela com repetições e mais repetições de imagens que nos arrepiam. Perante esta realidade, há uma palavra que se impõe, que será de gratidão. Gratidão profunda a todos os bombeiros portugueses que, com coragem, dedicação e sacrifício, se colocam diariamente ao serviço da vida e da segurança de todos nós. Mas a gratidão, por si só, não basta.

É urgente transformar o reconhecimento em ação. Os bombeiros portugueses precisam de mais do que aplausos, precisam de condições. Precisam de equipamentos modernos, de apoios logísticos adequados, de planos de descanso, de alimentação e hidratação durante os combates ao fogo. Precisam, acima de tudo, de uma carreira valorizada e atrativa, com remuneração digna, estabilidade e formação contínua. Ao mesmo tempo, é imperioso investir seriamente na prevenção. Os municípios não podem continuar a ser deixados à sua sorte. Devem ser dotados de verbas adequadas para implementar planos de gestão florestal, limpeza de terrenos, criação de zonas de segurança, instalação de sistemas de deteção precoce e, sobretudo, para constituírem brigadas locais de proteção civil, formadas e equipadas para atuar em situações de risco.

Estas brigadas, se bem organizadas, poderão ser decisivas nos primeiros minutos de um incêndio e evitar que uma ignição se transforme numa tragédia. Contudo, há um ponto que a sociedade portuguesa já não pode ignorar, falo da impunidade! Não é aceitável que, em pleno século XXI, continuemos a assistir à existência de incêndios provocados intencionalmente. A mão criminosa que ateia o fogo não está apenas a destruir árvores. Está a colocar vidas em risco, vidas de civis, de bombeiros, de animais e a comprometer o futuro ambiental do país e do planeta.

Está a atentar contra o bem comum, contra o esforço de milhares de pessoas e contra as próximas gerações. É, por isso, essencial que o Código Penal português seja claro e rigoroso no que toca aos crimes de incêndio. As punições têm de ser sérias, proporcionais ao impacto dos atos e suficientemente dissuasoras para fazerem qualquer potencial incendiário pensar duas vezes.

A justiça tem de funcionar, não apenas como castigo, mas como sinal de que a sociedade não tolera comportamentos que colocam todos em perigo. Num momento em que o país arde, não podemos continuar a apagar fogos com baldes de água. Precisamos de estratégias estruturais, de financiamento justo, de punições firmes e de uma verdadeira cultura de prevenção. E precisamos, acima de tudo, de continuar a apoiar, com meios reais, aqueles que, todos os dias, enfrentam o inferno para nos proteger. A todos os bombeiros de Portugal: o nosso mais profundo obrigado. A vossa coragem é o verdadeiro exemplo de serviço público. É tempo de vos dar o que há muito merecem.

Artigo de opinião do economista José Macedo.

PARTILHE A NOTÍCIA

LEIA TAMBÉM

PUBLICIDADE

Últimas Notícias

POPULARES