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Comissão da Semana Santa de Braga convida a visitar a Igreja da Misericórdia

Programa cultural "Da Páscoa ao Pentecostes" arranca hoje e vai percorrer sete igrejas de Braga.

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A Comissão da Quaresma e Semana Santa de Braga apresenta o programa cultural “Da Páscoa ao Pentecostes”. Trata-se de uma proposta que visa revalorizar o património religioso e artístico da cidade, articulando-o com a música e a reflexão histórico-teológica.

Sob a responsabilidade da Suonart – Associação Cultural e com direção artística de Elisa Lessa, o ciclo delineia um itinerário estético e espiritual pelas Sete Igrejas.

A tradição da visita às sete igrejas tem raízes profundas no cristianismo antigo, consolidando-se especialmente durante a Idade Média, como expressão de penitência, oração e peregrinação espiritual. Inspirada inicialmente nos costumes de Roma — onde São Filipe Néri, no século XVI, organizava a visita às sete grandes basílicas — esta prática estendeu-se a outras cidades cristãs de particular importância. Braga, reconhecida como a mais antiga diocese da Península Ibérica e como a “Roma portuguesa”, acolheu esta tradição, adaptando-a à sua própria geografia espiritual. Em Braga, a peregrinação tradicional inclui as seguintes igrejas: a Sé Catedral de Braga, a igreja da Misericórdia, a igreja de Santa Cruz, a igreja dos Terceiros, a igreja do Salvador, a igreja do Pópulo e a igreja da Conceição. Cada uma destas igrejas representa não apenas a riqueza artística e religiosa da cidade, mas também um marco simbólico no caminho de fé que o peregrino é chamado a percorrer, especialmente durante o tempo da Quaresma e da Semana Santa.

O número sete conserva aqui o seu profundo significado bíblico de plenitude e perfeição, ecoando os sete dias da criação e as sete igrejas do Apocalipse. Visitar estas sete igrejas em oração é, portanto, sinal de uma caminhada que abrange toda a vida do cristão, da sua fragilidade à sua esperança na Ressurreição. Em Braga, esta prática é ainda reforçada pela história secular da cidade como centro de espiritualidade e cultura cristã, cuja identidade se manifesta nestes templos, espelhos vivos da fé transmitida através dos séculos.

A iniciativa decorre de 3 de maio a 14 de junho. Cada sessão conjuga conferências, concertos e apontamentos musicológicos. Ao longo do percurso, escutam-se repertórios que atravessam séculos de tradição litúrgica. Serão interpretados por solistas e agrupamentos de referência no panorama nacional.

Abre-se hoje, 3 de maio, às 15:00, o ciclo “Da Páscoa ao Pentecostes”, com uma evocação musical e patrimonial na Igreja da Misericórdia. A sessão convida à escuta e ao olhar atento sobre um espaço cuja densidade artística e espiritual “justifica demorada contemplação”.

Elisa Lessa propõe uma leitura esclarecida do património da Igreja, com destaque para a sua expressão musical, tantas vezes silenciada nas abordagens convencionais ao edifício. A música, aqui, não é adorno, mas extensão do próprio espaço orante.

Seguir-se-á a interpretação de obras de Pedro de Araújo – Salve Regina no 6.º tom, Hino de Vésperas a São João, e os Solenes a São João Marcos. Escutar-se-á ainda o Regina Coeli, segundo a tradição gregoriana.

A execução cabe ao Coro de Câmara Masculino da Escola de Música Litúrgica São Frutuoso, sob direção de José Carlos Miranda. Um momento em que se entrecruzam memória, arte e fé, sob a forma do canto litúrgico.

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