
Aos leitores; partilho estas linhas que celebram um duplo aniversário: quarenta anos de um casamento abençoado e quarenta anos desde o dia em que fiz de Braga a minha casa. Esta é uma homenagem à minha companheira de vida, ao nosso maior tesouro, e a esta cidade de pedra e alma que nos acolheu e a ela nos dedicamos. Aqui nasceu o nosso filho, bracarense de gema, há 38 anos, reflexo da nossa união.
Quarenta anos passaram,
minha querida Necas,
quarenta primaveras, invernos e verões,
quarenta anos de mãos dadas,
de partilha, coragem e emoções.
Chegámos a Braga na flor da idade,
Quando o destino nos deu a mão,
Fizemos nossa esta nobre cidade,
De pedra eterna e de tradição.
São quarenta anos de Braga e passos cruzados,
Nestas calçadas onde fomos abençoados.
Começámos jovens, cheios de sonhos,
sem conhecer os mapas do destino,
e a vida ofereceu-nos o maior dos tesouros:
o nosso amado menino.
O Bruno chegou diferente,
mas tão perfeito no seu ser,
e durante trinta e oito anos
aprendemos todos os dias a crescer.
À volta dele construímos mundos,
derrubámos medos e muralhas,
enfrentámos noites sem descanso,
incertezas, lágrimas e batalhas.
Tu seguiste o teu caminho na polícia,
eu escolhi outra direção,
deixei a farda para seguir aromas,
perfumes de infinita criação.
Aprendi que cada fragrância é única,
como cada pessoa que a vida nos dá;
nenhuma é melhor ou pior,
apenas diferente no que será.
E tal como os aromas se completam
numa perfeita composição,
também nós fomos descobrindo
o segredo da nossa união.
Tu e eu,
diferentes e tão iguais,
encontrando no amor
a força para vencer os vendavais.
Nos dias difíceis abraçámo-nos,
nos dias felizes também,
e o nosso Bruno foi sempre
o centro do amor que nos mantém.
Menino e homem ao mesmo tempo,
filho amado do nosso coração,
razão de tantas preocupações,
mas também da nossa maior paixão.
Hoje é dia de recordar a vida,
de olhar para trás sem tristeza,
porque cada passo percorrido
foi construído com amor e grandeza.
Mesmo quando a doença chegou
e quis roubar-me alguma esperança,
continuaste ao meu lado,
como porto seguro e confiança.
Há quatro anos que enfrento essa luta,
mas continuo a sonhar,
porque o teu amor me recorda
que vale sempre a pena caminhar.
E sonhamos ainda juntos,
como no primeiro amanhecer,
com o futuro que nos espera
e tudo o que ainda está por acontecer.
Há, porém, uma sombra que nos visita,
um receio que não quer partir:
quem amparará o nosso Bruno
quando nós deixarmos de o seguir?
É uma pergunta sem resposta,
guardada no fundo do olhar,
mas enquanto estivermos juntos
não deixaremos de lutar.
Porque o amor que lhe demos
não se perde nem tem fim,
fica gravado para sempre
na alma dele e em mim.
Quarenta anos de cumplicidade,
nas pequenas coisas de cada dia,
num gesto simples, num sorriso,
num silêncio cheio de harmonia.
E o comboio da vida continua,
sobre trilhos de esperança e emoção,
levando-nos lado a lado,
carruagem a carruagem, estação a estação.
Ofereço-te hoje uma rosa,
feita de gratidão e ternura,
com pétalas de amor eterno
e perfume de felicidade pura.
Que possamos seguir juntos,
com saúde, paz e calor,
amparando-nos mutuamente
com a mesma força do nosso amor.
E quando o tempo passar devagar
pelas janelas do nosso caminho,
que eu continue a encontrar-te
como encontrei desde o início.
Minha Necas,
companheira de uma vida inteira,
obrigado por estes quarenta anos,
pela mulher, mãe e guerreira.
E enquanto houver estrada,
enquanto houver céu e horizonte,
seguiremos de mãos dadas,
amorosamente,
sempre em frente.


