PaísSegurança RodoviáriaCiclistas exigem revolução na lei da estrada para travar mortes nas cidades

Ciclistas exigem revolução na lei da estrada para travar mortes nas cidades

Documento entregue ao Ministério da Administração Interna defende redução de velocidades, reforço da proteção de peões e ciclistas e uma mudança estrutural no sistema de mobilidade em Portugal.

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A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) entregou ao Ministério da Administração Interna uma proposta de reforma legislativa, urbana e institucional para reduzir a sinistralidade rodoviária no país, baseada nos princípios da Visão Zero e do Safe System.

O documento, elaborado por um grupo multidisciplinar de especialistas em mobilidade, engenharia, planeamento urbano e segurança rodoviária, resulta de um pedido feito pelo próprio Ministério após uma reunião com a FPCUB.

Segundo a associação, a proposta assenta na ideia de que “o erro humano é inevitável, mas o sistema de mobilidade deve ser desenhado de forma a evitar que esses erros resultem em mortes ou ferimentos graves”.

Entre as principais medidas apresentadas destacam-se a redução da velocidade máxima para 30 km/h dentro das localidades, a criação de zonas escolares protegidas e a definição de distâncias mínimas legais de ultrapassagem — 1,5 metros em meio urbano e 2 metros fora das localidades.

O pacote inclui ainda o reforço da proteção legal de peões e utilizadores de bicicleta, a revisão do Regulamento de Sinalização do Trânsito, melhorias na recolha e divulgação de dados sobre sinistralidade e a criação de incentivos para municípios que consigam reduzir o número de vítimas rodoviárias.

A proposta prevê também a transformação urbana de ruas e avenidas, o reforço da fiscalização e modernização dos instrumentos de controlo, bem como a promoção de uma cultura de segurança rodoviária alinhada com o Safe System.

Em comunicado, a FPCUB sublinha a urgência da adoção destas medidas. “Não podemos continuar a aceitar centenas de mortes e dezenas de milhares de vítimas todos os anos como uma inevitabilidade. A segurança rodoviária é uma questão de saúde pública e exige uma abordagem sistémica. É possível salvar vidas e construir ruas mais seguras para todos”, pode ler-se.

O documento foi já remetido ao Ministério da Administração Interna e será agora analisado no âmbito dos trabalhos de revisão legislativa em curso.

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