
Há uma frase que domina o início de milhões de emails em todo o mundo: “Espero que esteja bem”. Educada, neutra, inofensiva. E, na maioria dos casos, completamente vazia.
Num artigo recente, a revista The Economist desmonta aquilo que muitos já suspeitavam: grande parte das aberturas de emails profissionais não serve para comunicar, serve apenas para cumprir um ritual.
É uma espécie de formalidade automática, repetida sem reflexão. Não acrescenta informação, não melhora a mensagem e raramente reflete uma preocupação genuína. É, no fundo, um “preenchimento” antes do que realmente interessa.
Mas se estas expressões são inúteis, porque continuam a ser usadas?
Porque sinalizam segurança. Funcionam como uma proteção social: evitam parecer demasiado diretos, demasiado frios ou demasiado bruscos. Num ambiente profissional onde a forma ainda pesa, muitos preferem começar com uma frase vazia do que correr o risco de parecerem abruptos.
O problema é que essa escolha tem custos.
Num mundo saturado de emails, onde a atenção é um recurso escasso, cada palavra conta. E quando as primeiras linhas são previsíveis e genéricas, a mensagem começa já em desvantagem.
Mais do que isso, estas fórmulas criam uma ilusão de proximidade que não existe. Dizemos “espero que esteja bem” a pessoas que não conhecemos, com quem nunca falámos e sobre cuja vida nada sabemos. É cortesia, mas é também automatismo.
Talvez esteja na altura de repensar este hábito.
Ser direto não é ser mal-educado. Ser claro não é ser frio. E, muitas vezes, começar pelo essencial é a forma mais respeitosa de comunicar.
Num tempo em que valorizamos a autenticidade, continuar a escrever como máquinas não parece a melhor estratégia.
Talvez o próximo email possa começar de forma diferente.
E talvez, só talvez, isso faça mais sentido do que perguntar, por rotina, se alguém está bem.


