
Nogueiró e Tenões são duas freguesias com uma forte identidade patrimonial, histórica e cultural. A ancestralidade de Nogueiró e Tenões vai, contudo, para lá do património e da cultura, integrando, também, uma estrutura quase jurássica que, ao longo de quatro décadas, sob o manto da independência, se foi instalando nas várias esferas de decisão e intervenção (públicas e privadas) destas freguesias.
Estas “independências”, de carácter puramente cosmético ou nominal, normalmente acompanhadas de palmadinhas nas costas por parte de quem, em cada momento, se encontra no executivo municipal, traduzem-se, invariavelmente, na degradação da capacidade de representação e intervenção dos cidadãos face ao poder municipal e numa lógica de apatia e permissividade face a decisões que, objectivamente, não correspondem aos interesses dos territórios que deveriam cuidar, sendo Nogueiró e Tenões disso exemplo.
Destaca-se em Nogueiró e Tenões, desde logo, a ausência de uma estratégia pública e consistente de manutenção e requalificação de infraestruturas básicas, como estradas, passeios, muros, jardins ou equipamentos de uso colectivo, cuja responsabilidade recaia sobre a Junta de Freguesia.
A isto acresce a carência de uma política social pública e universal, que dê resposta às necessidades dos habitantes destas freguesias, designadamente a nível de saúde e de apoio às famílias, através de valências como berçário, creche, lar e centro de dia.
Do mesmo modo, a expansão das zonas habitacionais das freguesias não foi devidamente acompanhada da criação de espaços verdes de pequena ou média dimensão e de mobiliário urbano adequados ao usufruto vicinal e comunitário, particularmente nas áreas de maior pressão habitacional. Na verdade, temos zonas com flora e fauna riquíssimas, mas situadas em áreas verdes publicamente
inacessíveis de grandes dimensões e, simultaneamente, áreas residenciais com elevada concentração demográfica que não dispõem de zonas verdes e equipamentos de uso comunitário nas suas imediações.
Somam-se a estas questões outras, de cariz mais particular, como, por exemplo a estranhíssima situação da piscina pública de Nogueiró, situada num dos locais mais privilegiados da cidade, que, paradoxalmente, nos últimos anos tem estado mais tempo encerrada do que aberta ao público, incluindo neste Verão, um dos mais quentes de que há memória recente. Por parte da Junta não se conhecem as causas concretas para o encerramento, nem perspectivas para a reabertura, sabendo-se apenas que a desculpa de 2025 para a não abertura na época balnear é rigorosamente a mesma que foi dada em 2022. (e já em 2022 se prometia “trabalhos de remodelação nos próximos tempos”…).
Mas a perpetuação destas estruturas de poder tem também sérias consequências ao nível da diminuição da participação (até em actos eleitorais) e da percepção dos cidadãos quanto à capacidade de influência da Junta nas questões que não lhe estejam directamente acometidas por lei, como acontece, por exemplo, com uma série de estruturas viárias que atravessam as freguesias. (cuja manutenção se encontra atribuída quer à CMB quer à IP – Infraestruturas de Portugal).
Deve dizer-se, contudo, que a circunstância de as atribuições e recursos conferidos às Juntas de Freguesias serem limitados não significa que a escolha de quem as dirige seja de somenos. Bem pelo contrário, aí reside um dos elementos chave para definirmos o sentido do nosso voto: descobrir quem alia à capacidade de intervenção (se necessário no terreno, pondo mãos à obra) a capacidade reivindicativa para, junto do poder municipal e central, lutar de forma abnegada pelos interesses daqueles que representa.
A Junta de Freguesia não deve ser um feudo de homens providenciais (ou sucessores designados), nem espaço para ambições pessoais ou projectos políticos paralelos. Muito menos palco para chavões, pintados com cores vivas carregadas de “energia” e “frescura”, que apostam tudo na mudança de caras e de estilo para garantir a continuidade das políticas, defendendo em Lisboa o contrário do que defendem em Braga, justamente como PS, PSD, IL e Chega fizeram, em prejuízo dos interesses das populações que deveriam representar.
A CDU apresenta-se em Nogueiró e Tenões como a única alternativa à continuação destas políticas, porque não basta mudar de caras, é preciso mudar de políticas É, desde logo, a única coligação de esquerda que concorre à assembleia desta União de Freguesias, que reclamam o trabalho, honestidade e competência de quem está diariamente ao lado daqueles que não têm voz: seja a reivindicar os investimentos necessários em serviços públicos essenciais, nomeadamente transportes, seja a lutar pelo acesso universal a habitação digna e a preços acessíveis, seja a defender aqueles que, após uma vida inteira de trabalho, se vêem dispensados como meros objectos.
Uma força que reuniu, só no concelho de Braga, mais de cinco centenas de cidadãos, grande parte deles sem filiação partidária, em torno de um projeto autárquico participado e construído colectivamente, que privilegia a proximidade e rompe com a lógica da partilha do poder por quem defende sempre os mesmos interesses.
No próximo dia 12 de outubro, os habitantes de Nogueiró e Tenões terão a oportunidade de escolher a sua voz para os próximos quatro anos e dar mais força a quem, sem amarras, defende intransigentemente o seu povo e o seu território. Da parte da CDU contarão, como sempre, com luta, trabalho e rigor constantes, com o único propósito de, sem ceder a interesses individuais ou a caprichos partidários, melhorar realmente a vida de quem vive e trabalha em Nogueiró e Tenões.
Artigo de José Ferraz, candidato da CDU à União das Freguesias de Nogueiró e Tenões.


